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O mais novo painel da Adufrj-SSind na lateral do ex-Canecão faz uma homenagem ao Dia do Professor (15 de outubro). E também critica a recente repressão policial aos educadores em greve no Rio de Janeiro. Uma citação do Patrono da Educação brasileira, Paulo Freire (1921-1997), completa o quadro: “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.

Desta vez, a arte da Adufrj-SSind ocupa a metade daquele espaço. A outra parte será utilizada para divulgação de um evento da pró-reitoria de Extensão da UFRJ.

Professora da rede municipal denuncia as ações do prefeito Eduardo Paes para acabar de vez com a Educação

Empresas e fundações interferem no processo pedagógico

Silvana Sá.  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

“O plano menciona sete por cento da categoria. Para o prefeito, 93% dos professores não existem. Como ser favorável a isso?”, questiona Susana Dias, docente da rede municipal na zona oeste do Rio de Janeiro, a respeito do plano de carreira aprovado em 1º de outubro, na Câmara dos Vereadores. Perseguida pela polícia, a educadora teve o pé quebrado.

“Eram tantas bombas, tanto gás... Não enxergávamos mais nada. Estávamos em uma praça de guerra. Eu só queria sair dali”, disse Susana. Em seu perfil na rede social Facebook, a professora desabafou: “Naquele momento, não senti dor física alguma, apenas dor na alma, que sangrava pelo desrespeito e agressividade com os quais estávamos sendo tratados”.

A greve, segundo Susana, é um grito dos professores depois de 20 anos sendo “oprimidos pelo cotidiano”. “Cotidiano esse que envolve: escolas depredadas, sem condições de abrigarem os alunos; superlotação das salas, com 50 a 60 alunos por turma; apenas um ventilador, quando tem”.

Melhorias na infraestrutura das escolas, construção de novos colégios, climatização das salas, diminuição da quantidade de alunos por turmas. Essas eram algumas das reivindicações que constavam da pauta do Sepe-RJ, mas que o prefeito resolveu ignorar. “O aumento seria apenas mais uma reivindicação. Apenas uma dentre as várias de ordem pedagógica. Pedimos também que um terço da carga horária fosse utilizado para planejamento das aulas. Essa é uma lei que não é cumprida”, disse.

O que foi aprovado no plano de carreira dos professores da rede municipal carioca, para Susana, é um desrespeito à população que necessita da escola pública e aos profissionais que atuam na rede: “Os professores de Espanhol foram retirados de suas escolas, porque a Secretaria Municipal de Educação (SME) instituiu o Inglês como língua estrangeira a ser ensinada na rede. E a Cultura Inglesa recebe milhões da SME todo ano, pois repassa à prefeitura o material a ser trabalhado em sala de aula”.

Sem autonomia

Ela conta que em um dos projetos da prefeitura, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, apenas um professor dá aula de todas as disciplinas. Utilizam, para isso, vídeos do Telecurso 2000: “São alunos que estão fora da idade da série, semi-analfabetos e que o professor não pode reprovar. Nas séries iniciais, o projeto é feito com a Fundação Ayrton Senna”.

Em outro projeto, ironicamente denominado “Autonomia”, o professor dá aulas para o segundo segmento do ensino fundamental. “Funciona como um supletivo. Os alunos cursam dois anos em um com um único professor. Por exemplo, alguém de Geografia dá todas as disciplinas. Tudo isso ele (Eduardo Paes) colocou no plano”, afirmou.

Escola-negócio

Susana desabafa: “A Educação virou negócio. A Fundação Roberto Marinho, a Fundação Ayrton Senna, a Natura, Cultura Inglesa, Sangari (projeto de Ciências). Todos estão nas escolas e poucas pessoas sabem disso”.  Outra reivindicação da categoria é autonomia pedagógica para desenvolver os materiais e avaliações: “Eles nos obrigam a usar cadernos pedagógicos cheios de erros que servem de base para a prova que é enviada pela SME. Sabe de quem é a gráfica que faz os cadernos? Do marido da Claudia Costin (secretária de Educação do município)”.

O Sepe-RJ organiza um grande ato contra a secretária Costin em 17 de outubro, quando a Fundação Getúlio Vargas pretende premiá-la pelos “benefícios à educação”. “Essa mulher destruiu o funcionalismo em Brasília, saiu corrida de lá. Arrasou com os professores de São Paulo e veio fugida para cá. Aí o PMDB a escolhe como testa de ferro para mercantilizar a educação”, criticou.

Mudança de foco

A professora acredita que a aprovação do plano de carreira dos profissionais de educação do município é uma estratégia da prefeitura para mudar o foco das reivindicações. “O nosso primeiro ponto da pauta era abrir a caixa preta do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Paes gastou esse dinheiro na Previ-Rio e nas empresas de ônibus. A prefeitura não repassa aos contracheques esses recursos. Esse dinheiro sumiu. Ele não tem como prestar contas disso”.

Susana reconhece que sua luta, em conjunto com os 40 mil profissionais de educação da cidade, está longe de acabar, mas se diz esperançosa: “Nossa luta é pela educação da classe trabalhadora, para que ela tenha seus direitos assegurados”, finalizou.

 

Educação leva multidão ao Centro do Rio

Cerca de 30 mil pessoas participaram do ato unificado, no dia 7

A Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, voltou a ser tomada por uma multidão. Diversos segmentos de trabalhadores, estudantes e demais entidades e representações da sociedade civil abraçaram a causa dos professores das redes municipal e estadual em greve. Eles seguiram a convocação do Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) e de outras entidades para o grande ato unificado no dia 7 de outubro. 

Com vitalidade invejável e muita disposição para a luta, os professores puxaram a manifestação até a Cinelândia. O Andes-SN e a Adufrj-SSind marcaram presença.

 13101482Manifestação repudiou a brutal repressão policial contra os educadores em atos anteriores. Foto: Samuel Tosta - 07/10/2013Uma fotogaleria da manifestação do último dia 7 pode ser encontrada no site e nos perfis da Adufrj-SSind nas redes sociais

Entidades representativas da UFRJ (Adufrj-SSind, APG, DCE e Sintufrj) demonstram disposição de ajudar a solucionar a crise dos HUs. Os movimentos, porém, apresentam condições para participação em grupos de trabalho, voltados para esse objetivo, propostos pela administração central da universidade

Levi diz que vai avaliar proposta dos movimentos

Silvana Sá. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Agora, a bola está com a reitoria. Na segunda rodada de negociações para tratar da gestão dos hospitais universitários, no último dia 10, os movimentos organizados da UFRJ demonstraram disposição para ajudar a resgatar a excelência dos hospitais da instituição. Mas deixaram claros alguns critérios para participar dos grupos de trabalho propostos pelo reitor Carlos Levi no primeiro encontro, em 3 de outubro (conforme noticiado no Jornal da Adufrj anterior). Os grupos teriam como tema “estrutura” e “pessoal” e seriam coordenados, respectivamente, pelas pró-reitorias de Gestão e Governança (PR-6) e de Pessoal (PR-4). 

A intenção das entidades representativas da UFRJ (Adufrj-SSind, APG, DCE e Sintufrj) é colaborar com os GTs, pois compreendem que eles se inserem em uma política autônoma da universidade. Neste sentido, os movimentos propuseram um terceiro grupo de trabalho: “Complexo Hospitalar”. Esse buscaria as formas de implementação da gestão integrada dos hospitais, otimizando os recursos, com envolvimento das unidades acadêmicas que de alguma forma se ligam à área da saúde.

Condições para participação

Em documento entregue ao reitor Carlos Levi, os movimentos organizados da UFRJ observam que um ano (até outubro de 2014) deve ser o prazo para conclusão das atividades dos GTs, diante de tantas tarefas a serem realizadas. Pelo mesmo período, entendem as entidades, qualquer discussão a respeito da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) deverá ser suspensa.

Auditoria já

Os movimentos solicitam à reitoria que seja realizada a auditoria interna nas contas do HUCFF e que sejam exibidos “os resultados da sindicância já solicitada pelas entidades, com base na Auditoria do TCU, para verificar a real situação financeira dos hospitais”. Também cobram a garantia de realização de eleições democráticas e paritárias nos devidos prazos para os cargos de direção dos HUs.

Diante das ameaças de fechamento dos hospitais, que vêm sendo anunciadas pela atual diretoria do HUCFF, as entidades propõem que sejam adotadas ações imadiatas. O objetivo é pressionar o Ministério do Planejamento a autorizar a realização de concursos (temporários e efetivos). Também devem ser apoiadas as ações judiciais do Ministério Público Federal contra a Ebserh, tendo por base o princípio da autonomia universitária, previsto no art. 207 da Constituição Federal, especialmente a ação civil pública já em curso, na qual o MPF exige a imediata contratação de pessoal para todos os HUs da UFRJ.

Após o debate, a reitoria se comprometeu a analisar o documento e chamar uma nova reunião para dar seguimento às negociações sobre a participação das entidades nos grupos de trabalho. Ainda não há uma data para esse novo encontro. O entendimento geral é de que há, tanto da parte da reitoria, quanto dos movimentos organizados da universidade, o propósito de ajudar a solucionar a crise dos HUs e de tomar medidas emergenciais.

Prazo apertado

Carlos Levi disse que esperava a participação das entidades nos grupos para “identificação de formas e caminhos que garantissem a continuidade dos serviços do HU”. Levi se demonstrou preocupado que uma solução fosse alcançada até 31 de dezembro desse ano, quando, em tese, vence o prazo dado pelo Tribunal de Contas da União para a solução dos extraquadros.

Luciana Boiteux, diretora da Adufrj-SSind e professora da Faculdade Nacional de Direito, explicitou sua visão jurídica sobre o prazo de 31 de dezembro para a resolução dos problemas dos profissionais extraquadros dos hospitais. Segundo ela, o prazo é para o MPOG e não para a UFRJ, já que a universidade não possui o poder de criar vagas de concursos.

Complexo Hospitalar

Araceli Cristina de Sousa, pró-reitora de Gestão e Governança, disse que não teria como a reitoria se comprometer com as entidades sem consultar os diretores dos hospitais, especialmente sobre a questão do Complexo Hospitalar. “Minha proposta é que foquemos nas questões de pessoal e estrutura. Resolvidos esses problemas, aí sim poderemos partir para outros caminhos”.

Francisco Carlos dos Santos, coordenador do Sintufrj, reafirmou a importância de existir um grupo de trabalho sobre o CH: “É claro que é preciso resolver as questões de pessoal e estrutura, mas também é necessário apontar um caminho de gestão que, para nós, é o Complexo”.

 

 

Com Ebserh, RJU será extinto dos hospitais

Uma discreta portaria do governo, publicada no Diário Oficial da União no dia 10 de outubro, diz bem o que o governo deseja fazer com os servidores estatutários dos hospitais: eliminá-los gradativamente do quadro até não restar (quase) nenhum.

O texto do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, vinculado ao Ministério do Planejamento, faz referência ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Dourados (MT).

Primeiro, a portaria (nº 32, de 9 de outubro) fixa um limite máximo para o quadro de pessoal  do HU em 1.162 empregados. Depois, vem o ponto preocupante: é informado que, desse total, 463 vagas correspondem aos estatutários, dos quais 461 poderão ser substituídos por empregados concursados pela Ebserh (em regime celetista) à medida que “se aposentarem ou quando, por qualquer razão, se extinguir o seu vínculo com o órgão de origem”. Ou seja, só permanecerão dois servidores RJU, muito provavelmente na direção da unidade.

Terminou, dia 8, sem acordo a audiência de conciliação entre funcionários, estudantes, professores e representantes da reitoria da Universidade de São Paulo (USP). A reunião, que durou cerca de duas horas, ocorreu no prédio do Tribunal de Justiça, no centro da cidade, e foi mediada pelo juiz Adriano Laroca. 

A ideia da audiência era chegar a um acordo para a saída do grupo de estudantes que ocupa a reitoria da universidade, desde o dia 1º do mês, em protesto por eleições diretas para reitor, votação paritária entre as três categorias (alunos, funcionários e professores) e fim da lista tríplice, que confere ao governador a escolha do reitor entre os três mais votados.

Durante a audiência desta terça-feira, os estudantes pediram a retirada do processo de reintegração de posse, solicitado à Justiça pela reitoria. A direção da universidade informou que não irá negociar enquanto os alunos não deixarem a reitoria. O juiz tem prazo de 48 horas para decidir sobre o pedido de reintegração de posse.

Os estudantes promovem neste dia 9 um ato unificado na Avenida Paulista, a partir das 16 horas, pedindo por mais democracia na USP.

Fonte: Agência Brasil

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