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FSOU1908 01Foto: Fernando SouzaO calendário acadêmico da UFRJ será preservado sem qualquer alteração no “superferiado” aprovado esta semana pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. No período entre sexta (26) e o início da Semana Santa (2), somente ficarão suspensas as atividades presenciais não essenciais. As informações foram confirmadas ao Jornal da AdUFRJ pela reitora, a professora Denise Pires de Carvalho.

As medidas são respaldadas pela Advocacia-Geral da União: “Há entendimento da AGU que as federais têm autonomia para decidir de maneira discricionária”, afirmou a reitora. A decisão também reflete a atuação institucional até o momento, sempre consultando os especialistas do Grupo de Trabalho sobre o coronavírus: “A UFRJ está com suas atividades presenciais não essenciais suspensas há mais de um ano. Temos sido exemplo de atuação no combate à covid-19, protegendo nossa comunidade acadêmica. Não há casos de transmissão interna. Mesmo os casos que ocorreram no ambiente acadêmico, por contágio externo, foram rapidamente diagnosticados, e os contactantes rastreados, como deveria ocorrer com a população em geral”.

Em nota divulgada na noite do dia 23, a administração central estabeleceu que as aulas, a Jornada de Iniciação Científica e as ações de extensão remotas estão mantidas até o dia 4 — prazo final estabelecido na lei estadual e também no decreto municipal da capital com as medidas restritivas. Mas a reitora esclareceu que o feriado religioso já estava previsto na resolução do Consuni sobre o calendário acadêmico. “Imaginamos que a comunidade acadêmica esteja bem informada sobre o calendário interno que prevê a Semana Santa. As atividades presenciais não essenciais estão suspensas, inclusive os estágios de término de curso, a menos que sejam consideradas essenciais pelos coordenadores”.

No acesso aos laboratórios, nenhuma mudança. “Atividades essenciais, como o cuidado com a vida de animais de experimentação, a limpeza dos ambientes, o cultivo de células e agentes infecciosos, vão continuar como vêm ocorrendo neste último ano. Na verdade, nunca houve feriados garantidos para as pessoas que trabalham com essas atividades, independentemente de pandemia”. Não há atividades de extensão presenciais autorizadas no momento. As remotas prosseguem.

Entre as ações administrativas, a novidade é a suspensão das provas de concursos previstas para o período. “Cerca de dois a três concursos”. Os colegiados seguirão se reunindo virtualmente. “Apenas atividades administrativas essenciais serão presenciais. Retornamos para as mesmas medidas de março de 2020”.

Linha de frente no combate à pandemia, a universidade também não terá qualquer mudança na rotina das unidades hospitalares e do Centro de Triagem Diagnóstica (CTD). Muito menos no funcionamento dos postos de vacinação drive-thru do Fundão, Praia Vermelha e Sambódromo, coordenados pela UFRJ. Nem mesmo no sábado da Semana Santa (3). “A Secretaria Municipal de Saúde confirmou vacinação nos drive-thrus no Sábado de Aleluia. A vacinação é atividade essencial. Se houver vacinas, haverá funcionamento. A UFRJ estará sempre, mais ainda agora, a serviço da sociedade. Agradecemos todos os voluntários, à Escola de Enfermagem e à Prefeitura Universitária”, disse a dirigente. O restaurante universitário central, no Fundão, segue a operação adotada durante a pandemia, com delivery e sem salão aberto.

Médica, a reitora considera que as medidas adotadas pela Prefeitura do Rio são necessárias, mas ainda insuficientes. “Enquanto a população acima de 60 anos não estiver toda vacinada com as duas doses, o país deveria entrar em lockdown. As pessoas devem permanecer em casa, em trabalho remoto”, avalia. “Há vários serviços que não são essenciais e deveriam estar fechados, para diminuir a circulação de pessoas que são as fontes virais”, completa. A professora cita as feiras livres e móveis e a hotelaria como atividades que deveriam ser suspensas.

REPERCUSSÃO
Presidente da AdUFRJ, a professora Eleonora Ziller destacou que o Governo do Estado está alinhado ao Executivo federal na política de recusar e boicotar ações mais efetivas de combate à pandemia. “Esse feriadão é um arremedo criado por quem não tem a coragem política de enfrentar a discussão principal, de medidas claras de orientação e restrição das atividades”. Entre os professores, Eleonora entende que uma grande parte não queria mudanças no calendário, mas outra parte ansiava pela suspensão total desses dias de atividades acadêmicas “para recompor as forças”. “São compreensões absolutamente legítimas do problema. Foi importante a reitoria tomar uma decisão rapidamente, qualquer que fosse, para não tumultuar mais ainda a vida das pessoas”, avaliou.

WhatsApp Image 2021 03 26 at 20.24.33Já para o vice-presidente da AdUFRJ, o professor Felipe Rosa, apoiou a decisão da universidade pela manutenção do calendário acadêmico. “A decisão da Alerj fez a diferenciação que a antecipação dos feriados não vale para os serviços remotos, onde está a maioria dos docentes. A suspensão das aulas remotas só iria atrapalhar os planos dos professores em um semestre já apertado”, disse. Felipe também se manifestou sobre o adiamento das provas de concursos marcadas para os próximos dias. “Adiamento de concursos é sempre uma pena. Mas é totalmente compreensível. Neste contexto, o combate à pandemia é muito mais importante”, afirmou.

Representante do DCE Mário Prata, Antônia Velloso disse que a entidade não teve tempo de discutir o tema. Mas os relatos recebidos dos colegas estudantes mostram realidades distintas. Uma parte defendia a continuidade do calendário, pois temia uma redução ainda maior do semestre . Outra parte gostaria da aplicação dos feriados para descansar a mente e também para se estruturar melhor para o ensino remoto. “A discussão fica prejudicada pela forma atropelada como o calendário foi construído na UFRJ, com períodos muito curtos de aulas e de recessos, e pela irresponsabilidade do governo federal, que desestabiliza a saúde dos estudantes”, completou.

A AdUFRJ e o Sintufrj divulgaram nesta quinta (25) uma nota conjunta em que defendem que a universidade matenha o trabalho presencial “somente para combater a pandemia, salvar vidas e proteger a UFRJ de perdas irreparáveis”. As entidades se solidarizam com as famílias de vítimas da covid-19 e conclamam a reitoria a instituir uma Coordenação de Biossegurança, com a participação de representantes dos diversos centros e unidades, “para tratar das ações de combate à pandemia na UFRJ”.

 

O QUE OUTRAS UNIVERSIDADES DECIDIRAM

UERJ
Não terá expediente do dia 26 de março a 4 de abril, sendo suspenso inclusive o trabalho remoto. Também não deverão ser realizadas atividades acadêmicas. A vacinação no campus Maracanã, tanto no posto de pedestres (primeira dose) quanto no drive-thru (segunda dose), será mantida de segunda a sexta-feira, das 9h às 15h, exceto no dia 2 de abril.

UFF
Calendário acadêmico remoto prossegue sem alteração. Somente as atividades acadêmicas relacionadas ao estágio/internato da área de Saúde continuarão em funcionamento.

UFRRJ
Continua em bandeira vermelha, conforme definido pelo Comitê Coronavírus, o que restringe as rotinas presenciais às atividades essenciais como segurança, posto médico e algumas ações em pró-reitorias. O calendário de atividades remotas permanece inalterado. As atividades de limpeza e obras serão interrompidas.

UNIRIO
Calendário acadêmico continua sem alteração. Recomenda que, preferencialmente, as atividades acadêmicas e pedagógicas, nesse período municipal regulamentado, ocorram de maneira assíncrona. Algumas ações administrativas desenvolvidas presencialmente deverão ser reformuladas durante o “superferiado”.

USP
Em São Paulo, a antecipação dos feriados ocorreu por decreto municipal. Mas, de qualquer forma, não haveria interferência. As aulas de graduação terão início em 12 de abril. Em função do decreto da fase de emergência pelo Governo do Estado, as atividades presenciais já haviam sido suspensas. Somente as atividades essenciais vinculadas à Saúde são mantidas.

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