Foto: Kathlen Barbosa

Redação Adufrj

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Kathlen Barbosa*

Duas semanas após serem retirados de suas casas, os  antigos moradores do Mangue precisam da ajuda de amigos para sobreviver. Muitos dizem dormir nos carros, enquanto procuram uma moradia.

No dia 25 de julho, agentes da Polícia Federal foram ao local, no campus da Cidade Universitária, próximo ao Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), para cumprir uma sentença judicial de reintegração de posse pela UFRJ. Foi o resultado final de um processo iniciado nos anos 90. Durante a ação policial, a energia dos imóveis foi cortada; as portas foram retiradas.

João Batista da Silva, de 77 anos, mora no Mangue desde que nasceu. “Meu pai veio morar aqui em 1928. Eu sou fundador da Prefeitura Universitária”, contou. João e seu filho, Pedro Paulo Nery, estão morando num bar desativado. “É o único lugar que tem porta. Ali na minha casa, quebraram tudo: as portas, janelas, portão, até o vidro do meu box… foi tudo arrancado”, disse Pedro. “Eu não tenho onde morar e não tenho emprego. Antes, a gente estava dormindo no carro; agora eu fui lá no depósito buscar minha cama e coloquei meu pai pra dormir nela porque faz muito frio à noite e ele já é um senhor”, completou.

Pai e filho compartilharam a situação em um ato de solidariedade promovido pelo DCE Mário Prata na tarde desta quarta-feira, 8, no próprio Mangue. Juntos, alunos e ex-moradores preparam uma manifestação para a próxima reunião do Conselho Universitário, marcada para o dia 16.

Maria Clara Delmonte, integrante da diretoria de Comunicação do DCE, afirmou que “o Mangue é um patrimônio histórico de socialização da universidade há mais de 50 anos”. A representante discente também destacou  que o Mangue é o local de sustento e moradia de oito famílias. “O DCE trava lutas além da UFRJ, e nós estamos aqui lutando pela moradia, que é um direito fundamental”, disse.

Em nota divulgada no dia da desocupação, a assessoria de imprensa da reitoria disse que, em conjunto com os ocupantes, a Universidade propôs dar apoio à criação de um projeto de crowdfunding para angariar recursos destinados à construção de casas na Vila Residencial. “Apesar de pronto, o projeto de crowdfunding ainda não foi executado pela Associação (de Moradores da Vila). Assim que derem início à campanha, a Universidade auxiliará a captação de recursos para a construção das casas, com participação de entidades da sociedade civil, em articulação com os movimentos de luta pela moradia, e da Associação de Moradores da Vila Residencial”.

*estagiária sob supervisão de Kelvin Melo

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