MUSEU NACIONAL Laboratórios de Antropologia, Geologia, Paleontologia e Botânica se transformaram em cenário para os ensaios técnicos da Imperatriz - Foto: João Laet

Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

Abram alas, a Ciência vai desfilar. O Museu Nacional, que completa 200 anos em 2018, será homenageado na Marquês de Sapucaí pela Imperatriz Leopoldinense.

“O Museu Nacional é a casa da ciência. Botânica, Antropologia, Mineralogia — hoje Geologia —, Zoologia e Astronomia nasceram aqui. Todas as instituições científicas brasileiras estão representadas nesse carnaval”, afirma Regina Maria Dantas, historiadora e uma das colaboradoras da universidade com a verde e branco de Ramos.

Para a historiadora, num momento de cortes de pesquisas e bolsas, o enredo sobre a Ciência no Brasil pode ampliar a visibilidade internacional da pesquisa brasileira, já que o espetáculo é visto no mundo inteiro.

A ala da Comissão Científica da Imperatriz, que abre o desfile, foi majoritariamente composta pela UFRJ, e foi preciso abrir mais uma. Pesquisadores da Fiocruz e do Instituto Pasteur, da França, também participarão.

O responsável pelo departamento cultural da Imperatriz, André Bonatte, destaca o diálogo com a UFRJ e o respaldo do Museu no processo: “Conviver com o olhar apaixonado de quem trabalha lá é algo que não pode ser negligenciado. Não existe Carnaval sem paixão”.

Quinze sambas entraram na disputa, e o resultado final agradou: “O samba diz que o Museu ganha vida à noite, percorre a pesquisa, os laboratórios e as exposições atuais. O desfile fecha com as pipas de meninos da Quinta da Boa Vista e contempla o papel social do local”, conta Renato Ramos, vice-diretor do Museu.

O enredo relembra atrações do Museu, como aves, cristais e sarcófagos e jardins. Na opinião de Ramos, a grande homenageada é a memória popular. “O Museu faz parte das lembranças das crianças do século XIX, XX e XXI”, justifica.  Além do legado simbólico, Ramos fala em projetos futuros, como um espaço para a exposição das fantasias. A homenagem injetou energia nas comemorações do bicentenário do Museu.

“É emocionante ver a tradução lúdica e popular não apenas do Museu, mas do Palácio e da Quinta”, observa a diretora Cláudia Rodrigues-Carvalho, para quem o Museu é um lugar associado à infância do carioca. “Nossa expectativa é estarmos ainda mais próximos à população, principalmente, do entorno que não teve acesso à Ciência e à universidade”.

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