Fernanda da Escóssia

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Quando escreve artigos acadêmicos, a professora Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, deixa o laptop na cozinha. “Mexo a panela e escrevo uma frase, mexo de novo e escrevo mais duas”, brinca Tatiana, diretora da Adufrj e coordenadora de uma inovadora pesquisa sobre regeneração nervosa.

O computador na cozinha de Tatiana, mãe de dois adolescentes, é a metáfora do cotidiano da mulher cientista para tentar equilibrar pesquisa, produção acadêmica e vida familiar. Na sala de aula, Tatiana discute com  alunas não só questões científicas, mas a sobrecarga de tarefas. “Não há fórmula. Temos de olhar de maneira  individual”, avalia.

Não à toa, só 28% das pesquisadoras do mundo são mulheres, diz a Unesco. São elas, as cientistas, o tema da nova campanha da Adufrj.  A moça de rosa, símbolo da campanha contra a violência criada em 2018 pelo sindicato, está de volta com jaleco, óculos e novo slogan: “Sem Mulher a Ciência fica pela Metade”. Mais uma vez, a campanha tem a assinatura do designer André Hippertt.

O material inclui adesivos, ventarolas, camisetas e, claro, jalecos de cientista. A campanha começa no Carnaval e se estende pelos atos do 8M, Dia Internacional da Mulher.   No dia 14, será tempo de lembrar um ano dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, crimes nunca esclarecidos. A Adufrj participa de todos os atos.

Em 22 de março, após um debate entre pesquisadoras,  a Adufrj convida para o Duelo de Cuícas, com duas musicistas, uma delas Sara Cohen, professora da Escola de Música. Haverá também show do grupo Samba Que Elas Querem, de mulheres sambistas.

“A Adufrj se engaja no esforço mundial de inclusão de mulheres na ciência”, afirma professora Ligia Bahia, vice-presidente do sindicato. Ligia destaca a questão das bolsas de produtividade, que exigem publicar grande número de artigos. “Para a pesquisadora grávida ou com filhos pequenos, é justo cobrar a mesma produtividade? Claro que não”, afirma. Geração após geração, o desafio  feminino de administrar trabalho científico e vida pessoal está longe do fim.