Redação Adufrj

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Elisa Monteiro, Silvana Sá e Ana Paula Grabois

A disputa para a reitoria entra na segunda semana de campanha e o Boletim da Adufrj prossegue na série de entrevistas com os candidatos. Agora o tema é obras e infraestrutura, um dos que mais preocupam a comunidade acadêmica. As mesmas perguntas foram enviadas por e-mail e a ordem das respostas segue a da inscrição das chapas.

O futuro reitor vai enfrentar grandes desafios. Segundo a Reitoria, de todos os prédios em construção, apenas o Instituto de Física deve ser concluído até o fim deste ano. As demais obras estão paradas desde 2015. Há ainda os prédios tombados, atingidos por incêndios e carentes de manutenção elétrica em vários campi.

Para Roberto Bartholo, candidato pela chapa 20, as obras paralisadas devem ser avaliadas “caso a caso”. O docente critica o uso de contêineres. “As pessoas estão traumatizadas após a tragédia no Flamengo. É precário”.

Para Carlos Frederico Leão Rocha, vice da chapa 10, a prioridade é recuperar os prédios da Arquitetura, da Belas Artes e do Museu Nacional, “um projeto de uma nação”. Ele também é contra o uso de contêineres. “A UFRJ não será uma universidade de lata.”

Oscar Rosa Mattos, da chapa 40, diz que a meta é investir na conclusão das obras, seguir com as reformas estruturais, ampliar emergencialmente instalações e reabrir o debate sobre o Plano Diretor. “A situação mais complexa, dada sua extensão, é a do CCS. Ali são necessárias mudanças muito estruturais e profundas.”

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As propostas da Chapa 20:

Roberto Bartholo – Coppe

João Felippe Cury – Instituto de Economia

O que fará com as obras paralisadas de novos prédios, como os da Física, da Matemática, do Complexo do CCJE e Residência Estudantil ao lado do CCMN? É necessário avaliar caso a caso do ponto de vista técnico, econômico e jurídico. Algumas estruturas estão deterioradas. É necessário ter laudos de cada situação. Só é responsável da nossa parte propor soluções tendo os laudos.
Como recuperar os prédios em situação precária, como o da Reitoria e do CCS? Temos dois problemas entrelaçados: gestão e orçamento. É preciso desatar esse nó. Para isso existem tecnologias como BIM, normas técnicas para gestão de ativos e dispomos de profissionais qualificados. Podemos superar procedimentos e tecnologias ultrapassadas para manutenção da infraestrutura em geral. E não basta apenas pleitear um orçamento maior. É preciso fazer o nosso dever de casa e melhorar a qualidade da gestão.
Em relação aos prédios históricos, qual será a estratégia? Os prédios históricos são parte da nossa herança histórico-cultural e abrigam nossas unidades. Nossos problemas de gestão e orçamento são tão graves que estamos perdendo nas duas frentes. A gestão predial precisa ser profissionalizada. Mas isso não basta: o patrimônio histórico está sendo perdido, e não é só o Museu Nacional, a Capela e a Reitoria, que geraram justa comoção. Museus e bibliotecas de obras raras também estão sob risco, esquecidos e abandonados. Queremos integrar esse patrimônio histórico e cultural, material e imaterial, no circuito da vida cultural. É necessário estabelecer parcerias extra-universitárias, com valorização e visitação da população.
A UFRJ investiu nos últimos anos em módulos de contêineres. Pretende seguir essa política? Os módulos na PV viraram um “provisório permanente”. Hoje as pessoas estão traumatizadas após a tragédia dos contêineres do Flamengo. É evidentemente precário e indesejável manter essa estrutura para abrigar atividades universitárias. Mais ainda se estão ao lado de salas de aula com ar-condicionado fechadas e vazias. Criar novos espaços pode depender de orçamento, mas gerir melhor os espaços existentes depende de nós mesmos, de nossa capacidade de gestão.
Quais os planos para o crônico problema de telefonia e de redes da universidade? Respondo com dois exemplos. O primeiro: o projeto fone@RNP foi criado pelo IM junto com o NCE. Ele tem gerado para um amplo conjunto de instituições economias de, em média, 28% na conta de telefone. Mas a UFRJ não o utiliza. O segundo: hoje temos grupos que precisam gerenciar sua própria rede WiFi. E todos os demais não podem usá-las. Podemos utilizar uma rede geral como a Eduroam para resolver esse problema.

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As propostas da Chapa 10:

Denise Pires de Carvalho – Instituto de Biofísica

Carlos Frederico Leão Rocha – Instituto de Economia

O que fará com as obras paralisadas de novos prédios, como os da Física, da Matemática, do Complexo do CCJE e da Residência Estudantil ao lado do CCMN ? A situação é bastante heterogênea. O prédio da Física necessita de intervenções pontuais e pode ser entregue logo se priorizado.A Residência Estudantil é uma obra grande, precisa de importantes revisões técnicas e pode, inclusive, estar comprometida tecnicamente. Vamos priorizar reformar o alojamento estudantil já existente. Sempre priorizaremos os casos de conclusão mais próxima.
Como recuperar os prédios em situação precária, como o prédio da reitoria e do CCS? O prédio da FAU e da EBA é prioridade absoluta. Há questões emergenciais, como o cabeamento elétrico e que poderão ser atendidas com o orçamento de investimento da universidade. Nossa preocupação é disponibilizar um ambiente seguro. O CCS também é um caso grave. As últimas chuvas revelaram abandono pela atual Reitoria e pela Decania. É necessário limpar as galerias do CCS, iniciativa de custo baixo, mas não realizada nas últimas gestões.
Em relação aos prédios históricos, qual será a estratégia? Em primeiro lugar, é necessário recuperar o Museu Nacional, dar segurança e manter o esforço de obtenção de recursos feito pela atual Direção e Reitoria. Trata-se do projeto de uma nação. Outros prédios históricos precisam de manutenção, como o Palácio Universitário, a FND e o IFCS. O Palácio necessita de cabeamento, refrigeração e brigada de incêndio. Isso sem falar na acessibilidade. A UFRJ não tem dado relevância à acessibilidade. Em todo o Palácio, há apenas uma rampa. Um cadeirante pode ter de percorrer quase 1km até chegar a seu destino. Os elevadores não possibilitam cadeira de rodas. São muitos problemas. Nossa prioridade será sempre a segurança e boas condições de trabalho.
A UFRJ investiu nos últimos anos em módulos de contêineres. Pretende seguir essa política? Somos contra a política de módulos. Ela é fruto de uma gestão sem planejamento. A sua substituição imediata não será possível dada a escassez de recursos, mas não pretendemos realizar novos investimentos em módulos. A UFRJ não será uma universidade de lata.
Quais os planos para o crônico problema de telefonia e de redes da universidade? É fundamental melhorar a gestão da universidade em diferentes frentes e a TIC é uma delas. Recentemente, a COPPE tomou a iniciativa de implantar o Eduroam em suas dependências e a estenderemos a todas as unidades da UFRJ. Isso não resolve os problemas de telefonia, mas auxilia bastante na resolução em alguns dos problemas de comunicação. É necessário realizar investimentos que permitam a cobertura de rede de wifi em todas as nossas dependências. Precisamos também de um portal mais robusto e que reúna informações de toda a universidade com transparência e qualidade.

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As propostas da Chapa  40

Oscar Rosa Mattos – Coppe

Maria Fernanda Quintela – Instituto de Biologia

O que fará com as obras paralisadas de novos prédios, como os da Física, da Matemática, do Complexo do CCJE e Residência Estudantil ao lado do CCMN ? O prédio da Física foi iniciado com recursos da Finep e as obras estão hoje praticamente concluídas. Na Matemática, o orçamento de 2019 prevê recursos para atualizar o projeto executivo da conclusão da edificação. O Complexo do CCJE também está entre as prioridades de contrapartida do projeto do BNDES. No caso da Residência Estudantil, trata-se de projeto de padrão bastante elevado, que envolve soma muito significativa de recursos. Em virtude da estagnação dos recursos orçamentários para capital em 2019, esta edificação poderá ser concluída com a entrada em vigência do Projeto BNDES.
Como recuperar os prédios em situação precária, como o prédio da reitoria e do CCS? A situação mais complexa e de maior amplitude é a do CCS. É necessário deslocar todos os laboratórios que exigem níveis de segurança mais elevados, por trabalharem com microrganismos ou insumos perigosos, por exemplo. O projeto do BNDES prevê como uma de suas contrapartidas a construção desses laboratórios. No caso do prédio da Reitoria, está em curso um programa de melhorias de infraestrutura, sobretudo na área de energia e o reforço do oitavo andar, atingido pelo incêndio.
Em relação aos prédios históricos, qual será a estratégia? Nossa agenda básica para enfrentar o problema segue quatro frentes: (1) seguir atuando via ANDIFES e parlamento federal por uma linha no orçamento da União que preveja recursos compatíveis para reforma e manutenção de edificações tombadas; (2) destinar recursos orçamentários próprios; (3) buscar emendas parlamentares junto à bancada federal do Rio de Janeiro; (4) captar recursos por meio de leis de incentivo. Isso não significa descartar outras iniciativas que devem ser estudadas, como, futuramente, os fundos patrimoniais.
A UFRJ investiu nos últimos anos em módulos de contêineres. Pretende seguir essa política? A construção modular torna-se uma alternativa realista em um contexto em que inexistem recursos de capital factíveis para resolver gargalos emergenciais para soluções de curto prazo. A meta estratégica será investir na conclusão das obras em curso, seguir com as reformas estruturais, ampliar emergencialmente instalações e reabrir o debate sobre o Plano Diretor.
Quais os planos para o crônico problema de telefonia e de redes da universidade? A infraestrutura de comunicação da UFRJ está aquém das suas necessidades. Existem fragilidades que decorrem da RedeRio. É necessário fortalecer espaços de armazenamentos de informações e de backup de modo mais seguro. Além disso, seguir ampliando rede wireless também é importante, assim como viabilizar a integração dos sistemas já existentes.

QUESTÃO DA DIRETORIA: A ADUFRJ RECEBE MUITAS RECLAMAÇÕES EM RELAÇÃO À FALTA DE SALAS PARA OS DOCENTES. COMO PRETENDEM TRATAR DO TEMA ?

Chapa 20:

Roberto Bartholo – Coppe

João Felippe Cury – Instituto de Economia

Somos uma universidade multicampi e muito diversa. Macaé, Caxias, Fundão, Praia Vermelha e Centro são realidades diferentes. A distribuição de atividades pelo espaço físico é atribuição das unidades. Mas testemunhar as condições das salas em Macaé, em Caxias, da EBA e da FAU é motivo de tristeza. Propomos criar um sistema parecido com o da COTAV para estabelecer priorizações para implantação e recuperação de infraestrutura e alocação de pessoal técnico-administrativo.

Chapa 10:

Denise Pires de Carvalho – Instituto de Biofísica

Carlos Frederico Leão Rocha – Instituto de Economia

A UFRJ talvez tenha sido a universidade que pior utilizou os recursos do Reuni. Precisamos ter cuidado, com planejamento e priorização, para não mais desperdiçar recursos. Precisamos elencar prioridades e elaborar os projetos executivos mais importantes para que, quando surjam os recursos, possamos fazer os investimentos necessários. A expansão dependerá de mudanças de condições na captação de recursos próprios e na ação governamental quanto às universidades.

Chapa  40

Oscar Rosa Mattos – Coppe

Maria Fernanda Quintela – Instituto de Biologia

As condições de trabalho dos docentes está relacionada aos prédios com atividades interrompidas, à recuperação da infraestrutura das edificações e à expansão da UFRJ. É preciso concluir algumas estruturas, como o Novo ICB Fronteiras. São medidas concretas que resultam em melhores condições de trabalho. Pode ser necessário recorrer a estruturas modulares. A pressão para a melhoria das instalações por parte da comunidade é muito bem vinda pois é um gesto de apreço à dedicação exclusiva.