À parte emoções, em seus variados (e compreensíveis) graus de intensidade, se impõem, urgentes, reflexões sobre a situação política criada pelo encarceramento do ex-presidente Lula. A seis meses de eleições gerais vislumbradas por muitos como oportunidade de retomada da normalidade democrática, o candidato à Presidência da República detentor dos mais elevados índices de intenção de voto é impedido de concorrer. Um fato que por si já não seria trivial, qualquer que fosse o personagem. Em se tratando, porém, de um ex-presidente que terminou oito anos de governo com elevados índices de aprovação, as repercussões podem beirar o impensável.

Preocupações são inerentes à insegurança institucional. No conturbado contexto em que o Brasil se encontra, pairam ameaças à sequência do processo eleitoral, à garantia das liberdades civis, e, enfim, à própria democracia. Preocupações de tal natureza suscitam, sem dúvida, manifestações de emoção. Mas igualmente convocam à reflexão que, de algum modo, relativiza o imponderável.

A diretoria da Adufrj entende que refletir sobre os recentes acontecimentos que sacudiram o país e seus possíveis desdobramentos é, no momento, tarefa que cabe à Universidade cumprir. Nesse sentido, o Boletim da Adufrj confere prioridade ao tema, buscando justamente incentivar a reflexão. Procurados, docentes de diferentes áreas se dispuseram a apresentar breves depoimentos, e alguns, do campo precípuo das ciências sociais, foram convidados a produzir análises mais focalizadas, embora, obviamente, curtas. O açodado ritmo dos lances que se sucederam na conjuntura dificultou a nossa empreitada que, contudo, se vier a contribuir para alimentar o debate, terá sido bem-sucedida. Boa leitura.

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