Foto: João Laet

Elisa Monteiro

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No que depender da comunidade acadêmica, a Ciência estará na agenda da eleição de 2018. A Academia Brasileira de Ciências lançou na quarta-feira, 9, um plano estratégico para o setor que será entregue aos candidatos à presidência, aos governos de estado e ao Congresso Nacional. “Não será por falta de propostas que o desenvolvimento científico será comprometido”, afirmou o presidente da ABC, Luiz Davidovich, professor do Instituto de Física da UFRJ.

Dois presidenciáveis já confirmaram a agenda. Manuela D’Ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (PSOL) farão reunião com cientistas nas próximas semanas.

O documento da ABC foi apresentado em coletiva de imprensa no Museu do Amanhã. Ele traz onze pontos prioritários para recuperação do setor. Entre eles estão a recomposição orçamentária e o resgate de um ministério dedicado exclusivamente ao tema. “Precisamos de um plano de Estado que resista a governos”, defendeu Davidovich.

É a quarta vez que Academia Brasileira de Ciências força a entrada da pauta na agenda eleitoral nacional. Para os cientistas, o melhor horizonte para o Brasil do século XXI é uma bioeconomia – uma economia sustentável baseada na diversidade nacional.

Segundo o vice-presidente da ABC, João Fernando Gomes de Oliveira, a receptividade dos candidatos à plataforma “em geral é positiva, embora pouco seja levado à frente”. “A ideia é criar uma responsabilidade maior”, afirmou. Faz parte da estratégia ainda buscar influenciar ainda as eleições estaduais. “Tanto pela relevância das agências de fomento dos estados, quanto pela relevância das pesquisas para redução das desigualdades regionais”, justificou Jailson Bittencourt, do Conselho Fiscal da ABC.

A recuperação econômica é usada pelos acadêmicos como argumento a favor do investimento no setor. “No mundo atual, não é possível deitar em berço esplêndido”, advertiu João Fernando Gomes de Oliveira. “Cada vez mais, é fundamental agregar valor para o desenvolvimento tecnológico, social e ambiental”, afirmou. Um exemplo citado foi a produção de carne a partir da multiplicação de células animais no lugar da tradicional pecuária: “Menos poluição e mais independência é o que se busca”.

O presidente da ABC destacou que entre os mais afetados pelos cortes dos últimos anos estão os laboratórios experimentais, “que dependem de recursos para a compra de insumos e manutenção de equipamentos, muitas vezes importados”. A maioria deles instalada nas universidades federais. Para ele, está perto do fim a gordura acumulada pelas instituições em anos anteriores. “E, se for mantido o plano de congelamento dos investimentos por vinte anos, será um tiro no pé para o país”, avaliou.

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