Foto: Elisa Monteiro

Silvana Sá

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A Assembleia Legislativa do Rio aprovou, dia 4, o destombamento da antiga casa de shows Canecão. A UFRJ necessitava da decisão para fazer modificações na área, que foi retomada pela universidade em 2010 após longo processo de reintegração de posse. O texto da Alerj ainda depende da sanção do governador Wilson Witzel para se tornar lei.

O projeto de lei, assinado pelos deputados André Ceciliano (PT) e Rodrigo Amorim (PSL), reverteu o tombamento de 1999 e não teve nenhum voto contrário. Mas eles divergem sobre a forma de utilização do espaço. Ceciliano defende que o terreno permaneça com a UFRJ; Amorim quer transferir a posse para o estado. Para a universidade, o destombamento foi o primeiro passo
para a concessão do Canecão à iniciativa privada. O local faz parte do projeto de utilização de ativos patrimoniais da universidade, uma parceria com o BNDES. O consórcio prevê contrapartidas de investimento, como construção de alojamentos e laboratórios.

Nadine Borges, coordenadora executiva do projeto do BNDES, comemorou o resultado da sessão: “O destombamento foi um passo importante para viabilizar o projeto, pois tirou uma restrição indevida – dado que o prédio não tinha o valor arquitetônico que justificasse o seu tombamento”, disse. Ela completou: “Teremos ali um equipamento cultural multiuso para 1,5 mil pessoas com a governança da UFRJ, que poderá compartilhar a gestão com um ente privado, em uma decisão que caberá ao Conselho Universitário”.

A reitora nomeada da UFRJ, professora Denise Pires de Carvalho, também acompanha o tema. Denise acredita que a apresentação do que será feito especialmente com o Canecão deva ser realizada até o final deste ano. “E nós vamos mudar o que a comunidade acadêmica entender que deva ser mudado. Não tomaremos decisões sem aval de toda a universidade. Não tem nenhuma chance de eu assinar concessão de patrimônio sem que a comunidade concorde com o que está sendo feito”, disse. (colaborou Elisa Monteiro)