Foto: Fernando Souza

Silvana Sá

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A Coppe iniciou na segunda-feira, 25, uma série de encontros com os candidatos à reitoria. Os professores Denise Pires de Carvalho e  Carlos Frederico Leão Rocha, da Chapa 10, “A UFRJ vai ser diferente” foram os primeiros convidados. Ao longo de duas horas, eles apresentaram propostas sobre ensino, pesquisa, extensão, gestão, ciência, tecnologia e inovação.

Denise Pires manifestou preocupação com os altos índices de evasão e retenção em algumas áreas da graduação. O que, de acordo com ela, também impacta na qualidade e na formação de futuros pesquisadores. “Precisamos de políticas para lidar com essa questão e resolver o problema. Se temos altos índices de evasão e retenção na graduação, isto traz consequências também à pós-graduação e à pesquisa”.

Outro ponto defendido pela candidata foi a necessidade de a UFRJ se articular de maneira organizada e institucionalizada com empresas para desenvolver inovação. E citou o campus da universidade em Duque de Caxias como um local promissor na área de inovação – lá existe a graduação em Nanotecnologia, por exemplo. “Na Baixada Fluminense, há muitas indústrias com foco em inovação e que são potenciais parceiras do nosso campus em Santa Cruz da Serra”.

Vice na chapa, o professor Carlos Frederico Leão Rocha criticou a atual reitoria da UFRJ. “Temos consciência de que os cortes no orçamento da universidade foram profundos. No entanto, há um problema de gestão que atrapalha os projetos da universidade”, afirmou.

Ele defendeu que a instituição aprove internamente um marco legal de Ciência e Tecnologia. “Essa é uma das prioridades e para isso precisamos da Coppe, que tem experiência e conhecimento sobre o tema”. Outro destaque feito pelo professor foi quanto à normatização das fundações “para dar maior segurança jurídica à FUJB e à Coppetec”. Também elencou na lista de prioridades a redução da burocracia na tramitação de projetos de pesquisa propostos na universidade. “A pauta do Conselho Universitário não será esvaziada, como nos últimos quatro anos. Faremos planejamento e discutiremos os grandes temas sobre os quais precisamos nos debruçar. Estes são alguns deles”.

Depois da rodada geral de apresentação, os docentes responderam a algumas perguntas da plateia. Uma delas foi sobre a comunicação da universidade para divulgação científica. Carlos Frederico afirmou que, caso eleitos, realizarão uma “mudança radical” no Fórum de Ciência e Cultura. “Ele foi criado para atuar neste quesito: divulgar ações de ciência e cultura da universidade. O Fórum não pode ter pauta própria. É preciso uma mudança radical nas ações do Fórum”, afirmou.

Outra pergunta disse respeito ao funcionamento das bibliotecas para os cursos noturnos. Denise Pires disse que a proposta da chapa é estender o funcionamento das bibliotecas e salas de estudo até 22h.

Foram apresentadas propostas também de apoio e treinamento para jovens professores. Uma das políticas é a criação de um escritório de gestão de projetos, que seria criado no âmbito da PR-3, para orientar e apoiar os novos docentes no gerenciamento de projetos de pesquisa. Incentivar a inserção desses jovens professores em cursos de pós-graduação também está nos planos.

Canecão

O Canecão também foi assunto do debate. Para a professora, a antiga casa de shows “é o cartão-postal da ineficiência administrativa” da UFRJ. “O Canecão é nosso é só uma frase de efeito, mas é preciso saber: é nosso para quê?”, questionou. Carlos Frederico informou que as três candidaturas estiveram reunidas com o atual reitor, professor Roberto Leher, que apresentou o projeto em desenvolvimento junto ao BNDES para exploração dos ativos imobiliários da universidade. “O Canecão não é mais nosso. Aquela área vai ser cedida por 50 anos. A contrapartida exigida é que seja uma casa de espetáculos. O reitor informou que não será privada, mas eu não conheço o projeto nos detalhes, portanto não posso afirmar”.

O docente se disse envergonhado com a maneira com a qual a universidade conduziu a questão. “Eu me envergonho pela maneira como tratamos aquele espaço, assim como me envergonha a maneira como nós tratamos o hospital universitário”, finalizou.

Próximos encontros

Nesta terça-feira, dia 26, será a vez de os professores Roberto Bartholo e João Felippe Cury serem sabatinados na Coppe. O debate está marcado para 11h30. Na quinta-feira (28), a unidade recebe os professores Oscar Rosa Mattos e Maria Fernanda Quintela, também às 11h30. Os encontros com os candidatos são realizados no auditório do CT 2, no Fundão.