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WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.18.21Diretoria da AdUFRJ

Ministério Público exigindo aulas presenciais no Rio de Janeiro, pronunciamento em rede nacional do ministro da Educação na TV: armam o espetáculo, mas não providenciam o palco. Esse pode ser o resumo da semana: aumenta a pressão para o retorno às atividades didáticas presenciais, mas nenhuma palavra sobre os recursos para que estas sejam planejadas com segurança. A UFRJ vem há meses enfrentando esse desafio, sabemos o custo que será adaptar e garantir as condições sanitárias para a realização das atividades presenciais. Mas a recíproca não é verdadeira: governo e Judiciário tentam jogar a responsabilidade no colo das instituições, mas não há até agora nenhum sinal do aporte de recursos necessários para que a universidade possa planejar um retorno seguro, tendo como parâmetros os indicadores científicos de biossegurança.
Até aqui, nenhuma surpresa. Um governo que tratou a compra de vacinas da forma como está sendo trazida a público pela CPI e que distribuiu “kits de tratamento da covid-19” sem comprovação científica, enquanto a população doente de Manaus morria asfixiada, não teria mesmo qualquer compromisso em garantir um retorno seguro, que respeite os protocolos sanitários. Não precisamos de nenhuma tutela. Nossos colegiados estão discutindo quais são as prioridades, e já temos o retorno de algumas disciplinas práticas. O Consuni irá se debruçar sobre a resolução 07 de 2020, que trata das atividades remotas na UFRJ. Estamos participando e acompanhando todas essas discussões, com a seriedade que o tema exige. Não aceitaremos açodamentos que coloquem a população em risco, manteremos firmes os princípios que regeram nossas ações desde março de 2020.
Ao mesmo tempo, o governo tenta emplacar sua política de destruição nacional. Desregula, não multa, não controla ações predatórias do meio ambiente, mas impõe sistemas cada vez mais eficazes para o controle e subordinação dos servidores públicos. Nessa esteira, tenta emplacar uma reforma administrativa que descaracteriza o Estado brasileiro e suas instituições. Não existe a possibilidade que uma pauta de tal forma antipopular prospere. Tanto é que também começam a surgir delírios autoritários dos militares no poder. Ameaças obscenas em plena luz do dia passam a fazer parte de nosso noticiário. Embora pouco críveis, são sempre preocupantes.
Por tudo isso, e por muito mais que não cabe nesse editorial, nos mantemos participando de forma ativa e determinante para a realização dos atos da campanha nacional #Fora Bolsonaro. Precisamos que ela se amplie ao máximo, que seja de cada um e de todos nós. Precisamos dar forma e cor à nossa insatisfação. Precisamos estar juntos e fortes, porque não temos dúvida de que o que está sendo jogado nesse momento é a nossa sobrevivência — seja como instituição pública, seja como nação democrática. Por isso, iremos às ruas mais uma vez, em 24 de julho, às 10 horas, em frente ao monumento Zumbi dos Palmares.

DUAS DESPEDIDAS
A semana também nos marcou com duas despedidas. Ildeu de Castro, professor do Instituto de Física, concluiu seu mandato à frente da SBPC. Sustentou um importante trabalho, justo quando o país se viu diante da maior crise sanitária de sua história e de uma forte campanha negacionista e com grandes ataques à Ciência e aos e às cientistas. A ele, nosso agradecimento pela parceria constante e o nosso reconhecimento pelo excelente trabalho realizado.
E, no âmbito da diretoria da AdUFRJ, nos despedimos um pouco precocemente do nosso tesoureiro, Josué Medeiros, professor do IFCS, que assumiu o cargo de assessor de Relações Parlamentares da reitoria. Dissemos um pouco precocemente porque em breve todos nós também estaremos nos despedindo desse nosso mandato, que, por força da pandemia, foi quase que integralmente virtual. Mas não poderíamos deixar de registrar aqui o quanto foi importante para nós tê-lo conosco nesses quase dois anos de trabalho. Inventar um sindicato on-line não foi fácil, e sem ele teria sido ainda mais difícil. Temos a certeza de que a sua batalha em defesa da universidade pública não esmorecerá, ao contrário, encontrará novas fronteiras de ação.

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