Ana Beatriz Magno

anabiamagno@adufrj.org.br

E FERNANDA DA ESCÓSSIA

Seis anos depois de aderir ao Sisu, a Universidade Federal do Rio de Janeiro começa a avaliar impactos do Sistema de Seleção Unificada nos cursos de graduação. Uma extensa pesquisa acadêmica realizada pelo superintendente de Registro e Acesso da UFRJ, Roberto Vieira, identifica um aumento significativo da evasão estudantil na maior universidade federal do Brasil. Os alunos também demoram mais tempo para se formar.

Vieira comparou dados dos anos de 2004 a 2009, quando a UFRJ fazia vestibular próprio, com os de 2012 a 2017, período em que o Sisu foi usado como método exclusivo. O pesquisador aplicou questionários a 6.437 candidatos e 189 professores.

Os resultados impressionam. Do primeiro semestre de 2004 para o primeiro de 2012, a desistência subiu 20%. No indicador que Vieira chamou de evasão primária − o aluno é aprovado na primeira chamada do Sisu, mas não se matricula na UFRJ −, o percentual pulou de 15,71% em 2009/2 para 85% em 2017/2. As conclusões de Vieira coincidem com um quadro revelado em estudos similares, que apontam a democratização do acesso à universidade com a chegada de estudantes de outros estados, mas alertam para a perda de alunos. “Percebo escandalosamente essas saídas no cotidiano das engenharias. Quem está na gestão percebe isso claramente. Mas não é um problema do Sisu. É um problema do Brasil, que criou um sistema fantástico e democrático de seleção dos melhores alunos de todo o país, mas não oferece condições de mantê-los nas universidades”, analisa Ericksson Almendra, 64 anos, ex-diretor da Escola Politécnica.

Os motivos para abandonar o sonhado curso superior são o retrato do Brasil: falta de dinheiro para viver noutra cidade, falhas na assistência estudantil e medo da violência. No estudo de Vieira, quase 40% dos estudantes que desistiram da UFRJ se justificaram dizendo que não tinham recursos para morar no Rio ou temiam a violência na cidade.

O impacto do Sisu na UFRJ deverá entrar na pauta das próximas reuniões do Conselho de Ensino de Graduação, presidido pelo Pró-Reitor de Graduação. Nas páginas seguintes, mais detalhes da pesquisa.

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