Universidades públicas produzem 95% pesquisas e são alvos de cortes do MEC e da Capes

Ana Paula Grabois

anapaula@adufrj.org.br

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Centro de excelência no ensino e na pesquisa no Brasil e no mundo, a UFRJ vem sofrendo com cortes de verbas desde 2015. Com o último, em 30 de abril, as verbas de custeio para manutenção das instalações estão comprometidas e a universidade já não tem recursos para pagar água, luz e os serviços de limpeza e de vigilância. A conta para custeio desses serviços está com um rombo de R$ 14,8 milhões.

A maior e melhor universidade federal do país lidera a produção científica entre as federais com pesquisas como o desenvolvimento da tecnologia para prospectar petróleo da camada do pré-sal e a descoberta da relação entre o vírus da zika e a microcefalia.
Além de o corte afetar as pesquisas por reduzir recursos para a compra de equipamentos para laboratórios e hospitais, o número de bolsas de pesquisa tem caído desde 2017. Na quarta-feira, em uma medida radical, a Capes, uma das principais financiadoras de pesquisa do país, decidiu cortar todas as bolsas que iriam ser concedidas a pós-graduandos recém-aprovados, o correspondente a 3.474 bolsas. Somente a UFRJ perdeu 65 bolsas.

Entre a excelência e o desmonte, a UFRJ ainda está com sua autonomia sob ameaça. A professora Denise Pires de Carvalho foi eleita como reitora pela comunidade universitária em abril. No entanto, a expectativa quanto à posse aumentou depois que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que os reitores terão que aguardar a nomeação pelo presidente da República “até a poeira assentar”, pois os “ânimos estão exacerbados”, sem indicar data.
A tesoura na Educação atingiu em cheio o ensino superior. Dos R$ 5,7 bilhões contingenciados na Educação, R$ 2 bilhões corresponderam às universidades e R$ 900 milhões aos institutos federais. Segundo a maioria dos reitores, o corte inviabiliza o funcionamento das universidades no segundo semestre. Embora o governo tenha justificado a decisão por priorizar a educação básica, houve corte de R$ 914 milhões no segmento.
Para fazer frente à cruzada contras as universidades, a AdUFRJ tem atuado a partir do Observatório do Conhecimento, rede de 15 associações docentes que monitora políticas e investimentos do ensino superior com interlocução com o Congresso e organizações científicas, como a SBPC. “Fomos a Brasília pedir apoio da bancada parlamentar do Rio contra o contingenciamento no MEC e C&T e também falar da nossa preocupação com as Ciências Humanas”, disse a presidente da AdUFRJ, Maria Lúcia Werneck, em referência ao recente tuíte do presidente Bolsonaro defendendo a redução dos recursos das faculdades de Sociologia e Filosofia. “Vivemos um momento anti-iluminista e temos que reagir à altura”, resume a diretora da AdUFRJ, professora Tatiana Sampaio. “Há uma luta do bem contra o mal”.

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