Silvana Sá

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Donna Murch, professora da Rutgers University, nos Estados Unidos, participou do Seminário “50 Anos de 1968: a utopia quase no poder”. Promovido pelo Fórum de Ciência e Cultura, pela Comissão da Memória e Verdade da UFRJ e pela Adufrj, o evento analisou impactos dos movimentos políticos e culturais de 1968 no Brasil e no mundo. Especializada na luta de movimentos negros, em particular os Panteras Negras, Donna Murch falou ao Boletim da Adufrj.

Qual o legado dos Panteras Negras?

Eles criaram um patrulhamento utilizando autodefesa armada para proteger a população negra. Foi revolucionário. Explicavam às pessoas seus direitos. Tínhamos um contexto educacional de total democracia do ensino superior. Todos os que se formavam no ensino médio tinham acesso à universidade, e os Panteras Negras se estabeleceram nas universidades. Talvez o legado mais importante tenha sido a criação de escolas para educação política.

Em 1968, os Panteras são declarados pelo FBI ameaça à segurança dos EUA. O que isto significou?

1968 marcou o início da criminalização e encarceramento em massa da população negra. Foram demonizados. Houve prisões, assassinatos de líderes, exílio. A perseguição foi tão forte que, a partir de 1968, os Panteras perdem força. Em 1981, são totalmente dissolvidos.

Vê paralelo entre os EUA de 1968 e o que acontece hoje no Brasil?

Havia lá, como há aqui, luta por ampliação de direitos civis e resistência a essas lutas. Há paralelos atuais também. O nacionalismo de direita é fenômeno global. Trump construiu a expansão da política reacionária durante o governo Obama, quando a apatia desmobilizou as pessoas. Este nacionalismo de direita tem caráter diferente, um discurso nazista. Bolsonaro revigora a questão militarista, como Trump. Bolsonaro e Trump aparentemente têm alinhamento político, como na questão de Israel e no discurso contra a Venezuela.

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