Redação Adufrj

comunica@adufrj.org.br

Chapa 2 – Adufrj em Movimento e pela Base

Presidente: Alessandra Nicodemos (Faculdade de Educação)
Vice-presidente: Selene Alves Maia (Instituto de Matemática)
2º Vice-presidente: Marcelo Paula de Melo (Educação Física)
1ª Secretária: Marinalva Oliveira (Faculdade de Educação)
2º Secretário: Filipe Boechat (Instituto de Psicologia)
1º Tesoureiro: Wilson Vieira (Instituto de Economia)
2ª Tesoureira: Regina Pugliese (CAp-aposentada)

Se escolhêssemos uma ideia para definir o atual momento, tempos sombrios, com certeza, seria uma boa síntese. A barbárie cotidiana é cada vez mais assustadora. Ao mesmo tempo em que a ciência é expurgada dos centros de decisão sobre clima, saúde, estatísticas, meio ambiente, a violência aumenta exponencialmente, alcançando principalmente a juventude negra nas favelas, LGBTTI, povos indígenas, camponeses, quilombolas e as mulheres.
Tal cenário se agravará com a aprovação da reforma previdenciária, a qual atingirá brutalmente parcela significativa de trabalhadores, que não terão o direito a se aposentar e não mais contarão com uma série de políticas no campo da seguridade social.
Os recursos destinados às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) vêm sendo drasticamente reduzidos, ameaçando o seu funcionamento básico. O mesmo acontece com os recursos do CNPq e da FINEP. Não se trata de cortes ocasionais, mas de um processo histórico que culmina na Lei do Teto de Gastos (EC 95/2016), que retira do orçamento da União todas as verbas de custeio e capital. E no que tange à educação superior, a nova etapa desse ataque aos serviços públicos é o projeto FUTURE-SE, que objetiva retirar o dever do Estado de manutenção e desenvolvimento das IFES, em desacordo com a Constituição e a LDB.

(…) o FUTURE-SE rompe com a democracia e a autonomia universitárias, princípios fundamentais da educação, conquistados na Constituição de 1988.

O FUTURE-SE joga pela janela as muitas lutas em defesa de uma universidade laica, socialmente referenciada, democrática, capaz de pensar numa futura geração, exercendo sua cidadania plena. As recentes intervenções na escolha dos dirigentes de inúmeras IFES, pelo atual governo, são exemplos desta ruptura com a autonomia universitária. Por outro lado, a resistência da comunidade do CEFET-RJ a essas intervenções, no dia 20 de agosto, é uma atitude que nos inspira.
O FUTURE-SE organiza, em uma única lei, a gestão das Universidades, por meio de uma Organização Social (OS), interferindo diretamente no tripé Ensino-Pesquisa-Extensão e colocando a Universidade sob uma filosofia ainda mais mercantil – na área da saúde, por exemplo, nossos HUs poderão atender fora do SUS, pelos planos de saúde privados. Neste sentido, o projeto busca iludir os pesquisadores (que poderiam “enriquecer”, segundo o MEC), com recursos provenientes do mercado que inexistem, visto que, no ambiente econômico vigente, não haverá “ecossistemas de inovação” que façam da pesquisa e desenvolvimento uma vantagem comparativa e retirará das instituições o controle sobre o seu patrimônio a ser concentrado no MEC e utilizado em fundos de investimentos aos quais as universidades serão subordinadas. Neste aspecto, o Estado desobriga-se de financiamento, evidenciando-se a insegurança de tal fundo.

Se fere nossa existência, seremos RESISTÊNCIA!
Somente a luta coletiva é capaz de mudar uma realidade, e ela deve ser construída com cada professor desta Universidade.

Diante deste cenário, como podemos resistir ao brutal ataque à educação pública?
É na oposição a tal projeto de barbárie e ataque à educação e à ciência que apresentamos nossa chapa “Em Movimento pela Base” para a ADUFRJ, organizando-nos para lutar contra todas as formas de discriminação, pela educação, ciência e tecnologia e pela autonomia da universidade pública e gratuita, ameaçada, frontalmente, pelo FUTURE-SE.
Acreditamos que o papel de um sindicato como a ADUFRJ é essencial na construção da resistência junto aos professores, em seus locais de trabalho, lutando em defesa da educação e da ciência, como instrumentos de redução das desigualdades e por melhores condições de ensino, pesquisa e extensão. Queremos um sindicato que possa atuar de maneira autônoma às estruturas institucionais, em relação à reitoria, às decanias e administrações em geral, assim como em relação aos governos e partidos políticos.
Como nos lembra Mario Benedetti, não podemos deixar que apaguem nossa memória: “cantamos porque o cruel não tem nome, embora tenha nome seu destino (…), cantamos porque os sobreviventes e nossos mortos querem que cantemos (…) e somos militantes desta vida e porque não podemos nem queremos deixar que a canção se torne cinzas”. Somente a luta coletiva é capaz de mudar uma realidade, e ela deve também ser construída com cada professor e professora desta Universidade. A Adufrj-SSind não pode estar parada, ela deve estar em Movimento pela Base!

Confira aqui o PDF da publicação da chapa no Jornal da Adufrj