Foto: Fernando Souza

Ana Paula Grabois

anapaula@adufrj.org.br

Concertista de piano e professora da Escola de Música da UFRJ, Sara Cohen se encantou há cerca de sete anos pelo som da cuíca. “Dizem que ela chora, que late ou que pode gargalhar. O que traz felicidade é tocar cuíca, chorando a cuíca para não pensar nesse quadro maluco que estamos vivendo”, disse a pianista.

Sara tem participado de diversos desfiles na bateria das escolas com a sua cuíca, um processo que ocorreu gradualmente. Começou a tocar no bloco do mestre Odilon e no desfile da escola de samba Embaixadores da Folia e finalmente, passou a participar dos ensaios da Império da Tijuca, no Morro da Formiga, na Zona Norte do Rio. Depois, foi convidada para gravar o CD das escolas de samba no carnaval de 2015 e a desfilar. Neste mesmo ano, também passou a tocar na bateria da Paraíso do Tuiuti.

Sua trajetória no mundo das escolas de samba retrata a conquista feminina de espaços antes predominantemente ocupados por homens. A cuíca ainda é um instrumento majoritariamente tocado por homens nas escolas de samba, mas as mulheres têm conseguindo entrar aos poucos. “A Vila Isabel tem uma mulher dirigindo a ala de cuícas. O Salgueiro, pela primeira vez, tem duas mulheres na cuíca. A Tatuapé, em São Paulo, teve uma ala só de mulheres cuiqueiras neste ano. Em geral, as alas de cuícas têm 24 integrantes e as escolas têm até quatro participantes mulheres. Essa ainda é a realidade”, afirmou Sara, que apresentou o projeto “Sambando Para Não Sambar”, semana passada, em roda de conversa promovida pela Adufrj. A entidade tem realizado eventos e debates sobre a participação feminina na sociedade por meio da campanha “Sem Mulher a Ciência fica pela Metade”.

Silêncio na Academia

Na roda de conversa do último dia 22, as professoras Jacqueline Leta, do IBQm, e Liv Sovik, da ECO, falaram sobre questões que envolvem as mulheres na Academia. Jacqueline apontou desigualdades de gênero nas carreiras da Academia, no Brasil e no mundo. Liv abordou a cultura machista dentro do ambiente universitário,  que ainda comporta casos de assédio sexual, por exemplo, e que necessita de maior debate dentro das instituições. Para ela, existe um silenciamento da Academia. “É um tema que começa a ser discutido, mas ainda de maneira muito tímida.”