Pesquisa foi realizada no Laboratório de Doenças Neurodegenerativas da UFRJ - Foto: Kathlen Barbosa

Kathlen Barbosa

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A excelência da UFRJ mais uma vez ganhou o noticiário do Brasil e do mundo. Uma equipe de 20 pesquisadores do Laboratório de Doenças Neurodegenerativas e cinco colaboradores estrangeiros revelaram que a prática de exercícios físicos pode prevenir e combater o Mal de Alzheimer. A doença, que afeta mais de 1 milhão de pessoas só no país, apresenta como principal sintoma a perda de memória. Fruto de sete anos de trabalho, o estudo inédito foi publicado na revista ‘Nature Medicine’, no último dia 7.

A relação entre a prática de atividades físicas e a doença foi obtida a partir do exame de uma proteína produzida nos músculos, a irisina. O hormônio – descoberto pelo biólogo Bruce Spiegelman, da Universidade de Harvard,em 2012 – nunca havia sido estudado no cérebro. A pesquisa mostrou que a substância desempenha papel importante no sistema nervoso central: a irisina protege as sinapses – conexões entre neurônios – no cérebro, evitando sua degradação. Os resultados, observados em testes realizados com camundongos, evidenciaram que os indivíduos com Alzheimer conseguiram melhor desempenho da memória.

“Ainda não há tratamentos muito eficazes para a doença de Alzheimer”, explicou o coordenador do laboratório, Sergio Ferreira, professor do Instituto de Bioquímica Médica e do Instituto de Biofísica. “As terapias existentes não alteram o curso da doença. Portanto, as estratégias de prevenção se tornaram muito importantes”.

O grupo de pesquisa trabalha com a doença há 20 anos. “Essa descoberta abre uma perspectiva interessante se conseguirmos reproduzir em seres humanos os resultados positivos que obtivemos com a irisina em camundongos”, explicou Sergio. “Nós gostaríamos de fazer isso, mas não temos infraestrutura e recursos necessários”, completou.

O professor destacou o trabalho de pesquisa na universidade: “É essencial que nossos governantes e a sociedade como um todo percebam que o dinheiro que se coloca em ciência e tecnologia não é um gasto, é investimento”, disse Sergio.

Mychael Lourenço, professor do Instituto de Biofísica e coautor do projeto, comemorou os frutos da pesquisa. “Conseguimos resultados robustos e bem avaliados pela comunidade científica”, disse. Ele também destacou a importância das parcerias : “Queremos fortalecer a relação com instituições estrangeiras para reforçar a importância e o nome da UFRJ no meio científico internacional”, observou.