Gabriel Nacif Paes

gabriel@adufrj.org.br

Marco na luta política brasileira, a Passeata dos 100 Mil completou 50 anos na terça-feira, 26 de junho. O protesto contra a ditadura militar reuniu, no Centro do Rio, lideranças políticas, sindicais e artistas, mas principalmente jovens que sonhavam mais liberdade e democracia para o Brasil.

Luiz Pinguelli Rosa, Diretor de Relações Institucionais da Coppe/UFRJ, estava lá ao lado de colegas da Faculdade Nacional de Filosofia e Ciências, onde estudava Física. O professor, na época com 26 anos, lembra que o período foi marcado pela oposição ao regime. “Havia expectativa que a ditadura cedesse, por isso as pessoas se mobilizaram tanto. Também foi um protesto contra a tortura, os estudantes sofreram muito”. As ruas estavam tão cheias que as autoridades não conseguiram impedir o discurso de Vladimir Palmeira, liderança do movimento estudantil. “Existia o medo de que prendessem o Vladimir, mas eles não conseguiam atravessar a multidão”, conta. “Era tanta gente que a polícia recuou e não houve repressão.”

Maria Lúcia Werneck, presidente da Adufrj, tinha 25 anos quando foi à Passeata dos 100 Mil. Dava aulas na rede estadual do Rio de Janeiro e era filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ela acredita que o evento foi um marco da luta contra o governo militar. “Foi um movimento pacífico e reivindicativo em relação à democracia”, afirma. “Nos grandes centros urbanos, a população de classe média e operária estava aumentando a sua participação política.” No entanto, Maria Lúcia reconhece que o ato também teve consequências ruins: “O fato de aquilo não ter se desdobrado em negociações abrangentes e mais amplas foi negativo. Houve uma radicalização da esquerda e uma resposta radical da direita, que culminaram no AI-5.”

Pinguelli considera importante que mobilizações continuem acontecendo e cita a recente greve dos caminhoneiros. “Foi uma demonstração que a sociedade se organiza. Teve um impacto muito forte.” Maria Lúcia também acredita na importância de protestos no atual cenário político, mas acrescenta que, “paralelamente, é importante estimular a credibilidade das instituições”.

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