Fernanda da Escóssia

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Um dos rankings universitários mais prestigiados do mundo, o THE (Times Higher Education) mostrou a UFRJ fora das dez melhores universidades latino-americanas. É a primeira vez que isso acontece. A UFRJ era a 5ª do ranking em 2016, caindo para a 8ª colocação em 2017 e para a 12ª este ano, segundo dados divulgados na semana passada. Para tentar entender o fenômeno, que preocupa a comunidade universitária, o Boletim da Adufrj analisou os números, olhou outras publicações do gênero, ouviu especialistas e professores da UFRJ.

A primeira coisa a dizer é: a UFRJ não piorou. A nota da universidade foi 74,8, quase a mesma de 2017 (74,6) e maior que os 73,3 que garantiram o 5º lugar de 2016. A nota segue estável, com ligeira elevação.

Mas, para decifrar rankings, é preciso olhar o desempenho individual e o do conjunto. Num setor a cada dia mais competitivo, ser estável não garante posição, e outras universidades avançaram mais. Em 2016, só as três primeiras tinham pontuação acima de 80; em 2018, as sete primeiras superavam essa marca. A PUC-Rio, 6ª em 2016, com 70,5 pontos, foi a 7ª em 2018, com 80 pontos.  Na comparação entre as federais, Unifesp, UFMG e UFRGS melhoraram suas notas e superaram a UFRJ. Unicamp e USP, com mais de 85 pontos, se revezam na ponta.

CRITÉRIOS PARA NOTA

O ranking THE tem credibilidade internacional consolidada, segundo especialistas ouvidos pelo Boletim da Adufrj. Analisa tanto indicadores subjetivos (reputação e prestígio), como objetivos, tais como publicações e pesquisa. As notas são distribuídas em cinco eixos: ensino (36%), pesquisa (34%), citações (20%), perspectiva internacional (7,5%) e renda da relação com a indústria (2,5%).

Em 2018, as notas da UFRJ cresceram em pesquisa e citações, se mantiveram estáveis em internacionalização (embora menores que em 2016). Houve uma pequena queda em ensino e uma redução maior na transferência de conhecimento para indústrias.

“Rankings não são absolutos, mas é preciso saber o que houve. Não tenho clareza. Talvez possamos criar uma comissão para analisar isso”, afirma Luiz Pinguelli Rosa, professor e diretor de Relações Institucionais da Coppe.

A diretora da Escola Politécnica, Claudia Morgado, considera que cada universidade tem seus pontos fortes.  “Públicas são diferentes das particulares, e grandes são diferentes das pequenas”, pondera. Por outro lado, diz a docente, é bom ser avaliado para saber o que pode melhorar. “Também é preciso saber se a UFRJ forneceu adequadamente os dados solicitados”, lembra.

Para especialistas em avaliação, é consenso que a UFRJ precisa estar atenta a temas como inovação e internacionalização – decisivas numa área de grande competição como a universidade. É o que destaca a professora do IFCS Maria Celina de Oliveira Barbosa, coordenadora do Lapes, Laboratório de Pesquisa em Ensino Superior, formado por pesquisadores de vários estados. Segundo ela, a internacionalização não é tratada como deveria, o que prejudica contratos e projetos. “Ficar parado na nota, quando todos competem para melhorar, não é uma coisa boa”, afirma. A docente associa a queda no quesito renda da indústria à crise da Petrobras, com quem a UFRJ tem parcerias variadas.
Coordenador da Rankingtacs – Rede Brasileira de Pesquisa em Rankings, Índices e Tabelas Classificatórias na Educação Superior –, Adolfo Ignacio Calderón diz que a UFRJ se mantém como uma universidade de alta qualidade, com problemas proporcionais a seu tamanho, modelo de financiamento e gestão padronizada. “Em tempos de restrições orçamentárias, é premente maior eficiência na utilização dos recursos, diversificar fontes de financiamento e construir uma cultura empreendedora na captação de recursos e prestação de serviços”, avalia Calderón, professor titular da PUC-Campinas. Segundo ele, universidades estrangeiras estão oferecendo serviços no Brasil, enquanto as nossas não se inserem de modo agressivo na economia do conhecimento.
Existem cerca de 60 rankings nacionais e mais de 20 internacionais. A posição da UFRJ varia em cada um deles. No QS, britânico, ela está em 7º na América Latina. No ARWU, chinês, entre as 400 primeiras em todo o mundo. No RUF, realizado pela “Folha de S.Paulo” com universidades brasileiras, a UFRJ está em 1º. Para Sabine Righetti, coordenadora do RUF, professora de Gestão Pública da FGV-SP e pesquisadora da Unicamp, os rankings têm pela frente o desafio de incorporar critérios novos, como diversidade. Ela lembra que as universidades brasileiras dominam rankings latino-americanos, mas estão longe do topo nos internacionais.

A UFRJ informou que repassou dados ao THE e que a Pró-Reitoria de Pós-Graduação analisará os resultados. Destacou que, mesmo com redução expressiva de verbas, seus pesquisadores venceram prêmios e houve melhora de indicadores relevantes, como o aumento de 25% da produção intelectual.

 

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