Kelvin Melo

kelvin@adufrj.org.br

Oito anos após o fechamento do Canecão, avança a negociação da UFRJ com o BNDES para permitir à universidade construir um novo centro cultural no local onde funcionava a antiga casa de espetáculos.

Diante da pressão da opinião pública e dos órgãos de controle pela reabertura do espaço, foi firmado um contrato com o BNDES para avaliar os ativos imobiliários da universidade. Professores também participam da comissão.

Em troca do direito de uso sobre dez terrenos da UFRJ – 8 na Cidade Universitária, 1 no Centro e 1 na Praia Vermelha, somando 429 mil m² –, as empresas vão realizar obras de infraestrutura na universidade. Entre elas, bandejões, alojamentos, terminar construções e um centro cultural onde ficava o Canecão. Foi justamente a cobrança por uma solução para o prédio do velho Canecão que conduziu ao atual modelo.

“É uma dívida com a sociedade. Até na feira me perguntam pelo Canecão”, já disse o reitor Roberto Leher em um Consuni. A “troca” com as empresas será direta, sem dinheiro envolvido. Foi a forma encontrada pela UFRJ para evitar “confiscos” nas receitas próprias da universidade, decorrentes de aluguéis, entre outras fontes. Hoje, se o governo não autoriza os gastos, o dinheiro fica no Tesouro Nacional.

A reitoria prevê para janeiro as primeiras conversas com os representantes da consultoria escolhida pelo BNDES: um consórcio liderado pelo banco de investimentos paulista Fator.

No último dia 3, na Praia Vermelha, a reitoria solicitou à comunidade acadêmica que debata prioridades de infraestrutura: “Temos de mergulhar nisso. As expectativas serão calibradas pela realidade. Mas precisam estar definidas e pactuadas”, disse Leher.