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Corte da Capes afeta 4 programas da UFRJ

Quatro programas da UFRJ serão prejudicados com o mais recente anúncio da Capes de extinguir 2,7 mil bolsas em todo o país. Segundo a pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PR-2), os cursos de Economia Política Internacional; História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (HCTE), Letras Clássicas e Educação Física vão perder ao menos 41 bolsas de mestrado e doutorado. Ainda não há um levantamento sobre os bloqueios nas bolsas de pós- -doutorado.

Os bloqueios atingem os cursos que receberam conceito 3 em duas avaliações consecutivas ou que foram avaliados com nota 4 e depois caíram para a 3. Quem já recebe as bolsas não será cortado, mas os benefícios serão suspensos após a saída dos alunos.

A pró-reitora Leila Rodrigues lamentou: “É claro que os cursos mais fortes e mais bem conceituados devem ser valorizados. Mas isso não quer dizer que os que passam por mais dificuldades devem ser punidos. Essa não é a função das avaliações”, disse. “A criação de um curso exige um grande esforço da comunidade científica. Não podem ser abandonados”, acrescentou.

O aumento das desigualdades regionais também foi pontuado pela pró-reitora. “É sabido que os programas localizados no Sul e Sudeste concentram os cursos com notas máximas. Mas a maior pontuação não implica necessariamente maior relevância social. Muitos programas de conceito 3 realizados no Norte e Nordeste são fundamentais para a região”, frisou. Para Leila, a redução do apoio aos bolsistas incentiva uma “reelitização” da pesquisa no país.

A professora Silvia Maria Agatti Lüdorf, coordenadora do programa de Educação Física, também criticou o bloqueio: “Nós já necessitamos de mais bolsas. Temos cerca de 100 alunos no programa. O corte, mesmo que seja de uma ou duas bolsas, já impacta”, disse. Segundo a PR-2, o curso vai perder cinco bolsas de mestrado. “É muito preocupante para nós. Nosso programa vem num momento de revitalização”, observou. A docente contou que o programa recebeu a visita de coordenadores de área da Capes, há cerca de um mês. “Fizeram um relatório muito favorável. mas a próxima nota só sai em 2021. Estamos exatamente no meio do quadriênio (da avaliação). Ao que tudo indica, nosso curso vai melhorar de nota. Mas, se o corte for confirmado, vai nos prejudicar”, completou.

Coordenador do HCTE, o professor Mércio Gomes reforçou o coro de insatisfação: “Esse corte é absurdo e injusto. A Capes sabe, pelas palavras de seu presidente, que a interdisciplinaridade é o caminho da universidade”, disse, em referência às características do programa. “Não abriremos mão de nossos propósitos e vamos lutar para retomar essas bolsas”, completou.

Das 2,7 mil bolsas extintas em todo o país, são 2.331 bolsas de mestrado, 335 de doutorado e 58 de pós-doutorado. O anúncio se soma a uma redução 3.474 bolsas de pesquisa, feita em maio.

A Associação Nacional de Pós -Graduandos divulgou nota: “Esse fato evidencia que o projeto do governo Bolsonaro e de seu ministro é o desmonte da Educação, do Sistema Nacional de Pós-Graduação, assim como o de Ciência e Tecnologia”, diz trecho. “Os cortes nas bolsas de estudos em programas com conceito 3 e 4 atingirão principalmente a pós-graduação nas regiões Nordeste e Norte do país”, cita outra parte.

MUDANÇA NO PRINT
As universidades foram comunicadas de que a vigência do Programa Institucional de Internacionalização (Print) passou de quatro para cinco anos. Os recursos, entretanto, não são alterados. O quinto ano passa a ser custeado por parcelas retiradas dos períodos anteriores.

A tesourada, na UFRJ, equivale à redução dos recursos para 2019: de R$ 12,48 milhões para R$ 8,73 milhões. A diferença, de cerca de R$ 3,74 milhões, segundo a Capes, passa para 2023. “O que temos, na verdade, é a suspensão dessa entrada. E uma promessa de que o dinheiro será devolvido daqui a cinco anos”, criticou Leila Rodrigues. (colaborou Kelvin Melo)