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WhatsApp Image 2020 09 26 at 12.09.35Docentes mães e pais do Campus Macaé da UFRJ estão preocupados com a dupla jornada de dar aulas remotas e cuidar de crianças pequenas, no período da pandemia. O grupo reivindica, em uma carta (leia a íntegra abaixo) já assinada por mais de 70 professores — não só do campus —, uma política universitária “que nos acolha com equidade neste momento de distanciamento social e trabalho remoto”. Esta semana, a direção da AdUFRJ reuniu-se com representantes do grupo para ouvir as demandas e construir com eles uma estratégia política.
A carta foi criada depois que os professores participaram de uma pesquisa sobre o amparo à maternidade e à docência no período da pandemia, antes mesmo do começo do Período Letivo Excepcional (PLE). A pesquisa levou o grupo a procurar a Comissão de Saúde Mental da UFRJ Macaé. A partir dali, decidiram escrever o documento, chamando atenção para as necessidades dos docentes que têm filhos pequenos e têm sua rotina de trabalho no confinamento prejudicada pela necessidade de cuidar das crianças. A carta foi lida em uma reunião do conselho deliberativo do campus Macaé.
“Pais e mães que estão tendo que cuidar de filhos pequenos. As decisões sobre o PLE não consideraram essa sobrecarga de trabalho. Ser facultativo resolveu esse problema, mas não pode ser a solução”, disse a professora Gizele Martins, na reunião com a AdUFRJ. “A ideia da carta é que a gente consiga dialogar com instâncias administrativas da universidade”.
Para embasar o impacto que a parentalidade tem na produtividade docente, o grupo usou como referência a pesquisa do Parent in Science, iniciativa criada em 2016 que discute a maternidade dentro da Academia. Dentro da lógica de machismo estrutural da sociedade brasileira, as mães acabam ficando com a maior sobrecarga de trabalho por ter que cuidar dos filhos. A discussão na reunião foi importante para ampliar este grupo, já que se construiu um consenso sobre a dupla jornada de quem tem um papel de cuidador dentro da sua família, sem perder de vista que serão as professoras as principais afetadas.
Mas a indisponibilidade para o trabalho remoto gera outra preocupação entre os docentes. “Esse período de pandemia vai ser longo. Precisamos considerar como serão feitas as avaliações de progressão de carreira e período probatório dos docentes”, alertou a professora Taís Almeida. “A universidade precisa ter uma alternativa para essas formas de avaliação”, disse a professora, considerando o período de pandemia, em que a produtividade de todos os docentes foi prejudicada.
A direção da AdUFRJ, procurou apontar caminhos para cada uma das questões, ao lado do grupo. Para o professor Felipe Rosa, vice-presidente do sindicato, uma alternativa para os cuidadores é a formação de uma rede solidária, com a divisão de tarefas entre os professores. “Se houver racionalidade nessa questão de quem grava, quem aparece nas atividades síncronas, quem corrige provas e quem elabora as aulas, quase todos os problemas estariam resolvidos”, explicou. Nesse caso, é importante garantir que haja o reconhecimento do trabalho de todos os envolvidos no planejamento de uma disciplina.
“É importante que haja algum tipo de normativa por parte da universidade, porque somos contabilizados pelas horas-aula. Tem que haver o entendimento de que essas atividades didáticas dizem respeito ao ensino”, observou Taís.
Para repensar a avaliação das progressões na carreira durante a pandemia, o diretor da AdUFRJ Pedro Lagerblad sugeriu que a pesquisa divulgada pelo Parent in Science em julho ofereça os parâmetros iniciais para uma proposta. “O resultado divulgado nos dá uma base quantitativa que pode ser usada para criar um fator de atenuação na produção científica”, disse.
O professor Felipe Rosa reafirmou a importância das questões trazidas pelo grupo de pais e mães na carta e na reunião. “De forma nenhuma, essa discussão se restringe a Macaé”, ponderou. “E isso pode virar uma campanha que nós, como AdUFRJ, podemos fazer.”Felipe ainda observou que será importante construir uma articulação política para que a universidade, institucionalmente, assegure a proteção necessária aos docentes durante o período da pandemia.
A presidente da AdUFRJ, professora  Eleonora Ziller, reafirmou o compromisso de colocar o sindicato à disposição da luta do grupo. “Podemos fazer uma campanha junto aos órgãos dirigentes da UFRJ para que eles incorporem uma recomendação em relação à situação”, disse.

Carta aberta ao corpo social da UFRJ - Campus Macaé

Somos um grupo de mães e pais da UFRJ – campus Macaé, composto por docentes de diversos cursos, e temos conversado sobre a ausência de uma política universitária que nos acolha com equidade neste momento de distanciamento social e trabalho remoto. Não identificamos nenhuma proposta oferecida pela administração superior da nossa Universidade para servidoras cuidadoras de crianças (que por questões sociais e culturais são comumente as mães) durante a pandemia.
Essa discussão foi possibilitada em uma reunião com a Comissão de Saúde Mental da UFRJ – Campus Macaé no dia 07/07/20. Nesta reunião, cujo tema foi “Ensino remoto: limites e possibilidades em relação a saúde mental”, a Comissão acolheu as nossas incertezas, dúvidas e apreensões como fonte legítima para o desencadeamento de maiores desequilíbrios da nossa saúde mental e, portanto, se propôs a levar adiante o nosso pleito.
Sendo assim, refletimos de maneira coletiva, sobre as condições de trabalho atualmente ofertada pela UFRJ, para momento de isolamento social pela pandemia da Covid-19. Temosconsciência da necessidade de novas modalidades de ensino e não nos opomos as variadas formas de adaptação que têm sido postas como solução para esse momento particular de pandemia, Contudo, estamos sendo tratados com igualdade de condições quando precisamos de equidade para conseguirmos nos manter produtivos, dentro do possível.
As conformações das casas e das famílias são diversas, de servidora docente com uma criança só, com mais de uma, com bebês. Docente que é mãe sozinha e provedora do lar, docentes que tiveram que aprender a ser professora do filho(s) em idade escolar que estão em “ensino remoto”. Casas pequenas em que é impossível fazer uma reunião sem interrupção, casas com escritório, muitas vezes ocupado pelo trabalho também remoto do cônjuge ou pelo próprio “ensino remoto” do(s) filho(s).
Parece redundante, mas precisamos lembrar que estamos em uma pandemia e cumprindo o isolamento social com crianças em casa. Sem escolas, sem rede de apoio e, para segurança de todos, ainda precisamos permanecer assim. Não é o momento de contratar pessoas, leia-se mulheres, para a função de babá, uma vez que há necessidade de manutenção do isolamento social. Quanto mais pessoas circulando, utilizando transporte público, maior risco de contaminação.
O fato é que durante a pandemia estamos desenvolvendo atividades de ensino, extensão, pesquisa, atividades administrativas, atendendo a diversas reuniões e com participação em eventos virtuais, o que já tem sido bem difícil de conciliar com as demandas domésticas e dos filhos.
Precisamos destacar que adesão ao ensino remoto obrigatório pode levar a um número grande de servidoras contaminadas por COVID-19. Devido ao fato de ser impossível dar conta de todas as demandas, incluindo as domésticas, e dar aulas, sem um novo “arranjo doméstico” que inclua mais pessoas para as tarefas domésticas e cuidados das crianças. Tais questões precisam ser levadas em consideração para o plano de retorno às atividades da UFRJ.
Listamos alguns pontos sugestivos para a proposição de uma política universitária que leveem consideração as necessidades dos servidores docentes no exercício de sua parentalidade, enquanto houver a epidemia por COVID-19 no Brasil.

Gostaríamos que:
1 - adesão ao ensino remoto continue sendo facultativa (para docentes) enquanto durar a epidemia por Covid-19 no Brasil;

2 - que o plano de retorno as atividades presenciais seja feito com consulta aos docentes com filhos bebês e em idade escolar do Campus Macaé;

3 - que os docentes com filhos tenham escolha preferencial em optar por ensino remoto ou híbrido, quando as atividades didáticas de graduação voltarem a ser obrigatórias;

4- que os dados coletados pelo Formulário: Acompanhamento dos efeitos da pandemia do Coronavírus – Campus Macaé, preenchido semanalmente pelos servidores, sirva como base para elaboração de uma política universitária equânime;

5- que possamos usufruir de flexibilização da carga horária, flexibilização das atividades sem que haja prejuízos salariais, de plano de carreira e sem compensação futura, tendo como base a Lei 13.370 de 12/12/2016 alterou o § 3º do art. 98 da Lei 8.112/1990 e o Estatuto da Criança e do Adolescente;

6- que não haja sobrecarga ou danos aos demais docentes sem filhos e que possamos encontrar modalidades de apoio e suporte ao ensino de maneira coletiva;

7 - que as avaliações de probatório e progressão, em médio e longo prazo, sejam feitas considerando o papel de cuidador (para todos os servidores que se aplicar), uma vez que já foi demonstrada a menor produtividade durante a pandemia e, ainda menor, pelas mulheres nesse período (pela pesquisa com ampla visibilidade internacional realizada pelo grupo brasileiro Parent in Science).

Sendo assim, gostaríamos que houvesse ampla discussão deste pleito com o corpo social do Campus Macaé e outas instâncias administrativas da UFRJ.
Atenciosamente, Grupo de Pais e Mães da UFRJ – Campus Macaé.

Assinatura de docentes que compõem o Grupo: 1. Ana Carolina Carvalho 2. André Bonavita 3. André Luiz de Souza Cruz 4. Bernardo Mattos Tavares 5. Carina Bulcão 6. Denise Oliveira Guimarães 7. Evanoel Crizanto 8. Fábio Alves Leite da Silva 9. Fernanda Amorim de Morais Nascimento Braga 10. Fernanda Sampaio Cavalcante 11. Fernanda Teles Morais do Nascimento 12. Filipe Braga dos Santos  13. Gizele da Conceição Soares  Martins 14. Gizele Duarte Garcia 15. Guiliana Franco Leal 16. Helene Nara Henriques Blanc 17. Ingrid Annes Pereira 18. Isis Vanessa Nazareth 19. Julia Peralta Gonçalves  20. Kenia da Silva Freitas 21. Larissa Escarce Bento Wollz 22. Lilian Bahia Oliveira 23. Milena Batista Carneiro 24. Mônica Gomes de Andrade 25. Priscila Vieira Pontes 26. Raquel Silva de Paiva  27. Renata Borba de Amorim Oliveira 28. Samantha Monteiro Martins 29. Taís Fontoura de Almeida 30. Tadeu Lessa da Costa 31. Tiago Costa Leite 32. Uliana Pontes Vieira 33. Valéria Nunes Belmonte 34. Glaucimara Riguete de Souza Soares 35. Leila Brito Bergold 36. Flávia Farias Lima 37. Laís Buriti de Barros 38. Bruna Tavares Uchoa dos Santos Xavier 39. Glaucia Alexandre Formozo 40. Ana Elisa Port Lourenço 41. Jane de Carlos Santana Capelli 42. Paula Debiasi 43. Juliana Barbosa Cardoso 44. Rodrigo de Siqueira Melo 45. Caroline Guilherme 46. Mariana Fernandes Brito de Oliveira 47. Bruna Pagliani Simonato 48. Analy Machado de Oliveira Leite        
Assinaturas de docentes que compõem o Grupo de outras Unidades da UFRJ: 1. Rayane Cupolillo Ferreira / IESC 2. Adriana de Araújo Pinho / Medicina e IESC 3. Felipe Kremer Ribeiro / DAC EEFD 4. Maria Inês Galvão Souza / DAC EEFD 5. Ligia Lousada Tourinho / DAC EEFD 6. Laís Bernardes Monteiro / DAC eefd 7. Mabel Emilce Botelli /DAC EEFD 8. Eleonora Gabriel DAC EEFD 9. Lidia Costa Larangeira / DAC EEFD 10. Letícia Pereira Teixeira / DAC EEFD 11. Patrícia Gomes Pereira DAC/EEFD 12. Maria Alice Cavalcanti Poppe /DAC EEFD 13. Ana Angelita Costa Neves da Rocha / Faculdade de Educação 14. Aline dos Santos Teixeira / DAC EEFD 15. Mariana de Rosa Trotta/ DAC EEFD 16. Maria Aparecida Donato de Matos EEFD 17. Renato Mendonça Barreto da Silva / DAC EEFD 18. Alexandre Fernandes Correa 19. Anabelle Loivos Considera / Faculdade de Educação 20. Diva Lúcia Gauteiro Conde / Faculdade de Educação 21. Lívia Gimenes Dias da Fonseca /NEPP-DH 22. Laura Rebecca Murray /NEPP-DH 23. Rodrigo Volcan Almeida / IQ – Fundão 24. Danielle de Almeida Menezes / Faculdade de Educação – Praia Vermelha 25. Maria Celeste Simoes Marques /NEPP-DH 26. Fernanda Maria Vieira /NEPP-DH 27. Mariana Trotta / FND 28. Claudia Lino Piccinini / Faculdade de Educação  29. Luciana Boiteux / FND 30. Cristina Miranda / CAp

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