Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

(Última atualização em: 08/03/2018)

Lena Lavinas, professora titular do Instituto de Economia da UFRJ, observa uma piora em indicadores de emprego para mulheres.

Qual o cenário profissional das mulheres?

 Nos últimos 40 anos, a diferença salarial entre homens e mulheres diminuiu em função de fatores como a queda na taxa de fecundidade de 6,5 para 1,7 fi lhos, o aumento da escolaridade feminina e a mudança de conjugalidade. O crescimento de vagas sem identificação, como concursos públicos, por exemplo, contribuiu para ampliar a participação das mulheres. Mas observamos depois uma estagnação nos indicadores de igualdade. E, agora, uma piora relacionada à redução do emprego, flexibilização e precarização. As reformas trabalhistas e da terceirização são reflexo destas mudanças.

 Por que o aumento de escolaridade não se reflete nos salários e nas chefias?

São questões de poder, não de escolaridade. As mulheres são discriminadas, muitas vezes ridicularizadas, quando em situações de liderança. Sobretudo em espaços de grande competição. A universidade é um exemplo: das 69 federais apenas 19 têm reitoras. As mulheres estão pouco representadas nas carreiras de melhores salários e de ponta hoje como Finanças, Tecnologia e Inovação. Elas estão concentradas em áreas em declínio. São maioria na Engenharia Química, que sofre o impacto da mudança da matriz energética do petróleo, e estão sub-representadas na Engenharia de Produção.

 

 Qual a importância dos serviços públicos para elas?

 Os serviços públicos afetam duplamente as mulheres, porque representam postos que elas têm chance. E também porque liberam o tempo delas para o trabalho remunerado. O encolhimento das provisões do Estado penaliza mais as mulheres. Com o teto de gastos, por exemplo,quem prestará os serviços de cuidado que serão suprimidos?

 

Por que não equiparar o tempo de contribuição previdenciária entre homens e mulheres?

 

 Nosso modelo de previdência é redistributivo, do jovem para o idoso e dos homens para mulheres. É correto. As mulheres têm um histórico de intermitência no trabalho em função da dedicação à família. Elas buscam trabalhos que possam compatibilizar o trabalho remunerado com o doméstico e têm mais dificuldade para alcançar trabalhos protegidos. Seis meses de licença-maternidade não são nada. E elas enfrentam barreiras para voltar ao mundo do trabalho, depois que se afastam. Por isso, há a diferença entre dois ou três anos, que se pratica hoje. Por isso também a previdência por capitalização (privada) é sempre pior para elas.

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)