Meninas participam de experimento científico na UFRJ - Foto: Fernando Souza

Kathlen Barbosa

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Ser  cientista não é “coisa de menina”. Meninos é  que são bons em matemática. Repetidas frequentemente, frases assim ajudam a construir o estereótipo que afasta meninas e mulheres do campo científico. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) revelam que apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. Para reduzir essa diferença, a Unesco criou em 2015 o ‘Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência’, celebrado em 11 de fevereiro.

Segundo o relatório “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM)”, o interesse de meninos e meninas pelas ciências é praticamente o mesmo  na infância. É na adolescência que elas começam a se desligar de temas ligados à matemática e às demais ciências.

O relatório destaca que professoras das áreas de ciência, matemática, tecnologia e engenharia influenciam positivamente no desempenho e envolvimento das alunas. Por outro lado, a aprendizagem é comprometida quando docentes questionam as habilidades a partir de estereótipos ou crenças machistas.

Segundo a professora Tatiana Rappoport, do Instituto de Física da UFRJ, o afastamento da mulher do campo científico se inicia cedo. “Meninas são criadas para cuidar da casa e da família e isso faz com que, ao longo dos anos,  se interessem menos por matemática e ciências”, afirmou.

Para a professora Viviane Gomes, do Instituto de Química, esse padrão educacional parte da família e da escola. A  professora Débora Foguel, do Instituto de Bioquímica Médica, elogia a iniciativa da Unesco. “É importante termos um dia para falarmos sobre e darmos mais visibilidade a esse tema”, disse.

Segundo as pesquisadoras, políticas públicas e privadas implementadas nesse contexto são incipientes. “As ações são pontuais. Precisamos de mudanças no olhar que a família e a sociedade têm para com as meninas”, ressaltou Viviane. Tatiana, ganhadora do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, em 2007, oferecido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), concorda que o ensino deve ser mais inclusivo. “A ciência deve ser ensinada pensando na diminuição dessas diferenças”.

Na UFRJ, projetos de extensão voltados para mulheres e ciência buscam incentivar alunas de escolas públicas do Rio de Janeiro a ingressarem nas áreas científicas e tecnológicas. “Queremos fomentar o interesse delas para que se sintam aptas a trabalhar nessas áreas”, explicou Viviane, coordenadora do projeto ‘Meninas na Química’. “A parte mais importante é poder apresentar possibilidades que não fazem parte do cotidiano delas”, reforçou Tatiana, co-criadora do projeto ‘Tem Menina no Circuito’.