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Na opinião do professor Laurindo Lalo Leal Filho, da ECA-USP, a Ley de Medios que regula a atividade dos meios eletrônicos de comunicação na Argentina representa um passo “gigantesco” na luta pela democratização da comunicação. Na terça-feira 29, a Suprema Corte do país decidiu pela aplicação integral da lei aprovada pelo Congresso Argentino em 2009. O tribunal considerou constitucionais os quatro artigos contestados pelo Grupo Clarín, um dos maiores da América Latina na área das comunicações – espécie de Organizações Globo da Argentina. Lalo Leal Filho – um dos convidados do recente encontro de comunicação do Andes-SN – aborda aspectos da decisão dos juízes argentinos. 

 
Lalo informa que a Ley de Medios foi feita por acadêmicos e políticos argentinos.
Ele diz que sua importância não é só para a comunicação. Essa decisão – diz o professor – repercute na democracia de todos os países.

AAADIVISAO

O professor diz que a lei já está mudando o panorama audiovisual na Argentina porque está em vigor há quatros anos. Só não estavam os quatro artigos que foram considerados constitucionais, agora, pelo tribunal.
“É impressionante o número de emissoras e o número de produções que foram criadas nesses quatro anos”, registra o professor no site Conversa Afiada.
Lalo frisa que a lei é de audiovisual: “ela trata apenas dos meios eletrônicos – não tem nada a ver com mídia impressa.”

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Agora, ele passa a explicar o conteúdo dos quatro artigos considerados constitucionais pela Suprema Corte em Buenos Aires na semana passada.
O primeiro dos artigos, o de nº 41, torna as concessões intransferíveis. 
“Não pode ocorrer, como ocorre aqui no Brasil, de o empresário receber a concessão e, um tempo depois, vender como se ele fosse o dono”, comenta Lalo. 

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O artigo 45 é o que limita o número de concessões. 
 
“É pra acabar com a farra, porque o Clarín possuía 240 licenças de TV a cabo pela Argentina – portanto, é para acabar com o monopólio –, diz o professor.
Ele explica que, a partir de agora, há um limite de frequência para cada grupo empresarial e há um limite na abrangência da audiência.
A audiência nacional não pode ser superior a 35% da população. 
Há um limite de mercado para que não haja monopólio, para que outras vozes possam ser ouvidas em um mesmo mercado.

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O terceiro artigo da Ley dos Medios questionado pelo Grupo Clarín (a Globo da Argentina) e considerado constitucional pelo tribunal é o de nº 48.
Este artigo descarta a figura do direito adquirido para as empresas que têm um número maior de licenças do que o previsto na lei.
 
A lei estipula um limite para as concessões, mas o Clarín argumentava que ele tinha direito adquirido sobre as licenças que ele tinha antes da lei.
 
Portanto, o Clarín tem que devolver as licenças – esse é o grande problema contra o qual eles se debatiam – para o órgão regulador. 

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O artigo 161, que ainda provoca alguma dúvida, é aquele que dava prazo de um ano para as empresas se adaptarem à lei. 
 
O Supremo considerou esse artigo constitucional. “A dúvida que fica é se esse prazo começa a ser contado da aprovação da lei – portanto há quatro anos – ou se a partir de agora”, observa Lalo Leal Filho, que é doutor em Ciências Sociais e autor de livros sobre sociedade e televisão.
 
 
BRASIL
Lalo diz que o Brasil está atrasado com relação à Europa e aos EUA em mais de 80 anos. “Lá tem órgãos de regulação e leis”. Diz, também, que o país está ficando para trás com relação aos seus vizinhos latino-americanos (além da Argentina), Uruguai, Equador, Venezuela.
Ele faz outra observação: “A Ley de Medios argentina foi gestada na universidade, depois nos sindicatos, e colocada em debate nas ruas.  
A universidade brasileira tem uma dificuldade muito grande em se aproximar dessa discussão, não contribui”.

Encontro do Sindicato Nacional reúne 144 docentes dos três setores (federais, estaduais/municipais e particulares) com o objetivo de debater propostas para o próximo Congresso da categoria

VII Intersetorial aconteceu entre os dias 25 e 27 de outubro

O ano de 2014 deve ser da Educação, concluíram os docentes participantes da sétima edição do Encontro Intersetorial do Andes-SN. No evento, realizado em Brasília entre os dias 25 e 27 de outubro, a categoria mais uma vez mostrou disposição para a luta pela Educação pública, gratuita e de qualidade, uma das principais bandeiras do Sindicato Nacional. O Encontro reuniu 144 docentes, entre diretores e representantes da base, com a presença de 62 Seções Sindicais dos três setores do Andes-SN representadas – federais, estaduais/municipais e particulares. 

“A grande participação que tivemos no VII Intersetorial é muito importante para nós e reafirma que o Andes-SN está no caminho certo para a construção da unidade necessária para barrar os ataques do governo que têm sido constantes contra os docentes e toda a classe trabalhadora”, afirmou a presidenta do Andes-SN, Marinalva Oliveira, no encerramento do Encontro.

“Os desafios do Sindicato Nacional foram debatidos e agora é importante retornar às bases, discutir tudo que foi dito aqui e organizar propostas para deliberarmos no nosso 33º Congresso, tanto sobre nossa forma organizativa quanto em relação à centralidade da luta do Andes-SN”, acrescentou Marinalva. O próximo Congresso do Sindicato Nacional ocorre em fevereiro de 2014, em São Luís (MA).

Unidade com outros trabalhadores da Educação

Entre os desafios, Marinalva destacou a necessidade de organização dos docentes em locais onde há atuação do Proifes (braço sindical do governo nas universidades) e nas instituições multicampi, além da construção do Encontro Nacional de Educação de 2014, em conjunto com outras entidades. “É importante que as Seções Sindicais se organizem junto aos demais trabalhadores da Educação em cada estado, fortalecendo a CSP-Conlutas, que é a nossa central e tem mostrado estar do lado dos trabalhadores, na realização dos encontros estaduais de Educação, para construirmos a unidade no setor, envolvendo os professores, técnicos, estudantes e toda a sociedade”. 

Para Marinalva, a unidade entre os docentes e demais entidades é o que dará força ao movimento. “Diante de todos os ataques que se acirram dia e noite em todos os setores, e também no conjunto dos trabalhadores da sociedade brasileira, o grande desafio é construir a unidade de acordo com os princípios que norteiam o Sindicato com todos aqueles que estão dispostos a lutar. Assim teremos mais força para enfrentar tudo que está por vir frente ao avanço do capital”.

Novas publicações do Sindicato

No início da manhã do evento, o 1º vice-presidente do Andes-SN e encarregado de Imprensa, Luiz Henrique Schuch, apresentou aos docentes dois materiais produzidos recentemente pelo Sindicato Nacional: a cartilha de sindicalização e a segunda edição da Revista Dossiê Nacional 3: Precarização das Condições de Trabalho 2. A cartilha, distribuída aos participantes do Intersetorial, já foi encaminhada às Seções Sindicais. Já a Revista encontra-se em revisão final com previsão de ir para a gráfica nos próximos dias. “Estamos entrando em outro momento da campanha. Esta cartilha é um instrumento de frente para o diálogo com a categoria”, afirmou Schuch. (Fonte: Andes-SN. Edição: Andes-SN).

 

Ex-diretores são homenageados

O Centro de Documentação (Cedoc) e a Sala de Reuniões do Andes-SN receberam, dia 26, o nome de ex-diretores do Sindicato: Osvaldo de Oliveira Maciel e Edmundo Fernandes Dias, respectivamente. A homenagem aconteceu durante o VII Encontro Intersetorial, em Brasília. 

A presidenta do Andes-SN, Marinalva Oliveira, fez o descerramento das placas com o nome dos dois professores. “O Maciel foi o primeiro presidente desta entidade quando ainda era Associação. Ambos estiveram na fundação do Andes-SN e foram fundamentais para a consolidação desse sindicato. Homenageá-los é uma forma de prestar homenagem a todos os companheiros e as companheiras que contribuíram para a construção e o fortalecimento do Andes-SN e da nossa luta”, observou Marinalva.

Histórico

Osvaldo de Oliveira Maciel foi o primeiro presidente do Andes-SN, em 1982. Docente Titular do departamento de Ciências Fisiológicas, do Centro de Ciências Biológicas da UFSC, Maciel faleceu em 12 de dezembro de 2005.

Edmundo Fernandes Dias também teve participação ativa na criação e construção do Andes-SN, tendo ocupado, por diversas vezes, cargos na diretoria da entidade. Ele era docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e faleceu no dia 3 de maio deste ano. (Fonte: Andes-SN. Edição: Adufrj-SSind)

Diretor promete entregar o cargo em dezembro, alguns meses antes do fim do mandato. Falta de segurança e de pessoal para o prédio novo do curso, inaugurado em agosto, são as razões da medida drástica

 

Primeira turma do período noturno não se formará no tempo previsto

Elisa Monteiro. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O curso de Farmácia possui um prédio novo em folha desde 30 de agosto deste ano. O que seria motivo de orgulho, porém, virou preocupação. Financiado com recursos do programa de reestruturação e expansão das universidades (Reuni), a instalação sofre com a falta de segurança e de pessoal. 

“O único prédio do Reuni que subiu no prazo”, como destaca o diretor da Faculdade de Farmácia, Lúcio Cabral, fica de frente para um estacionamento sem iluminação. “As lâmpadas não são trocadas há meses. Só em 2013 foram três sequestros-relâmpago, de duas professoras e uma estudante”. Todos no local e à mão armada. Lúcio afirma que outras “inúmeras ocorrências menos graves, mas também graves” poderiam ser citadas ainda.

Curso noturno: elo mais frágil

De acordo com o diretor, os alunos do Reuni são os mais atingidos pela “situação crítica” da segurança, pois a expansão do curso foi realizada por meio da oferta de vagas noturnas. Há mestrados com aulas à noite, mas são uma minoria. Já na graduação, um indicativo do problema pode ser avaliado pela evasão. Segundo Lúcio, a desistência entre os alunos diurnos gira em torno de 12%; entre os noturnos, salta para 20%.

A opção da Unidade foi abrir as mesmas 80 vagas nos dois turnos para atender ao público que trabalha. Mas, para Lúcio, a universidade não se preparou adequadamente para o desafio: “Não me serve uma segurança que vai até às 17h ou um transporte de dez em dez minutos durante o dia, se, à noite, até os ônibus internos da UFRJ levam 40 minutos para aparecer”. 

Primeira turma não fecha

No sétimo período, a primeira turma de Farmácia pós-Reuni não deve se formar no prazo previsto. “As aulas deveriam ser entre 18h e 22h30. Mas só depois soubemos que a universidade não pagaria horários noturnos (para servidores)”. De acordo com Lúcio, a solução mais provável é a extensão por mais um ou dois períodos para completar a grade regular do curso. “Não admitiríamos uma expansão baseada em curso inferior”, disparou. Segundo o dirigente, outro caminho seria começar as classes mais cedo: “Mas o horário de 17h tira a possibilidade para quem trabalha, que, no caso, é o principal público”.

A Congregação da Farmácia do último dia 23 encaminhou uma série de requisições à administração central. Dentre elas, melhor iluminação e o aumento do policiamento da universidade em parceria com órgão como as Polícias Civil, Militar e Federal. “A ideia não é o cerceamento acadêmico, mas o patrulhamento nas áreas externas comuns.  

Falta de pessoal

O segundo problema para a Farmácia diz respeito à falta de pessoal. Os concursos garantidos pelo Reuni limitaram-se aos docentes. Lúcio queixa-se da ausência de apoio técnico como engenheiros, pessoal administrativo e contábil para concretizar a expansão: “Quem vai firmar contratos, acompanhar obra e executar os pagamentos? Eu?”, questiona. Atualmente, o diretor afirma contar com dois profissionais de limpeza e quatro porteiros cedidos pelo Centro de Ciências da Saúde, mas o “combinado com a reitoria” seriam sete faxineiros e seis vigilantes. Além de técnicos-administrativos para a biblioteca e laboratórios. Segundo o diretor, os pedidos por pessoal de apoio são constantes.

Ramais “emprestados”

O prédio “100% acadêmico” (o restante da faculdade continua no CCS) abriga 1,4 mil alunos. Erguido em dois anos, com R$ 5,1 milhões e equipado com R$ 2 milhões de recursos do Reuni, dispõe de duas salas de aula, cinco laboratórios, um auditório, biblioteca e laboratório de informática. No entanto, ainda não possui sequer rede telefônica. Os ramais, puxados da antiga estrutura da Farmácia, no CCS, saíram de “cinco abençoados”, brinca o diretor, “que ficaram sem telefone”. A manutenção do elevador de acessibilidade do novo prédio é custeada privadamente pelo dirigente. “Fazer o quê? A alternativa era deixar os cadeirantes sem acesso à biblioteca no segundo andar”, justifica.

Para Lúcio, a causa da “democratização da universidade” é correta, mas na UFRJ “não se operacionaliza”. Em sua visão, sem institucionalização adequada, o projeto acaba dependendo “da boa vontade” e “engajamento de alguns”. “Seria injusto falar em negligência. Mas ficamos abandonados para concluir esse processo”, queixa-se. 

Afastamento em breve

Cansado, o diretor pretende formalizar seu afastamento da direção da Unidade, na próxima Congregação, prevista para dezembro. Lúcio diz que pretendia deixar o cargo ainda em outubro como “forma de pressão política”. Mas “a pedido dos estudantes da noite”, permanece no posto até a próxima reunião do colegiado, que deve aprovar uma carta mais completa sobre as demandas do curso. O mandato oficial do dirigente se encerraria em março do próximo ano.

 

Reitoria responde a parte dos questionamentos

A reportagem do Jornal da Adufrj entrou em contato com a assessoria de imprensa do reitor para falar dos questionamentos do diretor da Farmácia. 

Por e-mail, foi informado o aumento do patrulhamento e de segurança patrimonial no campus (leia, nas páginas 6 e 7, matéria específica sobre o tema e nota política da direção da Adufrj-SSind). “Em relação ao transporte externo: a Prefeitura Universitária teve reunião com a Secretaria Municipal de Transportes do Rio e comunicou as demandas dos usuários de linhas que circulam no campus. Neste momento, a UFRJ aguarda retorno das demandas por melhorias apresentadas neste encontro. Em relação ao transporte interno, a Prefeitura Universitária informa que os ônibus da UFRJ contemplam os períodos noturnos – as linhas Alojamento e Vila Residencial circulam 24 horas por dia. A equipe de manutenção da Prefeitura Universitária também está fazendo a substituição de lâmpadas no local, compradas pelo CCS”.

Ainda em relação ao estacionamento nas imediações do prédio da Farmácia, a assessoria de imprensa do reitor observa que “a empresa responsável pelo estacionamento do CCS foi notificada pela PR-6, para interrupção dos serviços. No entanto, a decania solicitou permanência do serviço terceirizado até final do contrato. Assim que o estacionamento do CCS retornar à UFRJ, as medidas já aplicadas aos demais serão implementadas também no local, como o monitoramento através de guarda de bicicleta”. 

Não houve retorno das perguntas relacionadas a pessoal.

As adesões para o convênio firmado entre a Unimed e a Adufrj-SSind vão acontecer para o mês de janeiro com carência zero. As inclusões

(para janeiro) serão feitas de 13 de novembro a 19 de dezembro.

Plantões

Os plantões especiais de atendimento aos professores interessados em aderir ao plano voltam a ocorrer em:

12 de novembro (terça-feira), na sala de administração da decania do CCJE, no campus da Praia Vermelha, de 10h às 15h;

13 de novembro (quarta-feira), na sede da Adufrj-SSind (CT, Bloco D, sala 200), no Fundão, de 10h às 16h;

18 de novembro (segunda-feira), novamente na sala de administração da decania do CCJE, de 15h às 18h.


Nova tabela

A nova tabela, com o reajuste anual da operadora, pode ser conferida nesta página. O próximo aumento só vai ocorrer em dezembro de 2014.


Agendamento

Mais informações sobre o plano de saúde, entre em contato com o telefone 9969-1348 (Solange) ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Relação de documentos exigidos para a adesão ao plano

1) O professor titular do plano: contracheque atualizado, comprovante de residência, identidade e CPF.

2) Dependente (esposa(o) ou companheira(o)): certidão de casamento ou Declaração de União Estável lavrada em cartório, mais identidade e CPF. 

3) Filhos: certidão de nascimento, identidade e CPF.

Importante: O sindicalizado que desejar ingressar no plano deverá fazê-lo sempre até o dia 20 de cada mês para poder ter direito a partir do dia 10 do mês seguinte.

 

OPCIONAIS

Odontológico    Valores em negociação  
Unimed-dental 
SOS Unimed
SOS Viagem
Transporte
aeromédico

 

ADICIONAIS GRATUITOS

Unimed-farmácia e Unipsico: atendimentos psicológicos  personalizados, seguro de vida e benefício família.

 

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Reitoria anuncia aumento de vigilância terceirizada e de policiamento militar na universidade. Enquanto isso, área de segurança institucional sofre desmantelamento por imposição do governo federal

 

Último concurso na Diseg foi na década de 1980 

Elisa Monteiro. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

A questão da segurança na UFRJ encontra um flanco aberto no desmonte da vigilância institucional. O último concurso público para o setor remonta à década de 1980, assim como boa parte dos equipamentos utilizados. A consequência direta desta política do Ministério do Planejamento é o crescimento do serviço terceirizado em todos os campi. Também aumenta a inquietante presença da Polícia Militar, especialmente no Fundão, conforme anunciado recentemente pela reitoria na página eletrônica da universidade. A Pró-reitoria de Pessoal (PR-4) informa que “as vacâncias do cargo de vigilante não geram códigos de vaga que permitam à UFRJ fazer a reposição”.

Enquanto eram entrevistados para o Jornal da Adufrj sobre o assunto, Jorge Trupiano e Juscelino Ribeiro, coordenador e diretor respectivamente da Divisão de Segurança da universidade (Diseg), receberam das mãos de um colega “mais um pedido” de autorização de contratação de segurança privada. “Isso aqui é direto”, aponta Trupiano. “Com o Reuni (programa de reestruturação e expansão das universidades federais), a demanda aumentou muito”, conta Juscelino. A administração central da UFRJ declarou que, até agosto, havia 322 postos de segurança patrimonial contratados. Hoje, são 459 postos. “Desses, oito atuam no Polo Xerém, 30 em Macaé e 421 nos campi do Rio de Janeiro”, informou a assessoria da reitoria por e-mail.

O nó da questão

13110462Reitoria anunciou aumento de carros da PM no patrulhamento da Cidade Universitária. Foto: Kelvin Melo - 07/03/2012Com quase trinta anos de carreira, o coordenador e diretor da Diseg contam que entraram no mesmo, e último, concurso público realizado pela universidade para vigilantes, em 1988. A função não foi extinta por lei na década de 1990 como outras “de apoio” – como porteiro, jardineiro e outras relacionadas à limpeza. “Mas houve uma extinção política”, avalia Juscelino. A Pró-reitoria de Pessoal (PR-4) informa que “as vacâncias do cargo de vigilante não geram códigos de vaga que permitam à UFRJ fazer a reposição”.

A quase totalidade da equipe da Divisão de Segurança da UFRJ está na casa dos cinquenta ou sessenta anos. “A maioria já tem tempo para aposentadoria. Está aqui só para não deixar que a Divisão acabe mesmo”, explica Trupiano. Os poucos “resistentes” trabalhavam com coletes de proteção com mais de quinze anos (somente no início de outubro, a reitoria anunciou a entrega de novos equipamentos aos vigilantes concursados). Juscelino e Trupiano ainda usam as armas que receberam assim que ingressaram na universidade. 


Na avaliação dos profissionais da Diseg, os serviços da maioria das empresas contratadas pela UFRJ não podem ser considerados de baixa qualidade. No entanto, não há comparação em relação aos profissionais de carreira. “A maioria (de concursados da Diseg) possui nível superior. E todos conhecem a fundo a administração e o funcionamento da vida universitária”, explica Trupiano. “Não deixamos um plantão sem uma vigilante para atender às vítimas, caso sejam mulheres, por exemplo. Temos uma série de preocupações que são, digamos assim, diferenciais mesmo”, orgulha-se.

Fuzis

Além das firmas particulares, soma-se ao delicado quebra-cabeças da segurança da UFRJ outro complicador: a Polícia Militar (PM). Incorporada à vida acadêmica para responder à criminalidade nos campi, em especial, aos sequestros-relâmpagos na Cidade Universitária, Ilha do Fundão, a PM causa arrepios pelo seu histórico.

Recentemente, depois de gerar desconforto na comunidade universitária, não será mais permitida a presença de policiais nos bandejões. Os PMs faziam as refeições com os fuzis pendurados às costas. O acerto ocorreu numa reunião entre a Prefeitura Universitária e a corporação.

 

 Reitoria aposta na polícia

13110471Câmeras de vigilância estão sendo espalhadas pela ilha do Fundão: serão 99 equipamentos. Foto: Marco Fernandes - 16/10/2013Por e-mail, a reitoria informou ao Jornal da Adufrj que reorganiza uma nova logística de patrulhamento no Fundão “integrada entre a segurança da universidade, organizações parceiras e a PM”. No dia 8, o reitor Carlos Levi e o prefeito da universidade Ivan Carmo reuniram-se com a cúpula da Polícia Civil para acertar ações investigativas a fim de reduzir a violência na Cidade Universitária. A Divisão Anti-Sequestro (DAS) foi incorporada ao plano.  

Em nota pública, a reitoria anunciou “um conjunto de outras medidas”, como o atendimento à “antiga reivindicação dos vigilantes da Coordenação de Segurança (Diseg), que receberam coletes de proteção e tomarão parte de uma estratégia coordenada para aumentar o número de rondas nas vias da Cidade Universitária, inclusive orientando vigilantes das empresas do Parque Tecnológico”. Ainda segundo a nota, o 17º BPM (Ilha do Governador) irá aumentar para oito o número de carros no patrulhamento ostensivo da Cidade Universitária, principalmente nos seus acessos.

 

Conheça as estratégias diversas

Para minimizar o problema de insegurança, no campus do Fundão, uma série de iniciativas está em curso:

Patrulhas de bicicleta 

Novidade na Cidade Universitária, o patrulhamento por seguranças em bicicletas é feito por dez duplas (20 agentes) que atuam de 7h e 19h. Os seguranças circulam ao redor das quadras e percorrem a frente, laterais e fundos dos edifícios; e têm acesso a áreas em que a PM não está autorizada a entrar, como os estacionamentos: “Há momentos em que ficam parados, observando a movimentação nos estacionamentos para entrarem em ação quando notarem algo suspeito” informou a administração central. 

Os agentes operam no regime de 12 por 36 horas (trabalham 12 e descansam 36) e dispõem de radiocomunicadores para dar velocidade à comunicação com a Polícia Militar. Segundo a reitoria, o contrato prevê “que o número de agentes pode chegar a 50”. 

São considerados positivos os resultados da iniciativa. “Não houve registro de ocorrências desde então. Os agentes têm acompanhado pessoas que solicitam ajuda nos estacionamentos, caso se sintam inseguras para andar nos locais”.

 Portão nº 4 fechado

Depois do sequestro-relâmpago de um professor da Coppead, no dia 21 de setembro, o Portão nº 4 de acesso ao campus foi fechado a pedido do 17º Batalhão de Polícia Militar (Ilha do Governador) para reformulação de uma estratégia de ação para a região. Segundo a reitoria, este é o portão “que registra menor movimento de carros e sua interdição não traz grandes transtornos ao trânsito na Cidade Universitária”. A reabertura depende de uma indicação da PM.

Câmeras e cabines

Há ainda o reforço ao sistema de controle por câmeras de monitoramento e cabines no Fundão. Serão 99 equipamentos “em locais estratégicos”. “Boa parte estará em funcionamento até o final do ano”, diz nota publicada na página eletrônica da universidade.

Quanto às cabines de segurança, há previsão de dois novos pontos: um entre o Centro de Tecnologia e o Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (Av. Athos da Silveira Ramos) e outro entre a Faculdade de Letras e o Bloco H do Centro de Tecnologia (Av. Horácio Macedo).

 


Segurança não é sinônimo de policiamento

O debate a respeito da segurança na UFRJ não pode ser encarado como sendo “caso de polícia”. A confusão alimentada pelo senso comum que afirma ser o policiamento sinônimo de proteção limita as ações ao que tem sido feito ultimamente: maior contingente de policiais, mais aparatos de vigilância e controle de mobilidade; típicas ações militarescas. 

Pensar segurança universitária é trazer o debate da segurança para o olhar universitário, cruzando saberes e repensando ações dinâmicas que pautam, ao mesmo tempo, segurança e liberdade; palavras que soam contraditórias ao senso comum que associa segurança (de uns) à prisão (de outros).

A segurança deve, assim, alcançar outras instâncias de debate como a autonomia. Somos nós, comunidade universitária, que devemos decidir o que consideramos ser um ambiente de segurança e as formas de ação que o garantirão. Sendo a universidade lócus privilegiado de experimentação de práticas sociais, o debate a respeito da segurança passará pelo questionamento, e não pela repetição, de práticas cotidianas deste campo. A construção de aparato de segurança próprio para o ambiente de liberdade da universidade deve servir de espelho crítico à segurança consagrada pela reprodução social padrão.

Outras formas de abordagem surgirão quando a universidade decidir pensar sua segurança a partir de sua interdisciplinaridade, ampliando suas atuações: não pode haver um campus seguro sem transporte de qualidade para todos. Também a ocupação de espaços vazios, criando locais de encontro e permanência bem estruturados e mantidos, que reforcem a convivência segura. Por fim, ampliar as moradias nos diferentes campi, dando melhores condições aos estudantes de se manterem e criando maior dinâmica nos espaços da UFRJ.

São diversas ações possíveis que podem ser realizadas pela universidade e para a universidade: a Adufrj também deve enfrentar este tema que é profundamente necessário para garantir as melhores condições de trabalho na UFRJ.

Diretoria da Adufrj-SSind

 

Morte no Colégio Brasileiro de Altos Estudos

Alexandre Gomes, 19 anos, faxineiro terceirizado no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ (CBAE), Avenida Rui Barbosa 762, Flamengo, foi morto no local por um tiro na cabeça no dia 23 de maio deste ano. A arma do disparo pertencia a Teo Anderson Salgado, 29 anos, vigilante também terceirizado. Os dois eram amigos. De acordo com a assessoria de comunicação da reitoria, não há informação conclusiva do inquérito policial sobre o caso. Na ocasião, a “assistência necessária” foi prestada à família da vítima e a empresa de origem do vigia foi afastada, “porque houve renovação de licitação e outra venceu o edital”.

De acordo com Jorge Trupiano e Juscelino Ribeiro, coordenador e diretor respectivamente da Divisão de Segurança da universidade, os indícios são de morte acidental. “Ele (vigilante) não tentou ir a lugar nenhum. Ficou no local, aguardando a chegada da polícia”, lembra Trupiano. “Quando chegamos, ficava repetindo ‘foi acidente, foi acidente’, balançando a cabeça”, completa Juscelino: “Parecia em choque”. 

Porte de armas

 Apesar do ocorrido no CBAE, o uso de armas pela segurança terceirizada parece não incomodar a reitoria: “A previsão de porte de armas sempre esteve nas licitações da UFRJ. Os editais lançados pela UFRJ exigem que estes seguranças tenham treinamento adequado e permissões legais para desempenho das atividades. O entendimento de diversos gestores é que algumas áreas específicas demandam este perfil de segurança e as próprias empresas que participam dos processos licitatórios reivindicam o porte de armas, principalmente para os períodos noturnos”, diz a assessoria.

Também foi informado que recentemente foi requisitada à Plenária de decanos e diretores da universidade uma manifestação, caso não fosse desejada segurança armada. Até o momento, as unidades que solicitaram desarmamento foram: Nupem, Ipub, Casa da Ciência, Instituto de Neurologia Deolindo Couto, Lagomar (Polo de Macaé), CAp e Maternidade-Escola. 

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