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Confira, na íntegra, o discurso de posse do presidente da Adufrj-SSind, Cláudio Rezende Ribeiro, em 16 de outubro. Cláudio, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, assumiu o cargo para o biênio 2013-2015:


Minha geração não lutou contra a ditadura... 

Nascemos e fomos criados após o AI-5. A repressão consolidada, inclusive, na forma de ensino, foi o que encontramos na maioria de nossas escolas.

Crescemos em um mundo dividido cada vez mais entre uma direita e a outra direita...

Aprendemos, por exemplo, o internacionalismo ao celebrarmos o gol de Maradona na Inglaterra em 86. O gol que vingava toda América Latina, mas que, ao mesmo tempo, simbolizava, no plano político, uma ditadura confrontando outra: a do golpe na argentina confrontando a da dama de ferro do liberalismo. Ditadura ou liberalismo, eis a questão!

Quando os anos cor de chumbo começaram a clarear, aprendemos o valor da luta a partir da derrota (traidora) da campanha pelas “Diretas Já” não aprovada (me lembro de ouvir a votação pelo rádio). E logo mais vimos Sarney assumindo o poder.

Já adolescentes, o muro de Berlim se desmoronava em nossa frente enquanto o futuro garoto propaganda da Louis Vuitton fazia a “abertura” da União Soviética (para quem não sabe Gorbachev fez campanha para a grife francesa em 2007, passeando de carro ao lado do Muro de Berlim)... O consenso do mundo “globalizado” se apontava como horizonte na nossa adolescência.

Ao mesmo tempo, no exato momento da liberação e experimentação sexual, surgiu a ameaça da AIDS e vimos o mundo condenar, além do prazer, mais uma vez, a homossexualidade como sendo homossexualismo, uma doença a ser evitada de um “povo” ameaçador que deve ser isolado. E as castrações só aumentaram desde então...

No mesmo vestibular em que fomos aprovados para entrar na universidade, foram aprovadas, em primeiro lugar!, as reformas neoliberais de FHC/Paulo Renato e, mais uma vez, fomos colocados como laboratório do consenso... Aprendemos o significado da precarização do trabalho do professor em nossas salas de aula com tantos professores substitutos dando um milhão de aulas ao mesmo tempo, enquanto surgiam tantos cursos de pós-graduação que acirravam a olhos vistos a disputa e a competitividade entre os nossos mestres (e doutores). Aprendemos a usar o Curriculo Lattes durante nossa Iniciação Científica (ainda em disquete e com certo apoio da internet discada, que também vimos nascer).

Aliás, acompanhamos o mundo se globalizando pelo mercado também ao sermos apresentados à ferramente da internet mas, logo mais, vê-la transformada e reduzida ao simples e hegemônico www.vendadequalquercoisa.com. Globalização que também nos foi ensinada a partir da guerra do Golfo, uma das inúmeras guerras que acompanhamos ao vivo pela mídia na construção do mundo do consenso.

Muitos da minha geração, ao se graduar, acreditando em tudo que haviam lhe ensinado, trabalharam duro e estão hoje realizando as Bolsas de Valores, as Copas do Mundo, Olimpíadas, Rock in Rios, EBXs, FUNPRESPs, MECs e MPOGs...

Ao nos formarmos, nossa geração, notadamente os de classe média pois os pobres seguiram sempre descartados de todo o processo de ascensão ativa prometida pelo consenso, nossa geração deveria se qualificar ainda mais. Deveríamos fazer pós-graduação. E mais, deveríamos ser sustentáveis, cada um por si, pensando sempre em nosso futuro comum e esquecendo o passado das diferenças e injustiças. A lógica verde que substituía os anos cor de chumbo nos colocava no patamar do competidor natural!

E é neste momento que a esperança que chegava ao poder nos mostrava a cara da traição (mais uma) e o apego ao consenso liberal, o amor e a serventia ao poder do capital, como diz, ironicamente, o Chico Buarque: vence na vida quem diz sim!. Vejam bem, para nossa geração, o PT não representou uma traição de parte de nossa vida adulta, mais uma fase do amadurecimento político do país... Significou a traição de um projeto, até então, de uma vida inteira, pois o PT nasceu quando ainda éramos crianças. Eu, que nunca militei naquele partido, acompanhava tudo de perto desde pequeno, todas as barreiras eram atropeladas, menos o PT, o mundo dual que desaparecera nos anos 90, o fim da história, o consenso, tudo isso morria na existência de uma estrela vermelha (sobretudo no meu caso que sou de BH). A traição, para nós, apesar de dura, foi pedagógica, no sentido mais conservador deste termo, e foi mais forte do que para os mais antigos, pois o que caiu na nossa frente foi todo o tempo de construção política de uma geração que tinha ali a resistência que nos acompanhava “desde sempre”. Vimos que uma vida inteira pode ser trapaceada... Pedagógico!

Ao fazermos pós-graduação, nesta mesma época, fomos submetidos a todos os processos de pressão naturalizados que muitos aqui só ouviram falar... Pois já eram doutores quando isso se efetivou de fato. Bolsas de mestrado e doutorado pífias e condicionadas a produtividade, assédio ininterrupto, pressão para aprender no tempo rápido aquilo que requer o tempo crítico. Nossos colegas, que deviam ser colegas, ao mesmo tempo estavam competindo conosco por bolsas maiores, querendo ou não, por mais linhas no Lattes, por rapidez, por mérito, por produtividade.

O verde e o chumbo se misturavam no consenso, nos transformando em “iguais perante a natureza da competição” para salvar e manter o capitalismo, para vencer, afinal: um mundo cor de verde-oliva!

Enfrentamos tudo isso, terminamos nossas graduações, nossos mestrados ou nossos doutorados aprendendo como o sistema funcionava...

Diante disso, nos tornamos excelentes! Ganhamos prêmios, bolsas, menções...E entramos na universidade para sermos professores passando nos concursos mais acirrados de todos!

(...)

A arrogância sempre foi um defeito da direita (não só dela, é verdade), mas quando alguém da esquerda se torna arrogante é porque está deixando seu lado direito crescer perigosamente...

A arrogância cega o poderoso, ele não vê o que está construindo em seu futuro... Ela ensurdece também, não adianta avisar o arrogante, por isso eu posso revelar aqui o que revelarei (se o arrogante te ouvir ele deixou de ser arrogante, mas não é o caso da direita brasileira).

São inúmeros momentos da história em que um poder que se crê total constrói sua própria ruína. O poder da igreja católica começou a ser destruído na europa quando o Papa Sisto V, para combater o protestantismo, fez um plano para a cidade de Roma, um plano geométrico, racional e humano; tentou conquistar a cidade católica e seus crentes pela razão de seu projeto, ali o papa ajudou a derrubar o império cristão ao adotar a lógica da racionalidade. A coroa portuguesa, ao decidir aprofundar a cobrança de impostos no Brasil para compensar a queda do preço do açúcar no mercado internacional, mandou funcionários para nossas então pequenas cidades, intensificando a burocracia e o poder; e a tensão de sua chegada acirrou de tal maneira a força política destas cidades que em breve as revoltas contra a coroa surgiriam exatamente ali onde o controle era maior. Mais recentemente, certos governantes não tem acreditado na voz das ruas e tem mandado bater em jovens e professores e as respostas não param de chegar... Anunciando sua derrocada...

Não quero ser otimista aqui, e nem quero justificar a agressividade como motor das mudanças... O poder global é enorme, o capitalismo está se aprofundando de maneira espetacular e violenta (aliás, cada vez mais pela e para violência). Mas temos que admitir que o consenso da globalização é arrogante. E eles não perceberam o que fizeram. Se queriam implementar a força única e total do mercado, deviam ter acreditado mais em si mesmos e acabado de uma vez com as instituições públicas! Não conseguiram...agora já era...

Vejam bem: aqueles da minha geração que não acreditam na universidade pública estão no mercado (pelo menos a maioria que é mais competente para este tipo de lógica)... Por acaso o senhor consenso achava que também nós, que passamos por todas as etapas de treinamento da ética do mercado, mas escolhemos a universidade PÚBLICA, o fizemos para por que gostamos do mercado? (o pior é que há aqueles que chegam aqui com esta ética, mas não diria que são maioria)...

Se viemos para o setor público, foi em gesto de resistência. Se viemos para o setor público, foi porque vivenciamos tudo aquilo que narrei, mas não gostamos e, principalmente, nós nunca acreditamos naquilo! (se acreditássemos estaríamos na bolsa de valores, etc... mas nos recusamos!!)

Sim, eles foram, de certa forma, enganados por nós! Viemos para a universidade pública para realizar um encontro que sempre foi adiado. Viemos aqui construir algo que nos foi sempre negado. Encontrar, vivenciar e construir, ampliando, o espaço público do pensamento e da ação...

Ao procurar a universidade, procurávamos um encontro de gerações: aqueles que lutaram nos anos de chumbo e sempre nos ajudaram a superar as dificuldades nos meios da barbárie competitiva (notadamente na própria universidade, todos os professores que, secretamente, nos apoiavam e nos ensinavam a sermos públicos, nos ajudavam a sobreviver no meio da competitividade sem os quais nunca conseguiríamos superar tudo aquilo a que fomos submetidos sem sucumbir... Nossos orientadores, conselheiros, amigos que nos ouviam, protegiam e que nos acreditavam!); e além destes, havia também o desejo de estar junto da outra geração que não para de nos dar lições de descontentamento e uso responsável e atrevido de liberdade, ironia e sem temor, a nova  juventude que cresceu vendo o consenso ruir em crises e nos alimenta de coragem e saber cotidianamente em nossas salas de aula, nossas pesquisas, nossos encontros políticos e nossas festas.

Estas duas gerações se encontram, enfim, com a nossa geração... aquela que usou papel almaço e lê em vinte línguas pelo google translator ao mesmo tempo, aquela que sabe como funciona o sistema, aquela que aprendeu a ser produtivista, aprendeu a ser “excelente” e disse: NÃO! Isso não será mais reproduzido! 

Este encontro representa a possibilidade de reconstrução de um fazimento de classe... Uma classe que tem como recorte a educação pública num cenário de conexões de lutas urbanas intensas. Devemos tomar consciência do nosso papel coletivo enquanto universidade pública e respeitar, agindo, o tempo estratégico da reconstrução do caráter público da universidade, tendo como tática encontros, rusgas, dissensos que renovem esta espacialidade, sempre pública, de nossa ação. Devemos abandonar o tempo da urgência como tempo único. O tempo da urgência é o tempo do mercado. Nossa ação necessita reaprender e reconstruir a dialética entre o tempo lento e o tempo rápido, entre a estratégia e a tática, entre o público e o privado! O Estado age, cada vez mais, seguindo o tempo da urgência. Pensam assim: até seu pensamento foi privatizado!

Eles não saberão enfrentar o que criaram... Não saberão lidar com o produtivismo à avessas, o produtivismo que não acredita na meritocracia, que ri da excelência e das metas. Querem metas? Sabemos fazê-las! Nós já vencemos essa luta ao chegarmos aqui. Eles não deviam ter-nos deixado encontrar. Está mais do que na hora de partirmos para o ataque. A universidade pública está presenciando aqui um encontro de gerações que não é cor de chumbo, nem é verde, esse encontro tem outra cor, é um encontro VERMELHO!

E não é apenas um encontro de gerações... É um em encontro de diferente setores... Quando foi a última vez que vocês viram os diferentes setores da universidade tão próximos? Quando foi a última vez que estudantes, trabalhadores técnico-administrativos e professores estiveram em sintonia, sem negar diferenças, tão afinada contra um projeto tão esmagador de nossa UFRJ e todas as outras IFES?

É importante percebermos isso e começarmos a dar uma resposta positiva, propositiva, pró-ativa, como eles chamariam, de retomada do nosso caráter público! Ampliando este caráter.

É por acreditarmos em uma universidade pública e autônoma que nossa campanha já foi forjada na luta contra a EBSERH, em conjunto com os outros setores... E o que conseguimos? Desmontar um consenso, nos fortalecemos e ampliamos o entendimento de quem somos. 

Esta luta contra a EBSERH é uma luta com caráter nacional e urgente, mas, ao mesmo tempo, é uma luta que se releva no plano estratégico, pois o entendimento do método de implantação destas reformas é fundamental.

Como eles agem? Como eles implementam as reformas? Existe algo que se reprete, existe um padrão...

Vejamos nossa nova carreira que foi imposta ano passado, como ela indica esse método, que é um trabalho que passa pela ilusão (sobretudo a ilusão de que o privado pode ser público, a ilusão da conciliação). Esses servidores do capital se forjaram na ilusão do mundo do consenso, são ilusionistas potentes... Mas nós enxergamos seus truques. Forjar consenso, fugir da norma, jogar com a imagem enquanto concretude, repetições que não cansam de fazer (pois é o que sabem). No caso da carreira, o que fazem? Utilizam do método da competitividade para pressionar aquele que deseja competir: no nosso caso, a competitividade é refletida na figura da avaliação! Assim, abusaram da tática da avaliação e da produtividade para convencer os professores, sobretudo os que ainda acreditam neste método quantitativista, de que sua carreira é boa para a universidade. Ora, se eu avalio e meço meus estudantes, formando rankings, eu também devo ser avaliado... A nova carreira se forja, assim, aproveitando esta ética conservadora de ensino, numa super avaliação que é diminuidora de diferenças e pluralidades. Ela parte do pressuposto que ensinar é medir, é avaliar, e se constrói a partir desta lógica, super avaliando e pressionando o próprio professor. Eles sempre fazem isso. Partem do senso comum da atividade, o reforçam, e aplicam sua reforma... No caso da EBSERH, o mesmo: havia o senso comum do assistencialismo dos HU´s em detrimento de seu caráter de ensino, reforçavam o senso comum do assistencialismo, mudando a natureza dos HU's ao impor sua reforma...que não funcionou na UFRJ e em várias outras universidades.

Para lutar contra esta carreira, portanto, não basta apenas sermos “lutadores sindicais” como diz o senso comum da luta. Devemos ser habilidosos ao repensarmos o que é ensino público. É na nossa prática cotidiana emancipadora que vamos começar a derrotar esse modelo horrível, ou seja: derrotar já construindo a nova universidade pública. Ousem, colegas! A sua sala de aula é pública, e não do mercado. Fugir do senso comum, tarefa primeira da universidade, deve ser um dos caminhos de nossa ação...

Os cursos de extensão, por exemplo, não são do mercado também...Isto é apenas seu senso comum... Eles podem, por exemplo, ser trabalhados em conjunto com nossos colegas técnicos administrativos para integrarmos nosso universo de ensino aprendizagem, respeitando estes que também são produtores de conhecimento e poucas vezes reconhecidos pela lógica autoritária que ainda persiste! A autonomia acontece  quando a praticamos.

Para isso, essa gestão da ADUFRJ deseja estar próximo do cotidiano do professor, pois é na construção de novas formas de luta que vamos ampliar nosso alcance e é isso que precisamos e desejamos fazer. Nossa luta também deve se juntar à luta dos estudantes desde as nossas propostas pedagógicas e práticas de ensino. Experimentemos! O senso comum diz que estudante e professor são uma oposição... Fujamos disso na hora de pensarmos nossas ações! Pois a universidade se fortalece quando tenta o novo! Somos um Sindicato de professores universitários, assumamos nossa responsabilidade histórica de experimentação também na construção da luta!

Novas formas de luta para derrotar aqueles que só sabem se portar de uma maneira única, e sem nunca abandonar bandeiras históricas que nos reforçam e balizam!

Uma luta intergeracional que se concretiza também na batalha pela aposentadoria justa! Seguridade, esta ação que concretiza o encontro solidário entre diferentes tempos e que está sendo, ou tentando ser, cooptada pelo FUNPRESP que a transforma em ativo individual “meritocrático”: quanto mais invisto, mais posso perder para o mercado: é para isso que serve! Não abandonaremos nossos antecessores à própria sorte (inclusive porque eles nunca nos abandonaram, os aposentados somos nós!). Muito menos acreditamos que viveremos sem a ajuda dos mais novos. Somos autônomos, não somos individualistas!!! Eles confundem isso!

Falando em autonomia, também confundem estado com universidade. Não podemos mais acatar a heteronomia presente sobretudo na pós-graduação para nos conduzir com nossas pesquisas, estão aqui também os estudantes de pós-graduação que certamente não toleram mais este tipo de controle. Por que acatamos isso? Por que nos condicionamos a isso; para conseguirmos bolsas ruins? Estamos fadados a fazer produção de relatórios e reprodução de conhecimento vazio em farta quantidade para conseguirmos bolsas ruins e algumas viagens para o exterior? Se somos doutores capazes e sábios, por que não começamos a ser autônomos também? O que temos a perder? Bolsas ruins? (e se oferecerem bolsas boas, sucumbiremos?)

Como construiremos um território da liberdade dentro da universidade para escancararmos a repressão que ocorre no resto da sociedade? 

É somente quando soubermos encarar de frente questões como racismo, homofobia, machismo que reinam também aqui dentro da UFRJ, e que o sindicato deve ajudar a destruir a partir de sua ação, é que poderemos nos referenciar enquanto crítica de fato!

Somente quando compreendermos a totalidade do ensino universitário, nos construindo enquanto classe, inclusive respeitando a educação infantil e fundamental de maneira a romper com os ideais arraigados de ensino como acúmulo conteudista; somente quando deixarmos de atribuir à infância um caráter diminuidor ao invés de exigir e esperar dela conhecimento que nos alimente para novidade é que poderemos nos referenciar como o contraponto que foi perdido na miragem do consenso! Neste caso, respeitar o CAp, esta periferia que sempre se faz centro nas lutas, respeitá-lo como um igual: significa desacreditar as hierarquias impostas pelo sistema meritocrático.

Ampliar a base, ouvir a base, renovar-se pela base. Uma base que se renova também com os novos campi da UFRJ que se juntam para ampliar o sentido público do ensino superior: Macaé e Xerém, novos espaços para estarmos e para nos renovar! Temos que conquistar novos espaços também nos campi tradicionais: Fundão, Praia Vermelha, FND, EEAN, Escola de Música... A espacialidade grandiosa da UFRJ demonstra o potencial de alcance da lógica pública que temos em mãos! Temos todo um território a ser conquistado...

Mas, obviamente, ao focar em nossa base, nunca descuidaremos de conectar lutas várias que, em conjunto, consolidam também a educação pública em sua prática. Solidariedade e cooperação com as outras universidades do Rio de Janeiro, aprendizagem e participação da nova configuração nacional, diante de tantas novas IFES, que se revela no território plural do ANDES, nosso querido sindicato nacional! Dialogar com diferentes setores, integrando lutas! Eu, particularmente, que debato o direito à cidade por tanto tempo não posso me furtar à Ampliação dos campos das lutas a favor do público e contra o capitalismo! O transporte público, o acesso à terra, ao trabalho, a saúde, ao lazer, a tantos temas que merecem respaldo, escuta e ação também na universidade que se faz como cidade!

Incansavelmente batalhar por mais verba para a educação pública, gratuita e socialmente referenciada. Em todas as lutas revelar o caráter de opção por investimento para o setor privado que todos estes governos têm feito sem exceção! 

E aqui vou concluindo minha longa fala. Não adianta apenas identificar a forma de ação do inimigo... Ele segue sendo poderoso e violento! Os próximos anos serão de lutas intensas (felizmente). 2013 se mostra um ano que revelou a ampliação da resposta popular ao consenso repressor, dando continuidade a um 2012 de tantas lutas nossas! Ano que vem, ano que vem...com Copa do Mundo (que sabemos muito bem que é a data marcada para o grande enfrentamento), além de Eleições Nacionais e Regionais (que sabemos muito bem que é a data marcada para o grande enfrentamento), seguido de 2015, que é o ano de preparação para o olímpico 2016 (que sabemos muito bem que é a data marcada para o grande enfrentamento), diante de todas estas lutas, devemos ser cautelosos, rigorosos e precisos. Não podemos nos descuidar, desde já, em mantermos nossa união e ampliar o número de colegas para participar dela. É tarefa de cada um aqui ajudar a reunir aqueles que não acreditam mais na balela do consenso. É tarefa de cada professor ajudar a aglutinar os colegas em suas unidades que não suportam mais tanta opressão e sobretrabalho! E que são muitos. Para reunirmos todos, o chamamento à luta não pode ser um só, meu, por exemplo, tem que ter a cara de cada um de vocês que aqui estão. Depois de tudo que minha geração viveu, eu não acredito em consenso nem mesmo para a convocação para a luta! O método tem que ser focado na diversidade que produz o concreto contraditório. Diversidade não significa separação! O consenso é que significa eliminação e silêncio! Não neguemos nossas contradições, saibamos usá-la para assustar e derrotar aqueles que estão no poder. Eles não saberão lidar com a diferença...

Eles não sabem o que vão enfrentar, pois enfrentarão o novo que se forja em total mescla com a experiência. Eles erraram, não deviam ter permitido que nos colocássemos em contato! Nunca poderiam ter permitido o encontro destas três gerações no mesmo ambiente de luta, em um espaço público!

Termino com Walter Benjamin em sua segunda tese “Sobre o conceito da história”:

“Então fomos esperados sobre a terra. Então nos foi dada, assim como a cada geração que nos procedeu uma fraca força messiânica, à qual o passado tem pretensão. Essa pretensão não pode ser descartada sem custo. O materialista histórico sabe disso.”

Ora, eles não sabiam disso, ou não teriam permitido a reunião de tanta força como a que vejo aqui hoje!

Muito obrigado pela paciência, boa noite, e boa luta!

“Uma democracia de fachada”

CIRO OITICICA/estudante da ECO-UFRJ 

Ciro Oiticica, de 25 anos, foi mais uma vítima da repressão do Estado. O estudante de Comunicação da UFRJ e de Relações Internacionais da PUC-Rio foi preso arbitrariamente no último dia 15, na escadaria da Câmara, enquanto, atuando como mídia-livrista, colhia informações sobre o início do confronto entre policiais e manifestantes. Naquela ocasião, foram presas 64 pessoas, das quais 20 menores de idade. A Polícia Civil autuou 43 pessoas no crime de formação de quadrilha, incluindo Ciro. Após passar quinze horas detido na Cadeia Pública Patrícia Acioli, localizada em São Gonçalo, em uma cela alagada e sem luz, o estudante foi liberado perto de 13h de quinta-feira (17/10).

Guilherme Karakida. Estagiário e Redação

 



Jornal da Adufrj: Como está a sua situação na justiça?

Ciro: O meu caso foi arquivado. Então, com o arquivamento, é como se estivessem completamente suspensos todos os procedimentos legais. Por enquanto, o caso é este. A minha vontade, porém, é que haja justiça. Portanto, o processo precisa ser julgado; e nós, inocentados. Quero que aqueles que cometeram os abusos sejam condenados, sendo obrigados a nos indenizarem pelo que ocorreu, tanto pelo abuso de autoridade quanto pelo constrangimento ilegal e pela difamação. Esse deveria ser o procedimento de agora, mas o que está acontecendo é o arquivamento.

Você crê que existe alguma chance de ser reaberto o inquérito?

Existe a chance, porque o inquérito foi arquivado. No entanto, não acho que isso vai acontecer agora. É uma prática recorrente que os casos sejam reabertos no futuro. Houve um policial, que, por apoiar os protestos de junho, teve o caso de um ano atrás reaberto só para que ele fosse preso ou sofresse alguma retaliação. Quando, na verdade, a repressão era por ele ter participado das manifestações.

De que forma você analisa o comportamento da polícia em relação ao manifestante?

Salvo raros casos de descontrole, de um ou outro policial, tudo que a polícia faz é comandado. Então, tanto a brutalidade como a omissão, que se caracterizaram em determinados atos, são ordens de um centro de comando. Toda responsabilidade pelas ações policiais precisam recair nos centros de comando.

Diante da rotineira truculência e despreparo da polícia militar, a pauta da desmilitarização da polícia retornou... 

A desmilitarização é um tópico fundamental. Se nós vivemos em uma democracia, como a polícia pode ser militar? Por que a ideologia que permeia essa instituição é uma lógica de guerra, na qual os cidadãos são inimigos ou estão abaixo da hierarquia do soldado? Ou seja, você subverte a lógica de um regime democrático, cujo princípio, em tese, é de servir o cidadão. A ordem, a hierarquia e a disciplina estão acima dos direitos dos cidadãos na mente dos policiais. A desmilitarização colabora na consolidação da democracia. 

Em relação à pauta se tornar realidade, isso aos poucos já vem acontecendo, pelo fato de o debate estar sendo levantado e haver uma proposta de lei no Congresso sobre o tema. Graças à mobilização das pessoas, existe um processo em andamento de transformação diante do escancaramento da falha e da imperfeição do modelo atual. Então, com o tempo, nós vamos conseguir transformar a polícia, a fim de consolidar uma democracia. Afinal, não há democracia se a polícia é militar.

A mídia, de maneira geral, condena a ação dos Black blocks, alegando que eles apenas quebram tudo. Você concorda com essa visão?

É uma visão simplista, porque a mídia não percebe que a ação dos Black blocks é também política. Eles não quebram por quebrar, não quebram para furtar os objetos e ter um ganho pessoal. Os Black blocks objetivam um ganho social, que é justamente o de pressionar ou de questionar algum modelo de sociedade. Então, não concordo com a visão da mídia sobre o tema, porque além de ser simplista, visa à criminalização dos manifestantes em vez de realmente questionar as suas práticas. A capa de O Globo de quarta-feira (16, dia seguinte à detenção) condenava a priori todos aqueles que haviam sido detidos. Chamavam-nos de vândalos, baderneiros, sendo que havia pessoas das mais diversas procedências, dos mais diversos perfis. Tinha trabalhador que estava passando a noite lá, morador de rua, vendedor ambulante, estudante, mídia-livrista. Eles colocaram tudo em um saco de vândalos. Até aqueles que, eventualmente, aplicam a tática Black block não estavam em uma atitude que a mídia poderia caracterizar de vandalismo. Naquele dia, a estratégia dos Black blocks era de não fazer nenhuma ação direta, justamente para identificar pessoas que poderiam estar infiltradas no movimento. 

EntrevistaOiticicaDiante desse cenário, a democratização da mídia precisa ser uma pauta mais discutida?

Também, porque bem ou mal, algo que acabou ocorrendo dentro dessa polêmica toda dos Black blocks é que a ação deles permitiu manter a atenção nas ruas, o debate político aberto. Eles faziam notícia, por meio das suas ações e táticas. Dessa forma, ficou impossível a mídia ignorar os movimentos sociais, não noticiar as reivindicações das ruas. A democratização da mídia precisa estar em pauta, a fim de que os cidadãos não vejam as depredações, e os atos mais radicais, com um único ponto de vista. A mídia mais democrática permite reverberar as vozes das pessoas que estão nas ruas e que querem ser representadas, que querem ver as suas reivindicações levantadas. Isso viabilizaria a saída desse estado de impotência, de ver as nossas pautas nem serem ouvidas, para um estágio mais de debate e aprofundamento das questões.

O Brasil sediará, daqui a um ano, a Copa do Mundo. Você acredita que as manifestações ganharão mais força com o evento?

Com certeza. Tendo em vista os megaeventos, a estratégia sistemática e deliberada da polícia é intimidar o cidadão. Isso, no entanto, provoca uma série de prisões arbitrárias. O Estado quer que o cidadão fique em casa, acomodado com os abusos que sofre diariamente. Eles querem que o detido desista de ir e que aquele que esteja em casa, após ver o número de detenções, sinta-se inseguro de ir às ruas. Esse sentimento de insegurança, aliás, justifica de certa forma ações mais truculentas por parte da polícia e leis mais repressoras. A população tem o poder, sim, de questionar a legitimidade desses eventos, como ficou comprovado na Copa das Confederações. Isso desperta medo nos investidores. O Itaú e a Ambev, por exemplo, já procuraram a Dilma, inclusive, pedindo uma garantia de que haveria a Copa do Mundo.

Qual foi a importância da UFRJ na sua libertação?

Fundamental. É importante que instituições de peso, como a UFRJ, posicionem-se nesse cenário bastante grave. Estamos em uma espiral de autoritarismo e de radicalização por consequência. Além disso, a atitude da universidade demonstra resistência da sociedade quanto a esse procedimento. Graças à postura da UFRJ, nós conseguimos denunciar com mais forças as arbitrariedades do Estado. Só tenho a agradecer à UFRJ pela sua ação e fico muito feliz que ela tenha tomado partido, assim como a Fiocruz e a PUC. Conforme mais instituições se engajam e mais pessoas aderem às reivindicações, maior o peso político para garantir o que é nosso por direito, de acordo com a Constituição.

O Ciro de antes e o Ciro depois da prisão. O que mudou?

Mudou a intensidade da minha convicção. Os abusos que sofri me permitiram perceber o quão grave é a situação, o quanto estamos vulneráveis e sujeitos ao Estado e o quão ilusória é a democracia que nós vivemos. Na verdade, o que se percebe é uma democracia de fachada, esclarecida, que finge o diálogo, do que propriamente uma democracia.

Comunidade rejeita ameaças de fechamento do hospital

Em atividade organizada pelo CA de Medicina, que contou com a presença de alunos, residentes, docentes e técnicos da universidade, foi duramente criticada a estratégia de ameaças de fechamento do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, em retaliação à não aprovação da Ebserh no Consuni

Reitoria presta contas de iniciativas de melhoria do hospital no dia 23

Elisa Monteiro. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Mais soluções e menos alarmismo para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Esse foi o tom de um debate organizado pelo Centro Acadêmico Carlos Chagas de Medicina, no dia 18. Na atividade, sobraram críticas à circulação de documentos (assinados por conselheiros do CCS no Consuni e pela direção do HUCFF) que mencionam, de forma explícita ou implícita, a desativação gradual de setores do HUCFF, no final do ano, como consequência da decisão do colegiado de suspender a contratualização com a Ebserh.

Os estudantes da Medicina engrossaram o coro de apoio às iniciativas da reitoria que buscam recuperar as condições de funcionamento do maior hospital do complexo da UFRJ. Foi anunciado que, no próximo dia 23, às 10h, no Auditório Alice Rosa do próprio HU, a Pró-reitoria de Gestão e Governança (PR-6) irá apresentar um balanço do que já foi feito naquela Unidade, desde junho, quando uma comissão da administração central passou a cuidar da manutenção predial, da engenharia e das compras de insumos básicos.

“Nem vai cair, nem explodir, nem fechar”, procurou contemporizar Luiz Feijó, diretor da divisão médica. “Fala-se muitas vezes desta forma para provocar uma resposta para as coisas”, justificou depois, afirmando que não tomou conhecimento de nenhum pedido de fechamento do HUCFF. No entanto, outros depoimentos confirmaram tais ameaças, proferidas inclusive em reuniões da Congregação da Faculdade de Medicina, no CCS e em documentos e falas públicas de dirigentes do HUCFF. Rosalie Correa, da Divisão Médica de Neurologia observou que há um aparente boicote às ações da reitoria: “A Araceli (Cristina, pró-reitora) já pediu às unidades que enviem uma listagem de insumos necessários para funcionamento e até agora não houve retorno”.  

Prazo do TCU é para o MPOG, não para a UFRJ

Surgiu no encontro a suposta data-limite de substituição dos técnicos precarizados (centenas de funcionários sem vínculo empregatício regular que atuam nas unidades de saúde) como sendo uma das justificativas apontadas pelos dirigentes do HUCFF para o fechamento do hospital. 

Luciana Boiteux (advogada e diretora da Adufrj-SSind) esclareceu que o acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) determina ao MPOG e ao Governo Federal, e não à UFRJ, a substituição daqueles trabalhadores, sendo este argumento utilizado pelos setores pró-Ebserh para causar pânico nos HUs e pressionar pela adesão à empresa. O prazo para essa substituição está, na verdade, “vencido há muito tempo”. E nem por isso os extraquadros foram mandados embora e os hospitais fecharam: “O problema é que a reitoria assume uma responsabilidade que não é dela, porque só quem poderia autorizar os concursos necessários seria o Ministério do Planejamento (e Gestão). A responsabilidade é do Governo, a universidade só pode pedir, mas não tira vagas da cartola”, sublinhou.

Boiteux informou, ainda, que tramita uma ação civil pública, proposta pelo Ministério Público Federal, que pede à Justiça a abertura imediata de processos seletivos para contratação emergencial de pessoal para substituir os terceirizados nos HUs da UFRJ, que está sendo acompanhada pela Seção Sindical. Em sua visão, o papel da universidade deve ser o de apoiar o pleito do MPF e dimensionar as necessidades de pessoal nos hospitais, bem como realizar o planejamento de curto, médio e longo prazo para reestruturá-los, ressaltando o total apoio da Adufrj-SSind à comunidade do HUCFF na luta para que o hospital possa retomar o seu papel histórico de referência na pesquisa, assistência e formação dos profissionais de saúde do Rio de Janeiro.

Na mesma linha, Fátima Siliansky, professora da Faculdade de Medicina, sublinhou uma auditoria do Tribunal de Contas da União (que motivou um encarte especial do Jornal da Adufrj, em agosto deste ano): “Não se trata apenas um problema de falta de pessoal. Há um caos gerencial na distribuição dos postos”, afirmou. Entre outros problemas administrativos, Siliansky destacou as constantes dispensas de licitações, favorecendo praticamente as mesmas empresas, nos últimos anos. 

Novo bode na sala

Na reunião, o professor Nelson Souza e Silva, Titular da Medicina, citou uma notificação da Secretaria Municipal de Saúde à UFRJ: caso as unidades de saúde não operem com emergências 24 horas ou com o funcionamento de um número mínimo de procedimentos cardíacos, os hospitais universitários correm risco de descredenciamento. Para Nelson, a medida espelha a política de restringir a saúde pública à atenção básica, reservando à iniciativa privada os serviços de alta complexidade.


Eleição para vagas do CCS no Consuni

O Conselho de Coordenação do CCS, na sessão realizada em 14 de outubro, deliberou pela realização de eleições nas Unidades do CCS para escolha de representantes do Centro no Consuni. Na categoria professor Associado, há vagas para um representante e seu suplente; na categoria professor Titular, apenas o suplente. O pleito ocorre nos dias 5 a 7 de novembro.

A inscrição dos candidatos está marcada para o período de 28 de outubro a 1º de novembro. Os interessados devem buscar a Decania do CCS (Bloco K – 20 andar, sala 20), das 9h às 16h.

Haverá debate com apresentação dos candidatos durante o Conselho de Centro do dia 4 de novembro, no auditório Hélio Fraga, no bloco K, às 10h. A apuração geral está prevista para 8 de novembro.

 

Divulgado calendário da eleição para o HUCFF

CalendarioEleitoralHUCFFDurante o encontro do dia 18, foi divulgado o calendário do processo eleitoral para a direção do HUCFF. A inscrição de chapas ocorre entre 28 e 30 de outubro. Haverá campanha de 4 a 22 de novembro. A votação acontece entre 25 e 27 do mesmo mês, com apuração no dia 28. A posse está marcada para 19 de dezembro. 

A expectativa dos movimentos organizados da UFRJ é que o pleito na maior unidade de saúde da instituição possa ser realizado no prazo e de forma democrática, sendo uma etapa essencial à superação dos problemas atuais enfrentados pelo HUCFF.

 

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), em greve, bloquearam por algumas horas dois portões de acesso do campus do Butantã, na zona oeste, dia 18. O ato foi uma forma de pressionar o reitor João Grandino Rodas a atender a pautas como eleições diretas para reitor e o fim do convênio da USP com a PM.

Black blocs?!

Os black blocs são anteriores às manifestações antiglobalização em Seattle (EUA), durante reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas foi nessa época, estávamos em 1999, que os grupos de mascarados vestidos de preto ganharam visibilidade política, no confronto direto com as forças da repressão. Antes de Seattle, os black blocs (que podem ser melhor entendidos menos como um grupo e mais como uma tática) já haviam aparecido no cenário europeu. Eram um viés alternativo da esquerda, segundo informa o jornalista Bruno Fiuza. Os primeiros black blocs surgiram na Alemanha Ocidental em 1980, “no seio do movimento autonomista daquele país”, relata Fiuza, que também é historiador.

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Bruno Fiuza recomenda a quem quiser se informar melhor sobre o movimento autonomista europeu o livro The Subversion of Politics – European Autonomous Social Movements and the Decolonization of  Everyday Life. 

Escrito pelo militante e sociólogo americano George Katsiaficas, o texto está disponível para download em  http://www.eroseffect.com.

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A resistência à construção de usinas nucleares na então Alemanha Ocidental, no fim dos anos 1970, fez surgir o movimento autonomista. 

Além da mobilização contra as usinas, ocupações urbanas nas grandes cidades foram o outro ponto de aglutinação dos autonomista alemães.

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A presença de black blocs nas ações do movimento dos autonomistas era apresentada com “a função original de servir de força de autodefesa contra os ataques policiais às ocupações e outros espaços autônomos”, informa Bruno Fiúza.

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A tática black bloc se espalhou da Alemanha para o resto da Europa.

No fim dos anos 1980, os Estados Unidos viram os primeiros blocos negros. Foi em 1988, para protestar contra os esquadrões de morte financiado pelo governo americano em El Salvador. 

Nos anos 1990, black blocs intensificaram sua presença nos EUA “mas a tática permaneceu praticamente desconhecida do grande público até que um bloco negro se organizou para participar das manifestações contra a OMC em Seattle em novembro de 1999”, informa Fiuza.

“A partir de Seattle, os black blocs passaram a realizar ataques seletivos contra símbolos do capitalismo global”, diz o jornalista.

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“Nesse contexto”, explica Bruno Fiuza,  “o ataque a uma loja do McDonald’s tinha um efeito simbólico importante, de mostrar que aqueles ícones não eram tão poderosos e onipresentes assim”. 

Por trás da fachada divertida e amigável da publicidade corporativa, havia um mundo de exploração e violência materializado naqueles logos.

“Ou seja: o black bloc de Seattle inaugurou uma dimensão de violência simbólica que marcaria profundamente a tática a partir de então”, conclui Fiuza.

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Ele diz que, a partir daquele momento, os black blocs, até então um instrumento basicamente de defesa contra a repressão policial, tornaram-se também uma forma de ataque – mas contra os significados ocultos por trás dos símbolos de um capitalismo que se pretendia universal, benevolente e todo-poderoso.

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Foi nesse contexto que a tática chegou ao Brasil.

Os acontecimentos de Seattle levaram grupos de militantes brasileiros a se articularem em coletivos para construir no país o movimento de resistência mundial à globalização neoliberal.

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Em São Paulo, um grupo entre os manifestantes adotou a mesma tática do black bloc de Seattle, em 1999, e atacou símbolos capitalistas na Avenida Paulista, como uma loja do McDonald´s. 

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Assim, os black blocs estavam longe de ser uma novidade no Brasil quando irromperam os protestos de junho último.

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