Último debate entre chapas foi realizado na Escola de Química - Foto: Fernando Souza

Silvana Sá

silvana@adufrj.org.br

Dois debates, nos dias 3 e 5 de setembro, marcaram a última semana de campanha eleitoral para a diretoria da AdUFRJ. Disputam o voto dos professores a Chapa 1 – Ventos de Maio. Juntos pela Universidade. Não vamos parar nem voltar atrás – e a Chapa 2 – AdUFRJ em Movimento pela Base. O pleito será realizado em 11 e 12 de setembro.
Os encontros discutiram temas que causam intensa preocupação entre os professores: cortes na pesquisa, Future-se e governo Bolsonaro. O professor Ricardo Medronho, presidente da Comissão Eleitoral, apontou o que foi consenso entre os dois grupos. “Todos aqui temos pontos em comum: defender a universidade pública. As diferenças, me parece, são de método”.
Pela Chapa 1, apoiada pela atual diretoria, concorrem como presidente e vice, respectivamente, a professora Eleonora Ziller e o professor Felipe Rosa. A Chapa 2, de oposição, apresenta as professoras Alessandra Nicodemos e Selene Maia como presidente e vice-presidente.
Dois pontos marcaram a diferença entre as duas chapas: a avaliação das duas últimas gestões da AdUFRJ e as formas de mobilização. O grupo de oposição responsabilizou a diretoria pela falta de mobilização de professores. Já a chapa 1 relembrou a atuação da seção sindical antes de 2015, com assembleias esvaziadas e greves.
A Chapa 1 reiterou a necessidade de defender a Ciência e a livre produção do conhecimento, dialogando com a Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas e com entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC). Já a Chapa 2, embora tenha reconhecido que estas são instâncias legítimas de atuação, afirma que pretende dar ênfase a atividades dentro da universidade para envolver os professores.
As divergências sobre o momento político também ficaram marcadas. O grupo apoiado pela atual direção acredita que o governo Bolsonaro apresenta elementos com os quais o movimento sindical não se deparara até então. “Acreditamos que a correta análise do que é o governo Bolsonaro é o que vai nos permitir realizar as ações necessárias para enfrentá-lo”, disse o professor Josué Medeiros, da Chapa 1. “Os projetos de privatização da universidade pública são anteriores a Bolsonaro”, defendeu a professora Alessandra Nicodemos, da Chapa 2.
A íntegra dos debates está disponível no Facebook da AdUFRJ e no canal da TV AdUFRJ, no Youtube.

PRAIA VERMELHA
A pergunta que norteou o debate da Praia Vermelha, no dia 3, foi como mobilizar os professores da UFRJ diante da conjuntura política de ataques à universidade e ao conhecimento científico.
A parte de perguntas da plateia começou tensa. O professor Carlos Azambuja, da Belas Artes, acusou a candidata Eleonora Ziller, da Chapa 1, de ser apoiadora do Proifes. “É mentira”, rebateu a docente. “Mas seu marido defendia”, prosseguiu o docente, citando o já falecido professor Fernando Amorim. “Ele foi um dos fundadores. Mas sempre fui contra. Estou sendo apontada por algo que eu não fiz. Isto é a expressão do machismo estrutural da nossa sociedade”, afirmou a professora.
As chapas demonstraram diferentes entendimentos sobre a mobilização dos professores. Para a Chapa 1, os docentes estão engajados na defesa da educação e da universidade de diferentes formas. “Nosso corpo docente é muito diverso. As assembleias estavam vazias, mas as praças ficaram lotadas quando foram chamados a mostrar para a sociedade o que desenvolvem”, justificou Eleonora.
Já a Chapa 2 acusou em variados momentos as duas últimas direções da AdUFRJ de não mobilizar os professores. “É preciso organizar os espaços coletivos de luta docente. Eu não acho que a UFRJ esteja mobilizada à altura da importância desta universidade”, opinou a professora Alessandra Nicodemos. “Precisamos que os professores se identifiquem como trabalhadores. Hoje eles não se identificam”, emendou o professor Filipe Boechat, candidato a 2º Secretário pela Chapa 2.
Também houve diferenças sobre a forma de responder aos ataques do governo contra a ciência. “A universidade não tem só papel na produção científica. Ela também produz ensino e extensão”, disse Alessandra, em resposta à atual presidente da AdUFRJ, professora Maria Lúcia Werneck, que perguntou sobre o posicionamento das chapas em relação à defesa da ciência no Congresso Nacional. O professor Josué Medeiros, da Chapa 1, argumentou que a articulação com sociedades científicas, parlamentares e sociedade civil fortalecem a universidade. E citou como exemplo a paralisação do dia 15 de maio. “É impossível pensar o 15M sem a articulação de todas essas frentes. Todas as movimentações são importantes. Isto não é FlaxFlu”.

FUNDÃO
Novas e antigas formas de mobilização, governo Bolsonaro, comunicação sindical, Future-se, crise do financiamento da ciência. O último debate entre as chapas tratou dos principais temas relacionados aos recentes ataques contra as universidades federais.
Ambos os grupos repudiaram o Future-se – projeto do governo para financiamento e gestão das universidades. “O Future-se é inegociável e levará a universidade à sua destruição”, afirmou Eleonora Ziller, da Chapa 1. “Consideramos que o Future-se inviabiliza financeiramente as universidades”, disse a professora Selene Maia, candidata da Chapa 2.
A professora Leda Castilho, da Coppe, criticou as gestões da AdUFRJ anteriores a 2015, em que se decidia “em assembleias esvaziadas e relâmpagos” sobre a continuidade de greves. Alessandra Nicodemos respondeu que naquele período havia reuniões de unidades e ações do Conselho de Representantes. “Havia o olho no olho e ombro no ombro. Hoje não vemos mais isto”, disse.
“Mais da metade dos docentes da minha unidade participou do 15 de Maio”, afirmou o professor Pedro Lagerblad, candidato pela Chapa 1. “Minha unidade vai realizar uma assembleia para debater os cortes de bolsas. Não é porque algumas pessoas não veem que não existe mobilização”, respondeu.
Alguns professores criticaram o Jornal da AdUFRJ. Neste momento, a professora Alessandra Nicodemos reclamou sobre uma matéria a respeito da assembleia ocorrida no dia 1º de agosto. A candidata acusou a reportagem de redigir texto em que chamava professores de“sectários”. A redação esclarece que não há em qualquer linha da matéria acusações de sectarismo contra docentes. Um editorial assinado pela diretoria, na mesma página, faz considerações sobre tentativas de impedimento do debate. Ainda assim, nem mesmo no editorial foi usada a expressão “grupo sectário”.
Candidato a vice-presidente pela Chapa 1 e atual diretor da AdUFRJ, o professor Felipe Rosa saiu em defesa da Comunicação. “Nosso jornal tem mais receptividade entre os professores do que tinha antes”, disse. “Inclusive gostaria de ressaltar que a Comunicação da AdUFRJ ajudou a universidade a protagonizar o debate sobre o Future-se no Brasil”, afirmou.

CONFIRA AQUI AS PROPOSTAS DAS CHAPAS DIVULGADAS NO JORNAL DA ADUFRJ DESTA SEMANA

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