Silvana Sá

silvana@adufrj.org.br

Professores articulam reuniões de unidade até 12 de novembro. Nova assembleia está prevista para o dia 13, na Praia Vermelha

Unidade e organização: essas são as palavras que resumem a assembleia de professores realizada neste dia 31. Os docentes avaliaram que é preciso construir uma ampla frente em defesa da democracia para resistir aos ataques em curso contra as universidades e os trabalhadores. “Temos de dar conta de muitos desafios daqui por diante. Para isso, é necessário dialogar com nossos colegas e ampliar o alcance de nossas ações”, defendeu a presidente da Adufrj, Maria Lúcia Werneck Vianna.

Um exemplo que afeta diretamente o dia a dia docente é o projeto Escola Sem Partido, que ganhou força na Câmara dos Deputados. Para resistir a este e a outros difíceis temas, uma das propostas da diretoria, defendida por diferentes participantes, é fortalecer o Conselho de Representantes da Adufrj e realizar reuniões de Unidade. “Essas reuniões nos ajudarão a levar informação aos nossos colegas que ainda não estão mobilizados. Precisamos nos fortalecer para enfrentarmos o que vem”, disse a professora Luciana Boiteux, do Direito. A rodada de reuniões deve ocorrer até o dia 12 de novembro. No dia 13, a Adufrj realizará uma nova assembleia, ainda sem horário definido, na Praia Vermelha.

Outras ações aprovadas na assembleia preveem a criação de uma comissão jurídica, articulada com o Andes, para organizar a defesa de professores que sejam ameaçados por sua posição político-ideológica; a realização de atividades dentro e fora da UFRJ, que dialoguem com a população e com a comunidade acadêmica sobre os temas que afetam os trabalhadores; levar ao Consuni a reivindicação de que a universidade se posicione em defesa da liberdade de cátedra.

A preocupação dos professores tem fundamento: após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), uma série de ações começou a ganhar corpo no parlamento nacional. Está na ordem do dia a aprovação da reforma da previdência, com aumento do tempo de contribuição e idade mínima para a aposentadoria. “Do ponto de vista da luta concreta, a reforma da Previdência – no momento – é a mais importante para nós, professores, e para toda a classe trabalhadora”, alertou o professor José Miguel Saldanha, da Escola Politécnica. Para ele, este ponto é um dos principais a ser esclarecido junto à sociedade. “As pessoas precisam entender o que vai significar a reforma para suas aposentadorias”, completou.

Vera Salim, professora da Coppe, ponderou que os docentes devem agir em diferentes frentes e níveis. “Precisaremos atuar desde a defesa dos professores até a defesa da Amazônia. E por isso precisamos nos organizar”, afirmou. Ela sugeriu a formação de pequenas comissões que se articulem localmente para tratar as questões que afetam a universidade e o país. E também apontou a necessidade de construir a mobilização dos docentes para as disputas com o futuro governo. “Eu, particularmente, sou favorável à greve como forma de onerar o capital. Mas já aprendemos que greve da educação não causa esse impacto. Então é preciso construir esse movimento junto aos trabalhadores”.

Para Felipe Rosa, diretor da Adufrj, as reuniões de unidade podem ajudar a aproximar professores do campo progressista, mesmo que não tenham votado na esquerda nessas eleições. “Há muitos colegas nesse meio de campo, que não votaram na esquerda, alguns anularam o voto, outros votaram na direita, mas são comprometidos com a democracia. Precisamos nos aproximar deles e construir o diálogo”.

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)