Redação Adufrj

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O Boletim da Adufrj publicará entrevistas com os candidatos à Reitoria da UFRJ a respeito de temas de interesse da comunidade acadêmica.

Abaixo, as propostas dos candidatos sobre segurança, orçamento e gestão.

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As propostas da Chapa 20:

Roberto Bartholo – Coppe

João Felippe Cury – Instituto de Economia

Orçamento e Gestão

 

BARTHOLO: O momento é delicado. É um momento de estrangulamentos, principalmente orçamentário. Há um entrelaçamento desse estrangulamento orçamentário com a necessidade de inovações no âmbito da gestão. A universidade que desejamos não está cabendo no orçamento de que dispomos.  Precisamos exercer a autonomia universitária com criatividade para termos condições de confrontar e superar os desafios.

Todos os esforços para ampliação do orçamento precisam ser feitos, mas não parece razoável apostar todas as fichas sobre o futuro nisso. Não vejo por que dizer que captação de recursos seria algo indesejável. O que é preciso é estabelecer mecanismos regulatórios para acesso e aplicação. Fundações são práticas consolidadas.

Gestão universitária é uma questão chave. Precisamos encontrar meios e modos de pensar com a própria cabeça e agir com as próprias mãos. Mais que isso, como expressa o nome da chapa Minerva_2.0,  fundir modernidade e tradição na proposta de um futuro desejável para a UFRJ. Daí, o 2.0 em cima da Minerva.

Desburocratizar processos administrativos é a ponta de um iceberg. Nossa visão é superar anacronismos na gestão universitária, de modo que possamos encontrar inovações. Isso implica mais que adotar procedimentos digitalizados. Implica que possamos encontrar meios e modos para inovações institucionais. Queremos aprender com elementos do passado  que possam ser inspiradores para propostas para o futuro, como o Parque Tecnológico. Não no sentido de imitá-lo, mas de aprender com essa formulação que pode ser estendida para novos campos: um Parque Artístico, um Parque Cultural, um Parque Esportivo. Campos e áreas que permitam não novos percursos dentro da universidade. O acordo entre a UFRJ e o BNDES foi bem-vindo. Tardio, mas positivo.

 

Segurança:

 

BARTHOLO: A precarização das condições de vida não afeta somente a universidade. Afeta  a sociedade, as cidades onde a universidade está inserida. Uma questão que precisaremos olhar com bastante cuidado é a segurança. A vida nos campi precisa estar apoiada em recursos tecnológicos que tragam mais segurança. Isso não significa colocar mais e mais instâncias de repressão — muitas vezes as pessoas identificam a segurança com a questão da ativação de meios mais poderosos de repressão… O que a gente pode e deve é ter condição de dar conta de novos sistemas de controle, de vigilância, inclusive com novos recursos tecnológicos disponíveis.

 

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As propostas da Chapa 10:

Denise Pires de Carvalho – Instituto de Biofísica

Carlos Frederico Leão Rocha – Instituto de Economia

Orçamento e Gestão:

DENISE: Nós nos candidatamos porque acreditamos que a UFRJ precisa retomar um caminho que foi abandonado ao longo do tempo. O caminho da melhor gestão do orçamento e de um olhar mais crítico e moderno sobre a graduação. O momento impõe grandes desafios: temos a vigência da PEC do teto de gastos, os cortes orçamentários, uma universidade com problemas de gestão. Queremos que todos os projetos sejam discutidos com a comunidade acadêmica. Seremos a reitoria do diálogo.

CARLOS FREDERICO: Desde 2014 a UFRJ vem sofrendo queda nos recursos de custeio e investimento. Em 2014, a universidade sofreu contingenciamento de R$ 70 milhões. Isto pegou a administração de surpresa, pois os valores tinham sido empenhados, ou seja, os recursos haviam sido gastos e não houve o pagamento. Mas, de 2015 em diante, não houve mais surpresas. Tínhamos que ter feito ajustes em 2015, em 2016, em 2017. Nesse período todo, os recursos foram caindo. Em 2019, teremos o menor valor nominal de todo o período. É inegável que houve cortes substantivos de recursos, mas a estratégia para lidar com eles foi equivocada. Foi um erro trabalhar com orçamento deficitário. Em 2015 e 2016, apesar dos cortes, o valor de custeio e investimento per capita estavam muito superiores à média histórica da UFRJ. O acúmulo de dívidas se deve à demora para efetuar o ajuste nas contas da universidade. Não há planejamento no equacionamento de dívidas.  A gente tem uma dívida de mais de R$ 170 milhões e os recursos de custeio e investimento são de R$ 360 milhões. Resolver os problemas passa por receber recursos públicos. Podemos melhor administrar os recursos e complementá-los com a iniciativa privada. Estaremos abertos a parcerias. Vamos manter a centralização das emendas, iniciada na gestão Leher, porque é importante captar recursos. O edital do BNDES é outra linha, mas podemos fazer muito mais.

Segurança

CARLOS FREDERICO: Segurança não se resume a vigilância. Envolve fluxo de pessoas, iluminação. É não ter medo que os alunos sofram o que os meninos do Flamengo sofreram; é ter plano eficaz de prevenção e combate a incêndio. Isto tem sido pouco considerado na UFRJ, talvez por falta de leitura do Plano Diretor.

DENISE: Quanto à circulação, vejo com ressalva o projeto Fundão Presente, pelo risco de tiroteios no campus. A proposta é controlar alguns acessos e contar com a polícia nas áreas em que não for possível esse controle. Além do Fundão, temos preocupação especial com o Largo de São Francisco e com a FND.

 

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As propostas da Chapa  40

Oscar Rosa Mattos – Coppe

Maria Fernanda Quintela – Instituto de Biologia

Orçamento e Gestão

 

OSCAR: O orçamento vem caindo ano a ano. Hoje temos que conviver com algo próximo ao valor de 2011, com toda mudança que houve na universidade. Educação e saúde são investimento, não gasto. Gasto é o que consome 50% do orçamento da União, a dívida pública. Países que auditaram as dívidas conseguiram investir mais em saúde e a educação. É o caso do Peru.

Existe o fato concreto de um orçamento no patamar de 2011. E existe a dívida da universidade, não paga e deixada para o ano seguinte. Toda reitoria faz. A atual reitoria reduziu a diferença. Está sendo levado, para 2019, R$ 100 milhões, muito menos que nos anos anteriores.

Temos que ter mais capacidade de gerar recursos novos, e o projeto BNDES é uma possibilidade. Mas temos o problema do governo federal gastando de forma que não gostaríamos.  Solução para isso ninguém tem ainda.

A universidade que defendemos é pública, gratuita e qualidade. Em relação aos cursos stricto sensu, não há o que negociar: não se pode cobrar. Entrei com ação no Ministério Público contra a Capes por cobrança em cursos de mestrado profissional e ganhei.  A Capes teve que reconhecer o  mestrado profissional como stricto sensu.

Em relação às Fundações, tenho experiência razoável com a Coppetec. Ela foi criada por professores da Coppe, com critérios como a Dedicação Exclusiva. Vejo as fundações de forma parecida com a Coppetec, isto é,  devem contribuir com a universidade. As Fundações servem para processos administrativos mais leves.

 

MARIA FERNANDA: Estamos comprometidos com a Matriz Andifes, mas é preciso discutir indicadores de orçamento. A universidade tem questões relacionadas ao patrimônio que fazem com que o orçamento precise evoluir. É importante reforçar a relação com outros Ministérios, como Saúde e Meio Ambiente. Outro ponto é o orçamento participativo, em discussão há 12 anos, que aproxima a reitoria da base.

Segurança

OSCAR: Segurança é uma situação social complicada do país, particularmente do Rio de Janeiro. Não quer dizer que temos que nos acostumar à violência. Segurança tem passar por melhor policiamento dos campi, com  pessoas trabalhando para isso.  Não abandonaremos o projeto de segurança feito pela reitoria. Conheci o projeto e o classificaria como muito bom. São necessários R$ 170 mil por mês para implantá-lo. Está mais ou menos equacionado com a Prefeitura, o Estado e os habitantes do campus. Não tem como esse recurso sair do orçamento da universidade.  Deve vir de fontes externas. Podemos melhorar, mas não começar do zero.