Ana Beatriz Magno

anabiamagno@adufrj.org.br

E FERNANDA DA ESCÓSSIA

Quando foi aprovado em História na UFRJ, Wesley Teixeira, morador da Baixada Fluminense, comemorou. Mas logo percebeu que seguir no curso seria inviável para ele: “O trajeto até o centro era muito caro. A UFRJ oferece o bilhete único, mas somente no município, não no estado. As aulas eram sempre em dois turnos, o que dificultava muito para conseguir um emprego.” A solução foi abandonar a UFRJ. “Hoje faço Pedagogia na Uerj, no campus de Caxias. Por ser mais perto de casa, não tenho esses custos.”

Muitos aprovados na UFRJ nem se matriculam, e Vieira foi buscar os motivos. Mais do que notas baixas, o que afasta o estudante são dificuldades financeiras e violência – que, juntas, respondem por 38% das razões para não continuar na universidade.

Entre os problemas financeiros, os estudantes apontaram a falta de recursos para se manter no Rio, a ausência de condições para fazer a matrícula e as poucas vagas de alojamento. Também são significativas as razões ligadas à violência no campus (6,2%) e à criminalidade no Rio de Janeiro (10,3%) – que independe da universidade, mas a afeta diretamente.

Em suas recomendações listadas na dissertação, Vieira pede reforço na assistência estudantil, com investimento nos alojamentos, restaurantes universitários e bolsas.

(Colaborou Isabella de Oliveira)

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