UNIDOS PELA CIÊNCIA: Watanabe, Mercadante, Raupp, Amaral, Clelio Campolina, Leher e Pansera - Foto: divulgação Coppe

Ana Paula Grabois

anapaula@adufrj.org.br

A Coppe sediou o lançamento do manifesto “CT&I em Estado de Alerta”, assinado por dez ex-ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, no dia 1º de julho. “Se não salvarmos o ensino, a pesquisa, o investimento em ciência e em tecnologia, este país estará definitivamente condenado ao atraso. Estamos ameaçados de perder a revolução tecnológica”, disse Roberto Amaral, titular da pasta entre 2003 e 2004.
Além de Amaral, subscrevem o documento contra a atual política do governo Jair Bolsonaro os ex-ministros Aloizio Mercadante, Celso Pansera, Clélio Campolina, Marco Antonio Raupp, Aldo Rebelo, José Goldenberg, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Ronaldo Sardenberg e Sérgio Machado Rezende.
No manifesto, afirmam que os cortes de orçamento na área e na educação “poderão levar a um retrocesso sem paralelo na história da Ciência brasileira, área essencial e crítica, tanto ao desenvolvimento econômico e social quanto à soberania nacional”. E em outro trecho: “Não podemos concordar com as recorrentes manifestações por parte de autoridades do governo que negam evidências científicas na definição de políticas públicas”.
O ex-ministro Mercadante anunciou a criação do Fórum Estratégico de Acompanhamento de Ciência, Tecnologia e Inovação com os dez ex-titulares da pasta. O fórum será abrigado na Coppe de forma permanente em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) para articular outras iniciativas em defesa da área. “Vamos continuar alertando sobre esse tema”, completou.
Já Clélio Campolina ressaltou que enquanto o mundo vive uma corrida científica e tecnológica “sem precedentes”, o Brasil está retrocedendo ao realizar cortes de orçamento e de investimento na educação e na ciência. Ele fez críticas às “visões míopes” sobre as Ciências Sociais e Humanas. “As Humanidades têm que discutir como fazer e o que fazer com a Ciência e a Tecnologia para um projeto de desenvolvimento mais inclusivo, com sustentabilidade ambiental e um compromisso com o futuro”, disse, acrescentando que o manifesto não é partidário. “É uma luta de todo o conjunto da sociedade.”
Marco Antonio Raupp lembrou que o ministério já contou com orçamentos que giravam em torno de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões ao ano. “Hoje é de R$ 2,9 bilhões, um terço. Isso serve para destruir, a situação é grave.”
O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, alertou para a fuga de cérebros das universidades diante da crise do setor. “O governo não tem uma agenda nacional de desenvolvimento”, criticou.
Também estavam presentes ao lançamento do documento o vice-reitor da UFRJ, Carlos Frederico Leão Rocha; o então reitor da UFRJ, Roberto Leher; o diretor da Coppe, Edson Watanabe, e o diretor de relações institucionais da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, entre diversos cientistas.