Fotos: Alessandro Costa

Silvana Sá

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A lição estava lá, numa faixa dos professores e estudantes do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde da UFRJ: “A educação derruba mitos”. O mito Jair Bolsonaro começou a ruir no dia 15 de maio, quando as ruas e praças de 210 cidades brasileiras foram ocupadas por estudantes e professores indignados com os cortes na Educação e com os efeitos da Reforma da Previdência.
Cerca de dois milhões de pessoas participaram. Diferentes gerações, cores e vertentes políticas se uniram na Greve Nacional da Educação. Tinha gente de escola pública e de colégio particular. De universidades e de institutos federais. A UFRJ estava em peso, com docentes, técnicos e estudantes do Rio, Caxias e de Macaé.
No Rio, mais de 200 mil pessoas saíram em passeata no Centro, no fim da tarde. O movimento começou cedo. Desde as primeiras horas da manhã, professores e estudantes da UFRJ lotaram a Praça XV com debates, perfomances e exposições de seus trabalhos acadêmicos.
Os atos foram os primeiros grandes protestos contra o governo Bolsonaro. O ex-capitão mostrou não respeitar a divergência e agrediu os manifestantes. “Se você perguntar a fórmula da água , eles não sabem, não sabem nada. São uns idiotas úteis. Eu só vi bandeira de Lula Livre”.
“Não foi o que eu vi”, resumiu a presidente da Adufrj, Maria Lúcia Werneck. “Eu vi uma mobilização inteligente, criativa, que me acendeu a esperança”, contou.
O entusiasmo não foi só de estudantes. Professores renomados também foram para rua. Vários deles estavam nas aulas públicas organizadas pela Adufrj para discutir os impactos da reforma da previdência e dos cortes na educação. Na Praça XV, numa tenda lotada, com gente sentada no chão e parte da plateia na chuva, o reitor Roberto Leher e a professora Esther Dewck dissecaram a crise orçamentária das universidades e o cenário econômico do país. “Este governo está destruindo um projeto de nação”, resumiu Esther.
“O bloqueio se dá sobre um orçamento que já era inviável. Todo o futuro está interditado”, explicou o reitor. Ele comparou os últimos orçamentos da UFRJ. Em 2015, a universidade teve liberados R$ 504 milhões. Neste ano, o orçamento aprovado foi de R$ 361 milhões. “Deste montante foram retirados R$ 114 milhões”, explicou. Leher voltou a afirmar que o corte inviabiliza o funcionamento da instituição. Ao terminar a palestra ficou claro. Em tempos de crise, é preciso ouvir a voz das ruas: conhecimento para todos e educação acima de tudo.