Delegação da UFRJ, no palco do Congresso do Andes, em Salvador: clima amistoso e posições divergentes - Foto: Kelvin Melo

Ana Beatriz Magno

anabiamagno@adufrj.org.br

*e Kelvin Melo

Nem carreira nem orçamento das universidades. O tema que mobilizou corações e mentes no congresso do Andes está bem distante do cotidiano dos professores nas universidades: a filiação do Andes à CSP-Conlutas, uma pequena central sindical que se orgulha de ser radical.

Na noite da última quinta-feira, o auditório da UNEB se dividiu entre gritos, vaias, aplausos e palavras de ordem. Grupos favoráveis e contrários à central esgrimiram argumentos, reviraram rancores antigos e deixaram perplexos os poucos delegados que não pertenciam a nenhum dos lados, caso da diretoria da Adufrj.

“Evidente que é uma central pequena, mas mostrou que tem garra para defender os interesses dos trabalhadores, independentemente de governos”, afirmou José Vitório Zago, da diretoria do Andes. “A CSP-Conlutas é um punhado de sindicatos dirigido por um grupelho político”, disse Antônio Eduardo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e integrante do grupo de oposição Renova Andes. A proposta de fazer um balanço da filiação foi rejeitada pela maioria dos delegados.

A Adufrj tem posição crítica sobre o assunto. Assim que assumiu a gestão, em outubro, a diretoria suspendeu o pagamento da mensalidade para a Conlutas – cerca de R$ 180 mil anuais. “Essa Central Sindical não representa os professores da UFRJ. É uma central muito isolada, muito esvaziada”, declarou, à época, a presidente da Adufrj, professora Maria Lúcia Werneck.

CLIMA DE AXÉ

A acalorada discussão, com acusações de parte a parte, é o exemplo perfeito de que o congresso do Andes não seguiu o modelo da delegação da Adufrj. Mesmo divididos entre integrantes da situação e da oposição, os representantes da UFRJ mantiveram um clima amistoso no diálogo sobre estratégias de defesa da universidade pública e dos direitos docentes.

Nossa delegação é diversa, tem diferenças políticas, mas participamos juntos do Congresso e da defesa da universidade. Achei muito salutar e novo a presença de todos aqui”, elogiou a professora Mariana Trotta, uma das líderes da oposição à diretoria da Adufrj, e alinhada à direção do Andes. “O congresso tem representantes das bases, das diretorias e de diferentes universidades, com problemas e realidades diversas. Todos podem apresentar textos. O Congresso é extremamente democrático”, completou.

Os diretores e delegados apoiadores da diretoria – quase todos estreantes no Congresso – ficaram decepcionados com a metodologia de discussão no encontro. Para serem votadas nas plenárias, as teses precisam ser aprovadas em pelo menos um dos 13 grupos de debate realizados antes ou receber votação de, no mínimo, 30% de um deles.  Nos grupos, a diretoria nacional propõe o ordenamento dos temas, de forma diferente entre eles. A justificativa é fazer com que todas as propostas sejam avaliadas por ao menos um grupo.

Para o vice-presidente da Adufrj, Eduardo Raupp, ao se definir a ordem de discussão, os textos que ficam por último correm o risco de serem eliminados a priori, por falta de tempo. Outro problema identificado pela direção da Adufrj: integrantes da diretoria nacional também influenciam as votações nas salas, apresentando destaques iguais para todos os grupos. “Eles cumprem o papel de vigias, para que os textos não saiam da visão da diretoria. Isso engessa o debate”, disse Raupp.

No próximo Boletim, os resultados do Congresso do Andes

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