Redação Adufrj

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Ana Beatriz Magno, Fernanda da Escóssia e Kelvin Melo

2018 foi o ano em que a política ameaçou a democracia e colocou um angustiante ponto de interrogação sobre o futuro das instituições brasileiras.

Durante o período eleitoral e, agora sob o governo de transição, conquistas democráticas foram desqualificadas. O presidente eleito e sua equipe esbravejaram contra a gratuidade das universidades públicas, debocharam dos direitos humanos, ameaçaram reservas indígenas, fulanizaram protocolos da política externa. Jogaram ao vento a soberania da Constituição Federal, que chega aos 30 anos sem saber se o epíteto de Constituição Cidadã continuará a fazer sentido: de pouco valerá um nome se os direitos que ela garantiu forem espezinhados.

Para a presidente da Adufrj, Maria Lúcia Teixeira Werneck Vianna, o acirramento das divergências extrapolou o campo político. “Tudo isso distorceu o significado de duas datas marcantes de 2018: o meio século do AI-5 e os 30 anos da Constituição de 1988”, afirma a socióloga. Para 2019, Maria Lúcia destaca a necessidade de apostar no bom funcionamento das instituições e de reforçar a mobilização.

Num cenário marcado pela ascensão da extrema direita, que ameaça a autonomia da universidade, professores da UFRJ transformaram sua inquietação em reflexão e ação em 2018. Os docentes da maior instituição federal de ensino superior do país ofereceram interpretações qualificadas sobre uma das temporadas mais complexas do Brasil nos últimos anos. Foram para as ruas, firmaram e reafirmaram seu compromisso com a democracia.

A eleição brasileira teve a marca das “fake news”, mentiras que de tão repetidas ganharam efeito de verdade e influenciaram a política. Em tempos de desinformação, o jornalismo de qualidade torna-se mais relevante — e o Boletim da Adufrj se orgulha de ter ajudado seu leitor a desvendar 2018. Foram 49 edições com reportagens sobre temas de interesse da UFRJ. Debates, campanhas, assembleias, cursos e um canal no YouTube, a TV Adufrj, serviram como estratégias variadas de informação e diálogo.

Choramos a tragédia do Museu Nacional e o bárbaro — e ainda impune — assassinato de Marielle Franco.

Nas últimas semanas, a campanha #UFRJSEMPRE foi para as ruas, com relatos de professores e pesquisadores. Mas também há histórias de superação vividas por estudantes que são os primeiros de suas famílias no ensino superior. Em 2019, a campanha terá como foco valorizar professoras e professores, vítimas preferenciais da severidade do governo que se avizinha.

Para a equipe de Comunicação da Adufrj, é uma honra mostrar o cotidiano de uma universidade transformadora, comprometida com a excelência acadêmica e a justiça social.

2018 foi um ano de perplexidade. Não deixa saudade. Que 2019 seja o tempo da resiliência, capacidade que permite recompor forças, resistir e seguir. Porque, como ensina a canção de Chico Buarque, apesar “deles”, amanhã há de ser outro dia.

 

Feliz Ano Novo