Fernanda da Escóssia

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(Última atualização em: 12/04/2018)

A UFRJ vai aderir ao edital da Capes para o Programa Institucional de Internacionalização, que prevê repasses de R$ 300 milhões a projetos de pós-graduação. Até agora 38 programas de pós da UFRJ estão inscritos. O prazo final é 9 de abril.

O objetivo do edital é estimular redes de pesquisa internacionais, com mobilidade para enviar alunos e professores ao exterior e receber estrangeiros. A universidade espera ter mais de 40 programas inscritos.

Não será sem percalços, porém, que a UFRJ chegará ao final do processo, embora a discussão sobre o tema já venha ocorrendo há um ano. O edital da Capes saiu em novembro. Foi criada uma comissão com representantes dos centros, do Conselho de Ensino para Graduados, da Diretoria de Relações Internacionais e da Pró-reitoria de Pós-Graduação, a PR-2.

No entanto, houve falhas de comunicação, e alguns programas não ficaram sabendo da convocação para reuniões. E-mails foram parar nas caixas de spam. Professores reclamaram que a UFF, por exemplo, lançou edital interno para selecionar projetos. Outro problema foi temático.

A UFRJ avaliou, a partir das reuniões com a Capes, que seria melhor alinhar projetos em torno de um único tema. Escolheu sustentabilidade, a partir dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Os ODs abrangem de erradicação da pobreza (ODS 1) a indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9), passando por cidades sustentáveis (ODS 11) e vida na água (ODS 14). Depois, a comissão agrupou as propostas em dois eixos principais: “Protegendo a Vida” e “Desenvolvimento e Combate à Desigualdade”.

Programas com foco em pesquisas básicas, como Física e Matemática, consideraram difícil encaixar projetos na temática da sustentabilidade. O professor Gregório Malajovich, representante do CCMN no Conselho de Ensino para Graduados, criticou o tema da sustentabilidade e disse que ele restringe a participação de programas ligados a ciência básica, engenharias e saúde. “Precisamos aderir ao edital, mas com este tema ficou difícil”, acrescentando que tentaria retomar o debate na reunião de sexta-feira, 6, do CEPG.

O Programa de Pós-Graduação em Física, que tem nota 7 e é considerado de excelência, não vai participar. “Tivemos problemas de comunicação. Muitos programas só tomaram conhecimento do edital em fevereiro”, critica o professor Antônio Santos, vice-diretor da Física e membro da comissão. “A Física sentiu dificuldade de se encaixar e optou por não aderir. Sobre o tema, talvez, tenha faltado pensar fora da caixa”.

O vice-diretor da Biofísica, Bruno Diaz, acompanhou o processo desde o início. Disse que houve oportunidade para apresentação de outros temas –mas não apareceram contrapropostas. A diretora acadêmica da Coppe, Cláudia Werner, considera fundamental participar. Segundo ela, os primeiros programas chamados foram os de notas 6 e 7; depois foram incluídos os de notas 5 e 4. “É preciso ampliar o que já fazemos em internacionalização”, avalia.

Em nota, a PR-2 diz ter críticas ao edital: “A UFRJ é excelência em todas as áreas do conhecimento, entretanto exige-se que ‘foquemos em vocações’’. Sobre o tema, disse que ele dialoga com vários programas e que não foram apresentadas alternativas.

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