Luiz Eduardo Soares; Maria Lúcia Werneck; e Michel Misse, no debate do dia 26 - Foto: Fernando Souza

Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

(Última atualização em: 27/04/2018)

O dramático panorama da segurança pública foi discutido em debate promovido pela Adufrj, na quinta-feira, 26, com a presença de dois estudiosos da área, professores Luiz Eduardo Soares e Michel Misse.

Antropólogo e ex-subsecretário de Segurança do Rio, Soares apresentou dados da criminalidade e mostrou que o sistema penal explicita distorções. “Temos 60 mil assassinatos por ano, mas só 12% dos presos são homicidas”, contou. “Por que não há indignação com essa chacina? Porque são vidas negras, pobres e da periferia”, avalia.

Outra distorção, segundo Soares, é o trabalho policial. Por lei, a investigação cabe à Polícia Civil. “A Polícia Mililitar é instada a apresentar resultados à sociedade. Como não pode investigar, o mais imediato que pode apresentar é a prisão em flagrante”, explicou. “Quem é preso em flagrante? O pequeno operador do tráfico, o ‘aviãozinho’. Esse lota os presídios. Contabilizamos violência futura”.

INTERVENÇÃO É ELEITORAL

“Quando a intervenção iniciou, senti cansaço”, desabafou o sociólogo Michel Misse, professor do IFCS. “Como um quadro de cultura de violência e de corrupção policial poderia ser modificado pelas Forças Armadas?”, questionou.

“Por melhores que sejam as intenções, militares não têm atribuição nem recursos para realizar investigações”, avaliou. Na visão de Misse, a intervenção é uma ação eleitoral. “A intervenção não é solução e, talvez, nem seja problema, porque não dura”, disse. “Os militares entraram a contragosto, numa situação emergencial, diante da perda política que seria para Temer não aprovar a reforma da Previdência”, justificou. “Por outro lado, ela responde à crise do estado do Rio, liberando recursos”, observou.

A proposta da mesa “Intervenção: solução ou problema?” era um debate que contemplasse o contradório, com discussão entre defensores e críticos da intervenção decretada em fevereiro. A Adufrj lamentou a ausência de última hora do antropólogo e ex-diretor do Viva Rio Rubem César Fernandes, favorável à política. Ele faltou por problemas de saúde. “Acreditamos ser papel de uma entidade de base heterogênea contribuir para o melhor esclarecimento possível em temas complexos”, afirmou Maria Lúcia Werneck, presidente da Adufrj.

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)