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Diretoria da AdUFRJ

WhatsApp Image 2021 05 07 at 20.19.58O Brasil está sendo devastado por Bolsonaro. São mais de 400 mil mortes por covid-19. A maior parte delas já em 2021, quando havia vacinas disponíveis que não chegaram ao país por ação deliberada do governo. O Brasil voltou para o mapa da fome de onde saímos em 2013: em 2020, nada menos do que 59,4% dos lares registraram algum tipo de insegurança alimentar, sendo 15% de um modo grave.  Ou seja, estão literalmente passando fome. Além disso, o desemprego bateu recorde este ano, com 14 milhões de desempregados e 6 milhões de desalentados.
Em meio a tantas dores, somos atravessados por momentos de comoção, angústia e raiva individuais pelos entes queridos que se foram e coletivas por perdas simbólicas. Esses sentimentos vêm desde a primeira morte pela pandemia, quando Rosana Aparecida Urbano, diarista, moradora da periferia de São Paulo, morreu infectada pela patroa. Rosana  faleceu em 12 de março de 2020, num momento em que o novo coronavírus chegava ao Brasil carregado, principalmente, por quem voltava de viagens ao exterior. Passados 15 meses, os óbitos se multiplicam, passam dos 400 mil  e atingem anônimos e celebridades, caso do ator Paulo Gustavo, de apenas 42 anos de idade e um talento gigantesco para transformar o riso em empatia e resistência.
O artista que inspirou os aplausos nas janelas de milhares de  brasileiros na noite de quarta-feira era símbolo da diversidade e por isso era odiado pelo bolsonarismo, que desejou sua morte nas redes sociais. Mas o ódio não cessa no Rio de Janeiro. Na manhã do velório de Paulo Gustavo, fomos abalados por mais um massacre nas favelas cariocas, em ação policial ilegal que chacinou 25 pessoas no Jacarezinho. Foi a maior chacina da história sangrenta do estado. E despertou nova comoção entre nós que desejamos um outro mundo.
Diante desse ar irrespirável de mortes e ódio, é urgente transformar nossa comoção em indignação e ocupação das ruas. Estamos paralisados desde março de 2020, zelosos das medidas de isolamento social, com uma defesa importante da nossa coerência em não provocar aglomerações e, desta forma, não contribuir para o colapso do Sistema Único de Saúde e para o esgotamento das e dos profissionais que estão na linha de frente.
Mas em política é preciso saber mudar conforme as circunstâncias. A defesa de uma coerência idealista pode facilmente virar intransigência e, pior, se cristalizar em um moralismo elitista. Sabemos que a parcela dos que podem se proteger no isolamento social é cada vez menor. Se o povo trabalhador se expõe ao vírus, não nos resta outra alternativa a não ser ir às ruas e aceitar correr riscos para dizer basta a Bolsonaro.
Isso é ainda mais urgente quando assistimos assustados à última demonstração de força do bolsonarismo no Dia do Trabalhador. É verdade que as passeatas da extrema-direita em 1º de Maio passaram longe de ter a força que o presidente genocida precisava para dar o golpe que ele tanto deseja. Mas é fato que foram maiores do que esperávamos, demonstrando que Bolsonaro segue vivo e em condições de destruir e matar ainda mais o nosso presente e futuro.
O momento político não é favorável ao genocida. A C
PI da Pandemia no Senado avança para demonstrar sua responsabilidade direta nas mortes por covid-19. O ex-presidente Lula, pleno dos seus direitos políticos, cresce nas pesquisas e avança nas articulações de uma frente eleitoral que venha a derrotar o atual presidente no pleito de 2022.
A variável que falta para consolidar um quadro de avanço das forças democráticas contra Bolsonaro é ocuparmos as ruas. Não podemos mais esperar. Vamos de máscaras PFF2, álcool em gel, em um lugar amplo e arejado tal qual o Aterro do Flamengo, por exemplo, mas vamos às ruas!

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