Vieira estudou cotidiano da UFRJ - Foto: Ana Beatriz Magno

Ana Beatriz Magno

anabiamagno@adufrj.org.br

E FERNANDA DA ESCÓSSIA

Servidor da UFRJ há quase 35 anos, o administrador Roberto Vieira, 58, não escondeu a alegria quando a banca de professores recomendou a publicação de sua dissertação. Ele fez o mestrado profissional em Avaliação na Faculdade Cesgranrio: “Achei que seria mais light um mestrado profissional e que conseguiria conciliar com meu trabalho na universidade. Ledo engano. Não foi nada light”. Responsável pela superintendência executiva de Registro e Acesso da PR-1, Vieira recebeu o apoio do pró-reitor de Graduação, professor Eduardo Serra, e dos 189 docentes que responderam seu questionário. “Foi uma maratona. Ainda ouvi 6.437 estudantes através de formulários”.

Por que o aluno não fica na UFRJ?
Os alunos apontam dificuldade para se manter no Rio: problemas financeiros, alojamento. Evasão, retenção e recuo da conclusão são consequência de um problema no modelo de ingresso.

O que espera desta pesquisa?
Falo como pesquisador, não como servidor. A decisão tem que ser do Conselho Universitário. A UFRJ precisa de um estudo em relação a esses impactos. A decisão vem lá na frente, depois que a gente estuda, discute. A universidade deve repensar seu acesso e envolver outras instituições, porque cada uma tem especificidades.

Nos tempos do velho vestibular…

A UFRJ tem, neste semestre, 4.907 vagas em 114 cursos de graduação pelo Sisu. A primeira chamada foi divulgada em 29 de janeiro. De quase 5 mil vagas disponíveis, 2.469 são para cotistas. A UFRJ oferece cotas sociais desde 2011 para estudantes oriundos de colégios públicos. E, desde 2013, cotas raciais. A pesquisa de Roberto Vieira não diferencia os dados de cotistas e não cotistas ao examinar a evasão e o rendimento acadêmico, mas faz uma retrospectiva das formas de acesso à universidade.

A UFRJ não aderiu de imediato ao Sisu, sistema criado pelo governo federal em 2010. Nas seleções de 2010 e 2011, a universidade optou por sistemas mistos que utilizavam tanto as notas do Enem quanto o desempenho em vestibular próprio. Após intensos debates, o Consuni resolveu, em setembro de 2011, usar exclusivamente a nota do Enem para selecionar os alunos de graduação. A entrada na UFRJ já teve vários formatos. Da década de 70 até 1987, a universidade participava de um consórcio com quase todas as faculdades do Rio de Janeiro. Em seguida, a parceria limitou-se a algumas instituições públicas do Rio. Na década de 90, a UFRJ separou-se do grupo e criou seu próprio vestibular, com provas discursivas e elevada concorrência. “Era um sonho difícil passar na UFRJ”, lembra Ana Paula Rodrigues, ex-aluna da UFRJ, formada em Psicologia em 2008. “Mas não há dúvida de que a universidade era muito menos democrática e muito mais elitista. Só tinha branco da zona sul na minha turma”, completa.

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