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Alguns passos importantes foram dados nessa semana: começaram as inscrições dos estudantes no PLE, e com isso os problemas passam a ter contornos mais nítidos. Por isso, estamos nos preparando para montar uma efetiva rede de proteção para o desenvolvimento das atividades emergenciais de ensino remoto, para o qual estamos sendo levados por conta da política de isolamento social. Ainda não conseguimos trazê-la como notícia, mas está em gestação e ganhará corpo na próxima edição do jornal.
Também essa foi a semana em que realizamos a nossa primeira assembleia virtual e o ANDES realizou o primeiro Conad extraordinário online. Prorrogamos o mandato de nosso sindicato nacional, com a previsão de realização de um novo Conad em setembro. Embora crucial nesse momento, infelizmente, caminhamos pouco para construir uma poderosa unidade no movimento docente. Sem a possibilidade de modificar os textos das propostas enviadas para votação, durante o Conad ficamos restritos a aprovar ou rejeitar as teses apresentadas. Não houve espaço para construirmos uma nova proposta, que fosse fruto de um entendimento entre as três que estavam colocadas em pauta. Esperamos que esse entendimento possa ser construído nos próximos meses. Mais do que nunca, precisamos ajustar o passo e caminharmos juntos, pois essa é a única garantia que possuímos para barrar de forma efetiva o avanço de proposições autoritárias e de tentativas de controle sobre o pensamento e a produção de conhecimento no país.
Ao mesmo tempo, de modo tenebroso, nos aproximamos dos 100.000 mortos por Covid-19 oficialmente reconhecidos. Uma tragédia anunciada cuja dimensão poderia ter sido bastante reduzida.
O país está à deriva, não há nenhum projeto, diretriz ou proposição clara das autoridades sanitárias nacionais. Esse abandono a que estamos submetidos não tem paralelo em nenhum lugar do mundo. Não somos uma nação tão pobre ou carente de recursos que não possa dar o devido enfrentamento à pandemia. Ao contrário. Apesar da desigualdade social e do subfinanciamento que existe em relação ao sistema de saúde, temos uma rede de assistência universalizada que, recebendo recursos e orientações claras, poderia ter se tornado um exemplo mundial de eficiência por sua capilaridade em todo o território nacional. Ocupamos a vergonhosa segunda posição no pódio das nações em relação ao número de mortos e infectados pelo Coronavírus. Camuflam-se e escamoteiam-se os dados. As universidades e institutos de pesquisa continuam desempenhando um papel central, garantindo o pouco que ainda resiste de orientação no debate público. Parece, entretanto, que lutamos sozinhos contra essa enorme maré de descaso e imprevidência.
Mas é precisamente por haver uma sensação de cansaço e de isolamento que nossa participação se torna ainda mais necessária. As universidades são hoje o principal anteparo para garantir que não haverá um retorno precipitado das aulas presenciais, principalmente no ensino fundamental e médio. Uma verdadeira batalha está sendo travada nesse sentido, e não podemos abrir mão do papel social que temos a desempenhar nesse momento. É nessa direção que temos trabalhado, junto às entidades da UFRJ, junto às entidades da educação no estado do Rio de Janeiro, e em todos os fóruns nacionais que viermos a participar. Em defesa da vida e da democracia, fora Bolsonaro!

Diretoria da AdUFRJ

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