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WhatsApp Image 2021 09 03 at 22.39.491João Torres e Cláudia PiccininiO segundo e último debate entre as chapas a que disputam a diretoria da AdUFRJ começou no final da tarde de sexta-feira (10). A dinâmica, idêntica à da semana anterior, permitiu que os docentes conhecessem mais a fundo as diferenças entre os dois grupos. Por quase duas horas, as chapas 1 e 2 discorreram sobre temas como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), assembleias, greves e críticas ao governo Bolsonaro, entre outros. A maior parte das 12 perguntas sorteadas disse respeito à Ebserh.
Os professores João Torres e Nedir do Espírito Santo, candidatos a presidente e 1ª tesoureira pela chapa 1 “Docentes pela democracia: em defesa da universidade pública”, foram os representantes do grupo de continuidade às últimas três gestões da AdUFRJ. As professoras Cláudia Piccinini e Fernanda Vieira, candidatas a presidente e 1ª vice-presidente da chapa 2 “Esperançar: universidade pública e sindicato autônomo, sim!”, representaram o grupo de oposição às três últimas diretorias da seção sindical.
O debate foi transmitido pela página da AdUFRJ no Facebook e pelo canal da TV AdUFRJ, no Youtube, e está disponível para quem não conseguiu acompanhar o evento ao vivo. Só no Youtube, 360 pessoas já visualizaram o conteúdo, até o fechamento desta edição. Veja, a seguir, uma síntese sobre alguns dos temas debatidos.

EBSERH

Chapa 1
“Nossa posição é clara: somos a favor do debate. A universidade tem que discutir, precisa ouvir a demanda dos hospitais, da Faculdade de Medicina, dos colegas que atuam na linha de frente dos hospitais. Eles sabem os problemas do Complexo Hospitalar. Eles estão pedindo uma discussão sobre o assunto. Achamos que a administração da UFRJ tem legitimidade para discutir uma proposta, que deve ser debatida nos conselhos da universidade. Não é o sindicato que vai decidir se a Ebserh será ou não implantada. Quem vai decidir são os conselhos superiores, que são democraticamente eleitos e têm legitimidade para isso. Nós não vamos fazer nenhum ato violento ou impor uma decisão, como já aconteceu anteriormente. A Ebserh é uma empresa pública. Há uma decisão do STF que considera a Ebserh constitucional em seu caráter público. Nossa chapa não defende a Ebserh, defende o debate amplo. Se ela é constitucional, ela pode ser discutida e a universidade pode ou não optar por ela. A AdUFRJ tem o papel de garantir a discussão.”

Chapa 2
O debate sobre a Ebserh não pode ficar circunscrito à reitoria, à gestão, à Medicina, porque afeta o conjunto social. É necessário debater esse tema, mas não em plena pandemia. É preciso reconhecer que o universo virtual cria o impedimento de uma participação mais ativa nesse debate, que não é só da universidade. Porque, se ela privatiza – e é uma privatização, é um processo paulatino de transferência de gestão –, está modificando a gestão da prestação da saúde. Não podemos discutir sem a participação da sociedade que vai ser impactada. Defendemos o debate, mas que não seja um debate de gabinete. A gente não está conseguindo debater a necessidade da organização sindical para os grandes desafios que vivenciamos: a limitação do papel da universidade, o ataque fundamentalista contra a universidade, o ataque elitista. Estamos num momento de cortes na Saúde, são R$ 40 bilhões a menos. Vamos ter que discutir os nossos hospitais e o financiamento. Queremos concurso para os hospitais, queremos uma gestão da UFRJ, com autonomia, com eleição para diretor dos HUs.  

ASSEMBLEIAS

Chapa 1
“As assembleias, antes de 2015, eram um espetáculo às vezes patético. Tínhamos assembleias que se arrastavam, sem hora para acabar. Outras começavam no tempo regimental e terminavam 15 minutos depois. Esse tipo de artimanha acabou em 2015. Temos agora um processo republicano, que não dá direito à diretoria da AdUFRJ utilizar manobras para impor uma determinada decisão. Se formos eleitos, vamos continuar com voto em urna, que foi uma mudança fundamental, democrática, e com as assembleias multicampi. É uma promessa de campanha que vem desde 2015 e que nós temos certeza de que é sustentada pela maioria da universidade. Achamos que é uma proposta acertada e a universidade se sente bem representada em relação a esta dinâmica.”


Chapa 2
“Apontamos a necessidade de recuperar o papel das assembleias que trazem a base para o debate político, para a formulação. Indicamos o quanto um sindicato que resolve todos os seus temas selecionando assuntos a partir de cédulas pré-programadas, em que você permite ao docente apenas votar sem construir o debate, parece afrontar a perspectiva de uma estrutura sindical combativa, democrática e preocupada em construir o debate pela base. É preciso recuperar essa paixão pelo debate, que não condicione a participação dos filiados apenas ao horário em que a urna está aberta. Vivenciamos em escala nacional processos autoritários e esses processos precisarão ser rebatidos com a participação da nossa categoria.”


GREVES

Chapa 1
“As greves dos anos 80 foram muito diferentes das que ocorreram recentemente. Havia assembleias para decidir a greve com 500 professores, 600 professores. Isso, sim, vemos com muita simpatia: o corpo docente da universidade, bem representado nas suas assembleias, decide fazer uma greve. Isso não estava acontecendo nos últimos anos, antes de 2015. Valorizamos o instrumento greve. É o último recurso à disposição do trabalhador. Mas não pode ser banalizado, como é a práxis da nossa chapa opositora. Nós precisamos discutir a greve no serviço público. Quem é o mais prejudicado com as paralisações? O povo pobre, trabalhador, que mais depende dos serviços públicos. Nas assembleias passadas, antes de 2015, 30 pessoas numa assembleia decretavam greve, o CEG anunciava o calendário suspenso, assim se decretava a greve. As assembleias eram maiores quando as pessoas tentavam sair da greve. Era essa a dinâmica. Se o corpo docente da UFRJ quiser fazer uma greve, com muito impacto na UFRJ, com expressiva votação na assembleia, nós vamos colocar força total.”

Chapa 2
“Nós realizamos uma grande greve que propiciou a construção da nossa associação, que depois se tornou sindicato. Os movimentos grevistas ganharam reajuste e reposições salariais ao longo dos anos 80. Em 87, tivemos o PUCRCE, que unificou as carreiras, construímos tabela salarial com efeitos retroativos. Reconhecimento ao direito de greve, vagas para concurso, percentual de DE, titulação. Tudo isso foi ganho pela luta. A primeira greve unificada dos servidores públicos federais, nos anos 2000, equiparação da GID à GED, manutenção do RJU, aposentadoria integral, paridade, reajuste salarial. Mesmo tendo na mão um projeto de carreira do Andes, viemos sofrendo revezes. Tivemos o acordo de simulacro do Proifes, que infelizmente tem sido defendido pelas últimas gestões da AdUFRJ, que na verdade desmantela a nossa carreira e não supera as perdas. Estamos há 6 anos sem aumento. Reajuste não é aumento. O último movimento grevista lutou para termos aumento - nós perdemos - mas tivemos um ganho: nós existimos até hoje. As universidades públicas estão vivas.”


ANDES

Chapa 1
Um sindicato que não quer negociar não pode ter resultados positivos. Os ‘a prioris’ são mais importantes que a carreira dos docentes. Foi isso que nós vimos. Um sindicato tão ativo nas gestões petistas e que está apagado nos governos Temer e Bolsonaro, que não realizou lutas em defesa da carreira nem de reajuste nos últimos anos.


Chapa 2
As deliberações do Andes são construídas nas seções sindicais. Defendemos essa democratização. É papel da AdUFRJ colocar os grupos de trabalho para funcionar. São eles que constroem a política do sindicato. Nós estivemos nos últimos congressos do Andes construindo a pauta. Pauta essa que vem das universidades, não só da UFRJ.

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