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WEBABRE1141A semana terminou com mais um capítulo de uma novela interminável na UFRJ: as mudanças no período letivo excepcional e a dúvida sobre o futuro pós-PLE. A pressão de segmentos da universidade, divididos em relação aos caminhos que a instituição deve seguir, tem feito a reitoria avançar e recuar de propostas sem discussão prévia junto à comunidade acadêmica. Uma delas é o calendário de períodos regulares, proposto pela Pró-reitoria de Graduação. A sugestão da PR-1 é  iniciar 2020.1 imediatamente após o PLE, começando em 24 de novembro e encerrando em 30 de janeiro de 2021, com dez semanas. O segundo período teria início em 1º de fevereiro e seguiria até 15 de maio de 2021, com 14 semanas.
A proposta foi apresentada ao Conselho de Ensino de Graduação na última sexta-feira (14). A medida implicaria ainda em aproveitar os créditos cursados no PLE para 2020.1. As notas obtidas seriam lançadas no período regular. A iniciativa da administração central dividiu opiniões no colegiado. O tema volta a ser discutido na próxima quarta, 19.
“Na proposta apresentada, há apenas quatro dias (úteis) de intervalo entre o PLE e o início de 2020.1 e zero entre 2020.1 e 2020.2. Não há cabeça, corpo físico que aguente”, criticou a professora Juliana Milanez representante de Macaé, docente do curso de licenciatura em Quimica. “A UFRJ não parou na pandemia. Nós estamos exauridos antes mesmo de começar o PLE. Esses prazos são completamente inadequados”, afirmou.
Victor Trindade, representante discente, criticou o curto período dedicado a 2020.1. Ele ponderou que existe resolução do Conselho Universitário que determina que cada período letivo tenha no mínimo cem dias. “Não podemos passar por cima de uma resolução do nosso conselho superior”. Os estudantes pediram, ainda, que as disciplinas ofertadas no PLE sejam replicadas no período letivo regular. A justificativa é o caráter não obrigatório do PLE.
“Gostei muito da proposta da PR-1 para 2020.2”, parabenizou a professora Mônica Ferreira Moreira, representante do CCMN. “Nosso grande problema é saber o que vamos fazer com 2020.1. Vai ser obrigatório, opcional, um novo PLE?”. Ela pediu que toda a comunidade acadêmica fosse ouvida por meio de questionário encaminhado pela pró-reitoria. “Acho a gente não pode deliberar hoje, mas a decisão precisa ser breve”, defendeu.
No mesmo sentido argumentou o professor Murilo Rangel, representante do CCMN. “Para um observador de fora, o que parece é que há uma demora nas nossas ações. A suspensão das aulas foi em 16 de março. Apenas 13 semanas depois aprovamos a resolução do PLE” disse. “É preciso deixar muito claro quais as regras desses semestres regulares. Serão virtuais? As disciplinas ofertadas no PLE serão oferecidas novamente para todos? Serão oferecidas parcialmente?”.

Mudanças no PLE
Na quinta-feira, dia 13, o Conselho Universitário aprovou as novas datas decididas pelo CEG e que acompanham o PLE. Agora, o período letivo excepcional acontece entre 24 de agosto e 16 de novembro. A inscrição direta em disciplinas foi prorrogada até 24 de agosto. A correção de inscrições ocorre entre 25 de agosto e 18 de setembro. O período de regularização dos pedidos de inscrição em disciplinas foi prorrogado até 16 de novembro. Alterações do pedido de inscrição em disciplinas acontecem até 4 de setembro. Trancamentos podem ser feitos entre 15 de setembro e 16 de novembro. As notas serão lançadas de 21 a 25 de novembro.
Durante o Consuni, alguns conselheiros expressaram preocupação com o planejamento da universidade. “Precisamos de uma definição sobre o que será do nosso calendário acadêmico”, pediu o professor Nelson Braga (Titular do CCMN). “Os coordenadores de pós-graduação estão muito preocupados com o descasamento entre os calendários da graduação e da pós, que pode gerar prejuízo aos programas”.
Na terça-feira, dia 11, a reitoria divulgou entre conselheiros do CEG uma proposta que bonificava professores que aderissem ao PLE com a liberação de cumprimento de carga horária em 2020.1. A medida gerou forte reação. “A nota não vazou, foi por mim colocada no grupo dos conselheiros com conhecimento da reitora, para que houvesse possibilidade de uma avaliação prévia. As reações foram negativas e a nota não será publicada”, afirmou a pró-reitora de Graduação, Gisele Pires.

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