Painel do cartunista Ziraldo, que precisa ser restaurado, está no Canecão, uma das áreas que poderão ser exploradas dentro do contrato com o BNDES - Foto: Arquivo Adufrj

Kelvin Melo

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A assinatura do contrato entre a UFRJ e o BNDES para gestão do patrimônio da universidade foi o principal tema do último Consuni, dia 19. Conselheiros criticaram o fato de o acordo ter sido preparado durante mais de um ano sem ser discutido pela comunidade acadêmica. “Não sei o que poderíamos ter perdido se tivéssemos feito este debate aqui antes”, disse a estudante Thaís Zacharia.
Sara Granemann, da Escola de Serviço Social, criticou a opção pela consultoria do BNDES: “É acertado investir em assistência estudantil, um espaço cultural público e infraestrutura. Mas não é alvissareira a abertura mais explícita da relação da universidade com o mercado”, afirmou. “Só é admissível com muitas condicionalidades”, completou.
Um dos integrantes do grupo de trabalho que assessorou a reitoria na negociação com o banco, o professor Vicente Ferreira, do Instituto Coppead-UFRJ, explicou que qualquer vazamento de informação poderia comprometer a validade da licitação: “A melhor forma de a universidade aproveitar seus recursos é gerar o máximo de competição entre investidores. É importante que a divulgação das informações ao mercado se dê no mesmo instante”, completou.
O contrato tem como objetivo avaliar ativos imobiliários da UFRJ e preparar um modelo de exploração econômica dos espaços “O que estamos tratando é de uma consultoria. Ao contrário do que saiu em alguns meios de comunicação, não estamos decidindo nada sobre cessão de área A, B ou C”, afirmou o reitor Roberto Leher.
O aviso da licitação da consultoria foi divulgado no Diário Oficial da União, dia 16. A sessão pública para apresentação das propostas dos interessados será em 7 de agosto. Conforme informou o Boletim da Adufrj, os recursos provenientes de eventuais concessões deverão ser devolvidos à universidade em contrapartidas, como obras ou serviços de infraestrutura acadêmica e assistência estudantil.
Ericksson Almendra, professor da Coppe, disse que entendia a preferência pelas contrapartidas em vez de dinheiro — hoje, a verba das concessões feitas pela UFRJ é recolhida ao Tesouro Nacional e, se não houver autorização orçamentária do governo, não retorna para a universidade. Mas observou que a contrapartida em obras não favorece a gestão: “Teríamos mais flexibilidade se trocássemos por recursos financeiros”.
Questionado sobre a participação dos colegiados superiores nos desdobramentos da licitação, Leher respondeu: “Toda decisão será tomada por este conselho e pelo Conselho de Curadores”. Ele não disse quanto espera arrecadar com a iniciativa, mas deixou claro que acredita em um valor significativo: “Estes ativos valem muito”.

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