Roberto Bartholo e João Felippe Cury - Foto: Fernando Souza

Kelvin Melo

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Uma administração que terá como “prioridade zero” o gerenciamento de riscos. Foi desta forma que os candidatos à reitoria pela “Minerva 2.0” (chapa 20) se apresentaram à comunidade da Coppe, no último dia 26. A unidade tem promovido encontros separados com as candidaturas: na véspera, a “A UFRJ vai ser diferente” (chapa 10) foi a primeira a apresentar suas propostas; na quinta-feira, será a vez da “Unidade e Diversidade pela Universidade Pública e Gratuita” (chapa 40).

“Não tenho a menor intenção de vir a ser o próximo reitor de uma tragédia anunciada. Não é risco zero, mas conseguir trabalhar com risco minimizado”, afirmou o professor Roberto Bartholo, que é da própria Coppe. De acordo com ele, as recentes tragédias da universidade, como o incêndio do Museu Nacional, estão vinculados a um “nó”. Um dos fios do entrelaçamento seria o orçamento insuficiente: “Não somente por não atender à universidade que desejamos, mas também inviável para nossas necessidades”, disse, acrescentando o obstáculo do teto de gastos públicos. O outro fio seria o da gestão.

A partir deste diagnóstico, o candidato passou a citar exemplos de inovações institucionais que poderiam nortear a universidade em busca de soluções para seus problemas. “Um caso exitoso é o Parque Tecnológico. Podemos retirar ensinamentos dali. Para termos, na UFRJ, um parque artístico, um parque esportivo, por exemplo. Mas não tenho aqui uma fórmula pronta no bolso do colete de como seria essa configuração”.

Bartholo também considera que os egressos da universidade “são um verdadeiro tesouro” e sugeriu o aproveitamento de uma rede dos ex-alunos em favor da UFRJ: “Sei que é outra economia, outra cultura, mas as universidades americanas são exemplares (neste aspecto)”

O professor prometeu reabrir a discussão em torno da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, empresa pública criada para gerenciar os hospitais universitários: “Existe uma discussão nesta universidade que acabou no limbo. A UFRJ é a única universidade de grande porte fora (da Ebserh). A questão foi retirada de pauta e nunca mais voltou”. Bartholo entende que o tema precisa voltar a ser discutido para que a universidade tome uma posição.

Candidato a vice, João Felippe Cury observou que a universidade precisa melhorar sua imagem junto à sociedade. “Não temos que ficar contra a imprensa. Temos de mostrar uma agenda positiva”, disse. Segundo ele, o nome da chapa (Minerva 2.0) junta a tradição e reputação da UFRJ com o 2.0, que significaria um “upgrade da gestão”: “A gente não promete nada, mas a gente se compromete com valores, com princípios. Defendemos a universidade pública, gratuita e de qualidade,mas também eficiente, transparente e ética”, completou.

Boa impressão na plateia

O professor Antonio MacDowell Figueiredo, do Programa de Engenharia Mecânica da Coppe, considera que a candidatura do professor Bartholo apresenta “um olhar diferente” sobre a universidade: “Traz algo muito sincero e muito aberto na busca de soluções mediante o diálogo, mediante a discussão. Agora, uma discussão que tenha fim. Como ele falou em relação a esse limbo (da Ebserh)”.

Aluna do Programa de Engenharia de Produção da Coppe, Raquel Faraco considerou “interessante” a proposta com foco em gestão e inovação: “É uma questão importante, porque, queira ou não queira, você está trabalhando com recursos limitados”. Raquel ainda não decidiu o voto: “Estou escolhendo, mas gostei muito da proposta”, concluiu.