Foto: João Laet

Ana Paula Grabois

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Criar uma frente parlamentar em d e f e s a d a educação superior pública no estado do Rio com a participação da sociedade civil – associações de docentes e de estudantes, cientistas e artistas. Este foi o resultado do encontro entre a diretoria da AdUFRJ e parlamentares das bancadas estadual e federal do Rio, na semana passada, na Casa da Ciência da UFRJ. A reunião contou com representantes de diversas legendas partidárias – PSB, PSOL, PT, Cidadania, PDT, PCdoB e PSDB.

Lançada pelo deputado Waldeck Carneiro (PT) e concebida pelo ex-deputado do PSOL Chico Alencar, a frente mista foi aceita imediatamente entre os políticos presentes.

A proposta da iniciativa é auxiliar as universidades a resistir aos diversos ataques vindos do governo Jair Bolsonaro, especialmente do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Chico Alencar participou do encontro da AdUFRJ como representante da Universidade da Cidadania – que faz a articulação com movimentos sociais e parlamentares –, ligada ao Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

“A avaliação da reunião é muito positiva não só pela presença, mas pelo contato inicial. Vamos dar continuidade a esses encontros com os parlamentares. As questões colocadas são de suma importância para o nosso projeto de universidade e para que possamos continuar essa luta de resistência. A criação de uma frente parlamentar mista é fantástica”, afirmou a presidente da AdUFRJ, Maria Lúcia Werneck Vianna.

“O encontro mostrou que existe uma demanda dos parlamentares em conhecer mais a universidade. Existe interesse dos deputados das duas casas em defender a educação”, disse o diretor da AdUFRJ Felipe Rosa. Para ele, promover a articulação com o Legislativo em defesa da Educação é uma das funções da entidade representativa dos professores . “Nesse sentido, foi importantíssimo o encontro”, completou.

O futuro vice-reitor da UFRJ, professor Carlos Frederico Leão Rocha, compareceu à reunião. Ele destacou a importância do apoio das bancadas parlamentares à universidade diante dos cortes orçamentários. Somente na UFRJ, foram R$ 114 milhões de verbas cortadas neste ano, enquanto a dívida da universidade gira em torno de R$ 170 milhões. “Queremos contar com os deputados também para a nossa posse. A garantia da nomeação da primeira mulher reitora na UFRJ foi uma importante vitória da universidade pública”, afirmou. A cerimônia de posse da nova reitoria vai ocorrer no dia 8 de julho, no auditório do bloco A do Centro de Tecnologia da universidade.

Para o deputado Waldeck Carneiro, por trás dos cortes do MEC existe uma clara oposição ao processo de popularização da universidade pública nos últimos anos.

Já a deputada estadual Mônica Francisco (PSOL) disse que os ataques sofridos pela universidade na atual administração Bolsonaro fazem parte de um conjunto de acontecimentos no país contra a democracia. “O maior símbolo da democracia é a produção de conhecimento, de ciência, a possibilidade de uma universidade plural, diversa”, afirmou a deputada, que defendeu ainda a participação das bancadas das Câmaras Municipais na frente ampla.

O deputado Paulo Ramos (PDT) disse que a reunião foi importante para fazer frente “ao desmonte da universidade” em curso. Já Marcelo Freixo (PSOL) ressaltou que os ataques do governo contra a universidade são parte de um quadro de crise de democracia. “É um corte violento acompanhado de um projeto muito perverso”, afirmou. “Não dá mais para nós ficarmos com a agenda reativa a essa crise”, disse o deputado federal, que ressaltou a necessidade de a bancada em defesa da educação ser formada com o maior número possível de partidos comprometidos com a democracia.

O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania) criticou o desprezo por critérios científicos nas políticas públicas do governo Bolsonaro, citando a flexibilização das leis de trânsito anunciada na semana anterior. “As políticas públicas não estão sendo feitas com base em dados, em ciência. Isso é muito preocupante”, afirmou Calero, destacando a necessidade de união entre os parlamentares em favor das universidades. “Precisamos unir o campo humanista, de pessoas que tenham preocupação com o ser humano, independentemente da visão econômica ou sobre o Estado. Fico muito feliz de estar aqui hoje”, afirmou.

Carlos Minc, da bancada estadual do PSB, reforçou o que deve ser característica da frente. “A educação é um palco privilegiado para construir maiorias multipartidárias”, disse.

O deputado estadual Renan Ferreirinha fez coro com o colega de partido. “Esse debate está muito longe de uma perspectiva ideológica”, afirmou. Ferreirinha destacou os efeitos dos cortes de verbas sobre economia, emprego, renda e arrecadação de impostos no estado do Rio. “O corte tem um efeito muito além dos muros das universidades, tem efeito direto na economia fluminense”, completou. O estado do Rio conta com quatro universidades federais – UFRJ, UFF, UniRio e UFRRJ – e as estaduais UERJ, Uenf e Uezo.

O encontro contou ainda com a participação da deputada federal Talíria Petrone (PSOL) e dos deputados estaduais Eliomar Coelho (PSOL) e Flavio Serafini (PSOL). Os deputados federais Jandira Feghali (PCdoB) e Alessandro Molon (PSB) e o deputado estadual Luiz Paulo (PSDB) não puderam comparecer, mas enviaram representantes que expressaram adesão à iniciativa da AdUFRJ.

A reunião também recebeu apoio do Observatório do Conhecimento, rede de 14 associações docentes de universidade que tem como objetivo defender a universidade pública, gratuita e de qualidade, além da liberdade acadêmica.