Redação Adufrj

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Ronaldo Lima Lins, professor emérito da Faculdade de Letras da UFRJ

O golpe de 2016, derrubando uma presidente eleita, não obstante o disfarce parlamentar e jurídico que o sustentou, abriu a Caixa de Pandora dos horrores que, à espreita, apenas aguardam uma oportunidade de agir. É comum que a exibição de força provoque a exibição de força em sentido contrário. Na ditadura militar de 1964, não nos esqueçamos, assistimos a fenômenos semelhantes. O fascismo, desde o seu nascedouro no século passado, possui capacidade de voo e contaminação, incluindo os mais dóceis e acomodados setores da sociedade. Logo se veem senhoras e senhores da classe média, com expressões indignadas, somarem-se a ele como seus combatentes… Nem as escandalosas evidências da opressão por vir os levam a hesitar.

O que fazer em tais circunstâncias? Antes que os piores terrores nos cerquem e tornem o ar irrespirável (com suas bravatas, seus preconceitos, suas manobras, sua brutalidade), A caixa de Pandora cumpre erguer barreiras, porque, uma vez o leite derramado, impossível recolocá-lo na garrafa. É da vocação da universidade pública, bem como dos intelectuais, alinhar-se aos progressistas, refletir sobre os fatos, denunciar malfeitos e se somar, de peito aberto, aos jovens, aos homens maduros e de visão para que os nazifascistas se recolham e a História nos poupe do desastre. Nossa Autonomia, entre outras coisas, serve para isso. Ainda há tempo. Apostemos!

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