Kelvin Melo

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O Clube de Engenharia recebeu, na noite de segunda-feira (11), um ato de desagravo ao ex-reitor Carlos Levi e mais quatro ex-dirigentes da UFRJ. Pouco antes do carnaval, os cinco foram condenados em sentença da Justiça Federal por supostas irregularidades na gestão de um convênio entre a universidade e o Banco do Brasil, no período entre 2005 e 2011. As principais acusações tratam de repasses à Fundação Universitária José Bonifácio, que administrou o contrato naquele período. Cabe recurso à decisão.

O encontro começou com os esclarecimentos de Carlos Levi aos colegas engenheiros e da comunidade acadêmica, que lotaram o auditório. O professor apontou incoerências da sentença, como considerar ilegal o pagamento da taxa de administração do contrato. E se emocionou com o apoio recebido: “A única coisa concreta que nos faz ir adiante é a manifestação dos colegas. Funciona como um bálsamos para curar essas feridas”, disse.

Fernando Peregrino, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Universidades (Confies), criticou o desconhecimento da juíza em relação ao trabalho universitário: “As fundações foram criadas por movimento da comunidade científica, que reclamava da excessiva burocratização da pesquisa. Nós apoiamos 132 universidades e institutos de pesquisa”, afirmou. Para Peregrino, a sentença criminaliza a gestão de todos os projetos de pesquisa administrados pelas 94 fundações.

O reitor Roberto Leher reforçou o descontentamento com a decisão da Justiça Federal: “Este ato é de solidariedade aos cinco servidores públicos que estão sendo caluniados com a sentença. Mas, sobretudo, é um ato que defende a existência de universidades públicas capazes de realizarem suas funções públicas”, disse. “Uma instituição universitária precisa ter autonomia de gestão. E as fundações são um suporte para esta autonomia”, completou.

A atividade foi prestigiada por diversos docentes da UFRJ, como os ex-reitores Nelson Maculan e Paulo Alcântara Gomes e a presidente da Adufrj, Maria Lúcia Werneck.