Foto: Shismênia Oliveira/MEC

Diretoria da Adufrj

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A semana da Educação pode ser dividida em três episódios.

ATO 1

Na terça-feira, dia 4, a Capes anuncia a extinção de mais 2,7 mil bolsas. O alvo são os programas que deveriam ser mais fortalecidos, os de nota 3. Mas os tecnocratas do MEC não querem saber. Considerando o corte anterior de outras 3,5 mil bolsas, feito em maio, comemoram a economia de alguns milhões de reais. Para eles, não importa se as pesquisas podem retornar muito mais benefícios econômicos e sociais para o país. Na UFRJ, quatro programas de diferentes áreas serão afetados.

ATO 2

Ainda na terça-feira, a resistência ao desmonte da Educação ganha forma com uma carta conjunta de seis ex-ministros do MEC. Havia nomes dos governos petistas, de Collor e de Fernando Henrique Cardoso. Uma unidade que demonstra a importância do setor: “A educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia. Com espanto, porém, vemos que, no atual governo, ela é apresentada como ameaça”, diz um trecho da carta. Para o ensino superior, os ex-ministros defendem financiamento adequado e autonomia.

ATO 3

Na quinta-feira, 5, o ministro fez que não ouviu. Durante XII Congresso Brasileiro de Ensino Superior Particular (Cbesp), em Belo Horizonte, Weintraub afirmou que não há como sustentar o modelo estatal de educação superior que há hoje no país. Fez um discurso que agradou aos empresários do ensino: “Qual a razão de se ficar criando um monte de regras entre uma pessoa que quer estudar e um grupo de pessoas que quer ensinar, na iniciativa privada?”, questionou. “Nós queremos que a sociedade possa buscar sua felicidade e isso só é possível com um setor de ensino superior fortemente baseado na iniciativa privada, fortemente livre”, completou. Foi bastante aplaudido.

PANO RÁPIDO.

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O momento exige redobrada resistência, em todas as frentes possíveis: dentro da universidade, debatendo com os professores, técnicos e estudantes; nas ruas, com nossos panfletos e cartazes que defendem a educação pública, gratuita e de qualidade; dando aulas nas praças onde mostramos à população o que estudamos, ensinamos e produzimos em nossas salas de aula, laboratórios e grupos de pesquisa; discutindo e sensibilizando parlamentares próximos ao campo popular para que se empenhem na defesa da universidade. Na próxima semana, a Adufrj dará passos em várias direções. Na segunda-feira, a diretoria promoverá um encontro com parlamentares, de diferentes partidos. É importante consolidar um apoio no Congresso, onde o governo tem experimentado doloridas derrotas. Os massivos protestos contra os cortes na Educação no 15M e no 30M pressionam o Parlamento e criam expectativa de sucesso na empreitada. Na quarta, é a vez de discutir com os colegas como combater a PEC de reforma da Previdência do governo. Enfraquecer a aposentadoria dos servidores da Educação diminuirá o poder de atração de bons quadros para as universidades