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WhatsApp Image 2021 10 08 at 21.34.45Estuário de memórias afetivas de gerações e gerações de professores, alunos e funcionários da UFRJ, o restaurante Burguesão, no bloco H do Centro de Tecnologia (CT), precisa de apoio. Com o fechamento imposto pela pandemia, desde março de 2020, a Associação de Assistência Alimentícia (AAA), que gere o restaurante, vem enfrentando dificuldades para manter o pagamento dos 18 funcionários. “O auxílio emergencial do governo, quando existe, alivia a situação. Mas, como complemento, as empresas devem pagar parte dos salários aos seus funcionários. Com faturamento zero desde meados de março de 2020, isto tem sido simplesmente impossível para a AAA”, conta o professor Afonso Celso Del Nero Gomes, da Coppe, presidente da associação sem fins lucrativos, criada em 1983. Os diretores atuam de forma voluntária.
Diante desse quadro, um grupo de nove professores do CT, entre eles Del Nero, lançou uma campanha de doações em prol dos funcionários, alguns com mais de 30 anos de casa, como a pernambucana Maria Barbosa, a Rosinha. Ela chegou ao Burguesão ainda adolescente, em 1987, e se emociona ao falar de sua ligação com o restaurante. “Passei minha adolescência lá, cresci lá, fiquei grávida das minhas duas filhas lá. Vi alunos se formando, voltando como professores. Fui convidada para muitas formaturas de alunos, tinham um carinho grande por mim. Nem consigo falar, porque me dói saber que o restaurante está fechado. Não é só pelo dinheiro, claro que preciso, mas o restaurante fez muito por mim”, diz Rosinha, que tem feito trabalhos temporários para sobreviver.
A criação de laços afetivos entre clientes e funcionários é lembrada por muitos frequentadores, como o professor Fernando Duda, da Coppe, um dos idealizadores da campanha de doações. “Eu cheguei ao Rio para fazer meu mestrado nos anos 1990 e desde então comecei a frequentar o Burguesão. E nem sempre era para comer. As instalações do Fundão eram precárias e muitos alunos do CT usavam os banheiros do Burguesão, que eram os mais decentes. Mas o mais importante foi mesmo a convivência com os funcionários, em maioria nordestinos, como eu. Levei algumas vezes meus filhos lá, quando eram crianças. E os funcionários foram acompanhando o crescimento deles, até entrarem na universidade como alunos. Meu filho terminou Engenharia Civil e minha filha fez dois anos de Mecânica na UFRJ. Coisa difícil de você encontrar fora do ambiente familiar. É uma relação muito forte”, lembra Duda.
Uma das frequentadoras mais antigas do Burguesão, a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller, apoia a campanha e só tem boas recordações do restaurante. “Tenho uma história afetiva gigantesca com o Burguesão. Quando a Faculdade de Letras mudou para o Fundão, em março de 1985, eu era aluna e entrei como sócia no Burguesão, que funcionava como uma cooperativa. Foi ali que comecei a conversar com o Fernando, almoçávamos juntos, fomos construindo uma relação que deu em casamento. Foi o início da minha vida no Fundão. Fizemos muitas reuniões políticas, lá, tomamos decisões importantes. Muitas coisas nasceram e se fortaleceram ali. E foi onde aprendi a gostar de comida vegetariana. São memórias afetivas, políticas e pedagógicas”.
Outro idealizador da campanha, o professor José Henrique Sanglard, da Escola Politécnica, ressalta que, mais que um restaurante, o Burguesão se tornou um ponto de encontro democrático para a comunidade acadêmica. “O restaurante se tornou uma referência para as pessoas de outros centros também. E entre almoços, lanches e cafés naquelas mesas rolaram inúmeras reuniões e articulações políticas dos movimentos organizados das três categorias, incluindo a AdUFRJ, além dos processos eleitorais para chefias de departamentos, diretorias de unidades, decanias e reitorias. E ainda discussões relevantes sobre educação pública, universidade, ensino, pesquisa e extensão. O significado, a importância e o patrimônio deixado pela AAA para a UFRJ, portanto, transcende, em muito, a ideia de um simples local para comer e beber. Vai muito além, sob todos os aspectos”, observa Sanglard.
O professor Del Nero ressalta o caráter plural do Burguesão. “A arquitetura do restaurante é peculiar. Uma das quatro paredes dá para a cozinha, as outras três são totalmente envidraçadas, do piso ao teto. E isso dá uma sensação de abertura, eu me sinto aconchegado lá dentro. Talvez isso explique o fato de que as pessoas não vão lá apenas para comer, mas para ficar lá, como se estivessem numa sala de estar. É um lugar aberto e propício a encontros. Eu encontrei a minha esposa no Burguesão. Ela era funcionária lá e chegou a ser gerente, então foi um encontro muito importante para a minha vida. É um ambiente muito agradável e democrático”. Segundo Del Nero, o total arrecadado pela campanha de doações será destinado ao suporte aos funcionários (veja no quadro a seguir como contribuir).
Para Marilia Costa Muniz, gerente administrativa do Burguesão, ainda há esperança de que o restaurante viva de novos seus melhores dias. “Entrei lá em 1992, como atendente. Dali fui para o caixa, para a parte de compras, fui auxiliar de gerente e assumi a gerência administrativa. Foi um livro pra mim, entrei lá crua, só com um curso técnico de contabilidade, e consegui administrar um restaurante. Para mim, o Burguesão é uma família, tive meus dois filhos trabalhando lá. Hoje sinto como se algo faltasse em mim. Criei muitos vínculos ali. Perdi meu marido em março para a covid-19, fiquei sem trabalho, sem suporte, até me emociono ao falar do Burguesão. Somos 18 funcionários, já fomos 31. Alguns ainda me perguntam se o restaurante vai voltar. Tomara que a gente volte a ficar juntos um dia”.

COMO COLABORAR

As contribuições para a campanha de apoio aos funcionários do Burguesão podem ser feitas por meio de depósitos na seguinte conta: Banco Itaú, agência 8189, conta 06491-1, CNPJ 28.057.115/0001-31. Envie cópia do depósito para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. para que o grupo de professores possa gerenciar as distribuições. O grupo sugere as seguintes faixas:

Auxílio Platina: R$ 500
Auxílio Ouro: R$ 400
Auxílio Prata: R$ 300
Auxílio Bronze: R$ 200
Auxílio Coração: até R$ 100
Auxílio Burguesão: + de R$ 500

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