UFRJ perdeu 65 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doc

Redação Adufrj

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O governo Bolsonaro cortou 3.474 bolsas de mestrado e de doutorado em todo o país. A medida ameaça gravemente o futuro da pós-graduação. Só na UFRJ, 55 bolsas de doutorandos e mestrandos da Capes foram recolhidas. Outras 10 bolsas do Programa Nacional de Pós-doutorado (PNPD) foram retiradas da universidade. “É um cenário devastador”, avalia a pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa, Leila Rodrigues, em entrevista ao O Globo.

UFRJ perdeu 65 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doc

Leila acredita que o corte pode ser ainda maior, uma vez que a universidade ainda está fazendo o balanço dos impactos na pós-graduação.
No comunicado da Capes enviado às pró-reitorias das universidades, cinco projetos foram mais prejudicados: Programa de Demanda Social (DS), Programa de Excelência Acadêmica (PROEX), Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições Comunitárias de Ensino Superior (PROSUC), Programa de Suporte à Pós-Graduação de Instituições de Ensino Particulares (PROSUP) e Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD/CAPES).
Ainda de acordo com o comunicado, a justificativa de recolher as bolsas visa garantir o pagamento aos bolsistas ativos.
A medida foi recebida com bastante surpresa pela comunidade acadêmica. Pesquisadores avaliam que o trabalho de toda uma vida pode ser destruído, se os cortes forem mantidos. Em reunião do Conselho de Ensino Para Graduados, nesta sexta-feira (10), professores choraram ao falarem das possíveis perdas de seus projetos.
Para Leila Rodrigues, o prejuízo é imensurável. “Reduzir o número de bolsas é reduzir o número de pesquisadores no país. É um desmonte de décadas de construção de um sistema sofisticado e de excelência”, lamenta a pró-reitora.
No mês passado, o presidente da Capes, Anderson Ribeiro Correia, se reuniu com coordenadores de pós-graduação da UFRJ. Na ocasião, ele reconheceu a excelência acadêmica da universidade e prometeu não cortar bolsas. “Queremos aumentar o número de bolsistas e o faremos assim que tivermos mais recursos”, disse.
Ao contrário do que defendeu no encontro, Correia, além de suspender as bolsas, também anunciou a redução gradativa de concessão de novas bolsas para programas de nível 3.
A Associação Nacional de Pós-Graduandos lançou nota contra a medida. No documento, a organização afirma que a ação “fere de morte o ensino superior, a pós-graduação e a ciência nacional”. Segundo a nota, os cortes acabam com a“possibilidade de retomada do desenvolvimento brasileiro e de futuro”.

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