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WhatsApp Image 2020 09 21 at 14.14.06A aliança de saberes como motor da construção de um país. Essa foi a principal busca da vida de Celso Furtado (1920-2004), economista brasileiro homenageado na aula inaugural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). Realizada no dia 17 em meio virtual, a atividade destacou a importância da obra do intelectual que, assim como a UFRJ, faria cem anos em 2020.
“A grande contribuição do Celso foi perceber que o subdesenvolvimento não era uma fase pela qual teriam passado outros países já desenvolvidos, mas um processo específico resultante de certas estruturas. E que, portanto, precisava de uma interpretação exclusiva”, afirmou a tradutora e jornalista Rosa Freire D’Aguiar, diretora da Coleção Arquivos Celso Furtado e viúva do economista.
Nascido em Pombal, na Paraíba, Celso Furtado foi o primeiro Ministro do Planejamento do Brasil, no governo de João Goulart, pouco antes de ser exilado. “Ele teve uma carreira longa de professor, na Europa e nos Estados Unidos, depois de ter sido cassado pelo golpe militar”, lembrou Rosa. Atualmente, ela organiza uma publicação dos diários de Celso, em celebração ao seu centenário.
“Em 64, ele estava na primeira lista dos cassados da ditadura, e de repente vê todo projeto que tinha levado adiante por anos ruir. É um momento de muita tensão, em que ele soube que precisaria sair do país e refazer a vida do zero”, destacou Rosa. Segundo ela, os diários ressaltam pontos delicados na vida do autor. “Celso tinha essa dimensão de quando estava testemunhando um momento, um diálogo, ou um encontro importante para a vida dele ou mesmo para a história”.
Uma característica notória da obra de Celso Furtado é a pluralidade de conhecimentos. Formado em 1944 na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, então Universidade do Brasil, o autor só iniciou seu doutorado em Economia em 1946, na Universidade de Paris-Sorbonne. “A leitura de Celso Furtado vai muito além da economia. Ele tem uma cabeça de fato multidisciplinar, falando sempre das partes cultural, social, política, ambiental e dos problemas contemporâneos da nação”, disse Rosa.
Mesmo quinze anos após sua morte, a live enfatizou as contribuições que os livros do ex-ministro ainda podem dar ao Brasil. “O contato com a obra do Celso é energizador, estimulante”, declarou o economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS. Diretor executivo no FMI pelo Brasil e outros dez países, Paulo enxerga Celso Furtado como o maior economista brasileiro do século XX.
Segundo ele, os problemas da economia brasileira aumentaram, mas o legado de Celso Furtado ainda tem muito a oferecer. “Não é só uma construção que foi interrompida, como apontava Celso Furtado. Hoje, nós estamos enfrentando um processo de destruição”, disse Paulo. “Nós precisamos primeiro parar a destruição para então retomar a construção de uma nação soberana, inclusiva e dinâmica. E nesse esforço, tenho convicção de que a obra do Celso Furtado é muito relevante.”
Paulo citou um discurso do homenageado na USP, em 2000: “Podemos afirmar que o Brasil só sobreviverá como nação se se transformar numa sociedade mais justa e preservar a sua independência política. Assim, o sonho de construir um país capaz de influir no destino da humanidade não será desvanecido”.

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